plantaoestudaracretismoplacenta acretaincretapercretaplacenta previahemorragia pos-partocesariana previahisterectomia

Acretismo placentário (espectro do acretismo — PAS)

Gestante com cesáreas prévias e placenta prévia/anterior baixa. Como reconheço o risco de acretismo, o que peço na investigação e como me preparo para o parto?

Red flags — sinais de gravidade

  • Placenta prévia + múltiplas cesáreas sem investigação de acretismo — planejar como se houvesse até prova em contrário
  • Tentar dequitação/tração da placenta quando ela não descola — desencadeia hemorragia catastrófica
  • Parto de caso suspeito em serviço sem banco de sangue, UTI e equipe cirúrgica preparada
  • Erro que mata: subestimar a reserva de hemocomponentes — a hemorragia do acretismo é maciça e rápida
  • Sangramento anteparto volumoso em placenta prévia/acretismo — pode antecipar a necessidade de parto de emergência
  • Hematúria ou invasão vesical suspeita (percreta) sem urologia acionada no planejamento
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Risco maior com placenta prévia + cesáreas anteriores (risco cresce com o número de cesáreas) e cirurgia uterina prévia
  • US obstétrica é a triagem: lacunas placentárias, perda da zona hipoecoica retroplacentária, hipervascularização na interface — RM ajuda em casos duvidosos/placenta posterior
  • Rastrear em toda grávida com cesárea prévia e placenta de implantação baixa/anterior com US entre 18 e 24 semanas
  • Diagnóstico antenatal muda o prognóstico: permite planejar parto em centro de referência com equipe multidisciplinar
  • Parto programado de paciente estável entre 34+0 e 35+6 semanas (com corticoide), antes do trabalho de parto/sangramento
  • Conduta padrão é cesariana com histerectomia deixando a placenta in situ (não tentar extração forçada), por equipe experiente
  • Preparar banco de sangue (reserva ampla, protocolo de transfusão maciça), acesso calibroso, UTI e recuperação de células quando disponível
  • Manejo conservador (deixar placenta in situ para preservar útero) é exceção, só em centros selecionados e com seguimento rigoroso

Conduta inicial

  1. 1Identificar as pacientes de risco (placenta prévia/baixa + cesárea ou cirurgia uterina prévia) e solicitar US direcionada; RM se dúvida ou placenta posterior.
  2. 2Encaminhar caso confirmado/suspeito a centro de referência com equipe multidisciplinar (obstetra experiente, anestesia, banco de sangue, UTI, urologia/cirurgia se necessário).
  3. 3Programar o parto de paciente estável entre 34+0 e 35+6 semanas, com corticoide antenatal prévio.
  4. 4Planejar cesariana com histerectomia deixando a placenta in situ como conduta padrão; não tentar remover a placenta.
  5. 5Garantir reserva ampla de hemocomponentes, acessos calibrosos, protocolo de transfusão maciça e recuperação intraoperatória de células quando disponível.
  6. 6Diante de sangramento agudo/instabilidade antes do programado: ressuscitação volêmica, transfusão e antecipação do parto de emergência.

Exames

  • US obstétrica com Doppler — triagem e sinais de acretismo
  • RM pélvica — casos duvidosos, placenta posterior ou suspeita de invasão (percreta/bexiga)
  • Tipagem, prova cruzada e reserva de hemocomponentes; hemograma e coagulograma
  • Avaliação de invasão vesical (cistoscopia/urologia) se suspeita de percreta

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local; o eixo do cuidado é o planejamento cirúrgico multidisciplinar.

Dieta

  • Jejum no periparto programado

Soro

  • Acessos venosos calibrosos; cristaloide e hemocomponentes conforme perda

Medicamentos

  • Corticoide antenatal (curso único) antes do parto programado no pré-termo tardio
  • Protocolo de transfusão maciça (concentrado de hemácias, plasma, plaquetas) conforme sangramento
  • Ácido tranexâmico conforme protocolo de hemorragia obstétrica
  • Uterotônicos conforme necessidade (sangramento uterino associado)

Recomendações

  • Parto em centro de referência com equipe multidisciplinar e banco de sangue
  • Não tentar extração da placenta que não descola
  • Reserva de UTI para o pós-operatório

Exames

  • Reserva e prova cruzada de hemocomponentes
  • Hemograma e coagulograma seriados no periparto

Referências

  1. [1]Obstetric Care Consensus No. 9: Placenta Accreta Spectrum, American College of Obstetricians and Gynecologists e Society for Maternal-Fetal Medicine, 2018 (reafirmado 2021)
  2. [2]FIGO Consensus Guidelines on Placenta Accreta Spectrum Disorders, International Federation of Gynecology and Obstetrics (FIGO), 2018

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

Criar conta

Quer receber os próximos verbetes por e-mail? Sem spam, cancela quando quiser.

Ver todos os verbetes