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Prolapso de cordão umbilical
Bradicardia fetal súbita após rotura de membranas, com cordão palpável ou visível no canal vaginal. O que faço nos primeiros minutos?
Red flags — sinais de gravidade
Bradicardia fetal persistente sem descompressão do cordão iniciada — cada minuto conta
Aguardar exames ou confirmação enquanto o feto está bradicárdico — o diagnóstico é clínico (cordão palpável/visível + sofrimento)
Erro que mata: tentar reposicionar o cordão dentro do útero e manter conduta expectante
Erro que mata: retirar a mão que eleva a apresentação antes do nascimento, deixando o cordão comprimir de novo
Amniotomia eletiva com apresentação alta e móvel — pode precipitar prolapso; evitar
Demora no deslocamento para o centro cirúrgico sem manter descompressão (mão vaginal ou bexiga cheia) no trajeto
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
É emergência obstétrica — o parto tem que ser resolvido em minutos; chamar ajuda e acionar centro cirúrgico imediatamente
Suspeitar de bradicardia/desacelerações profundas logo após rotura de membranas, sobretudo com apresentação alta ou anômala e polidrâmnio
Elevar a apresentação para descomprimir o cordão: mão vaginal empurrando a apresentação para cima e/ou posição genupeitoral / Trendelenburg / Sims exagerada
Encher a bexiga com 500-750 mL de soro por sonda de Foley ajuda a manter a apresentação elevada durante o transporte para a cirurgia
Manipular o cordão o mínimo possível e mantê-lo aquecido — manuseio e frio favorecem vasoespasmo
NÃO reintroduzir o cordão na cavidade para deixar o trabalho de parto seguir — sem evidência e potencialmente danoso
Cesariana de emergência é a via na maioria dos casos; parto vaginal instrumentado só se estiver iminente e mais rápido (dilatação completa, apresentação baixa)
Tocólise pode ser considerada para reduzir contrações enquanto se prepara a cirurgia, se houver hiperestimulação
Conduta inicial
1Reconhecer a emergência e chamar ajuda: obstetra, anestesia, neonatologia e centro cirúrgico simultaneamente.
2Elevar manualmente a apresentação por via vaginal para tirar a compressão do cordão e manter a mão até o nascimento.
3Posicionar a gestante em genupeitoral ou Trendelenburg/Sims exagerada para somar a gravidade à descompressão.
4Encher a bexiga com 500-750 mL de soro por sonda de Foley se o transporte/preparo for demorar (esvaziar antes da incisão).
5Minimizar manuseio do cordão e mantê-lo aquecido; considerar tocólise se hiperatividade uterina.
6Resolver o parto rápido: cesariana de emergência como regra; via vaginal só se o parto for realmente iminente e mais rápido.
7Monitorizar o BCF continuamente até o nascimento; preparar reanimação neonatal.
Exames
Cardiotocografia / ausculta contínua do BCF — documentar sofrimento e resposta às manobras
Diagnóstico é clínico (cordão palpável/visível ao toque ou especular) — não atrasar conduta por imagem
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, alergia e protocolo local; a prioridade é a resolução imediata do parto.
Dieta
Jejum — parto cirúrgico iminente
Soro
Cristaloide IV; soro para enchimento vesical (500-750 mL) se indicado descompressão
Medicamentos
Tocolítico (ex.: terbutalina SC) para reduzir contrações enquanto se prepara a cesariana, se hiperestimulação
Preparo anestésico para cesariana de emergência
Recomendações
Manter a apresentação elevada (mão vaginal e/ou bexiga cheia) até o nascimento
Manuseio mínimo do cordão e proteção térmica
Equipe de reanimação neonatal presente no nascimento
Exames
Monitorização contínua do BCF até o parto
Referências
[1]Umbilical Cord Prolapse, RCOG Green-top Guideline No. 50, Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, 2014
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.