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ITU na gestante — bacteriúria assintomática, cistite e pielonefrite

Gestante com disúria ou urocultura positiva no pré-natal. Quando tratar bacteriúria assintomática, qual antibiótico usar na cistite e quando internar por pielonefrite?

Red flags — sinais de gravidade

  • Febre + dor lombar (Giordano positivo) em gestante — pielonefrite: internar, não tratar ambulatorialmente como regra
  • Pielonefrite + contrações — risco de trabalho de parto prematuro; monitorizar dinâmica e colo
  • Taquipneia/dessaturação em pielonefrite gestacional — risco aumentado de SDRA
  • Sinais de sepse (hipotensão, taquicardia, confusão) — sepse de foco urinário: protocolo de sepse imediato
  • Erro que mata: não tratar bacteriúria assintomática 'porque não tem sintoma' — na gestante ela evolui para pielonefrite numa fração importante dos casos
  • Erro que mata: nitrofurantoína no termo (≥ 38 semanas)/trabalho de parto — risco de anemia hemolítica neonatal
  • Erro que mata: quinolona em gestante por hábito de pronto-socorro
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Gestante é a única população em que bacteriúria assintomática se rastreia e SE TRATA — reduz pielonefrite e parto prematuro
  • Bacteriúria assintomática: urocultura ≥ 100.000 UFC/mL sem sintomas — tratar guiado pelo antibiograma
  • Cistite: tratar empiricamente e ajustar pela cultura; sempre colher urocultura ANTES do antibiótico
  • Opções usuais: cefalexina, amoxicilina-clavulanato, fosfomicina dose única, nitrofurantoína (evitar ≥ 36-38 semanas e cautela no 1º trimestre se houver alternativa)
  • Evitar quinolonas e sulfametoxazol-trimetoprim (1º trimestre e próximo ao termo)
  • Pielonefrite na gestação = internação + antibiótico IV (ceftriaxona) na maioria dos casos
  • Urocultura de controle (teste de cura) 1-2 semanas após o fim do tratamento; recorrência → discutir profilaxia até o parto

Conduta inicial

  1. 1Colher EAS + urocultura com antibiograma antes do antibiótico em qualquer cenário.
  2. 2Bacteriúria assintomática (rastreio do pré-natal): tratar por 5-7 dias guiado pelo antibiograma; repetir urocultura após o tratamento.
  3. 3Cistite: antibiótico empírico VO (cefalexina, amoxicilina-clavulanato, fosfomicina dose única ou nitrofurantoína respeitando o trimestre) por 5-7 dias; ajustar pela cultura.
  4. 4Pielonefrite: internar, iniciar ceftriaxona IV, hidratação, antitérmico (paracetamol) e monitorizar dinâmica uterina e BCF conforme idade gestacional.
  5. 5Transição para VO guiada pela cultura após 48 h afebril, completando 10-14 dias de tratamento total.
  6. 6Vigiar complicações: sepse, SDRA e trabalho de parto prematuro — pielonefrite gestacional descompensa rápido.
  7. 7ITU recorrente ou segunda pielonefrite na gestação: discutir profilaxia antibiótica contínua (ex.: nitrofurantoína ou cefalexina noturna) até o parto, com staff/pré-natal de alto risco.

Exames

  • EAS + urocultura com antibiograma — sempre, antes do antibiótico
  • Hemograma, função renal e PCR na pielonefrite; hemoculturas se febre alta/sepse
  • US de rins e vias urinárias se pielonefrite sem melhora em 48-72 h (afastar obstrução/abscesso — dilatação fisiológica à direita é esperada na gestação)
  • Urocultura de controle 1-2 semanas após o término do tratamento

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Dieta livre; reforçar hidratação oral na cistite/bacteriúria

Soro

  • Cristaloide IV na pielonefrite conforme hidratação e sinais vitais

Medicamentos

  • Cistite/bacteriúria: cefalexina VO 6/6 h por 5-7 dias, OU amoxicilina-clavulanato VO, OU fosfomicina trometamol 3 g VO dose única, OU nitrofurantoína VO 12/12 h por 5-7 dias (evitar ≥ 36-38 semanas)
  • Pielonefrite: ceftriaxona IV 1-2 g/dia; descalonar pela cultura após melhora
  • Paracetamol como antitérmico/analgésico
  • Evitar: quinolonas, sulfametoxazol-trimetoprim no 1º trimestre e próximo ao termo

Recomendações

  • Monitorizar dinâmica uterina e BCF na pielonefrite conforme idade gestacional
  • Orientar retorno imediato se febre, dor lombar ou contrações
  • Registrar resultado da cultura e ajuste do antibiótico no cartão de pré-natal

Exames

  • Urocultura de controle pós-tratamento (teste de cura)
  • Hemograma/PCR de controle na pielonefrite internada

Referências

  1. [1]Urinary Tract Infections in Pregnant Individuals, ACOG Clinical Consensus No. 4, American College of Obstetricians and Gynecologists, 2023
  2. [2]Clinical Practice Guideline for the Management of Asymptomatic Bacteriuria: 2019 Update, Infectious Diseases Society of America (IDSA), 2019

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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