plantaoprescreverestudarviolencia sexualestuproacolhimentopepprofilaxia pos-exposicaohivcontracepcao de emergenciaistnotificacao compulsoria

Violência sexual — acolhimento, profilaxias e PEP

Paciente que sofreu violência sexual chega ao pronto atendimento. Como acolho, quais profilaxias começo nas primeiras 72 horas e o que é obrigatório notificar/oferecer?

Red flags — sinais de gravidade

  • Condicionar atendimento de saúde à apresentação de boletim de ocorrência — vedado; acolher e tratar
  • Perder a janela da PEP e da contracepção de emergência por burocracia — as profilaxias são tempo-dependentes
  • Erro que mata (risco de perpetuação de dano): revitimizar com interrogatório repetitivo, exame sem consentimento ou juízo de valor
  • Deixar de notificar a violência (notificação compulsória) e de acionar o Conselho Tutelar em menores de idade
  • Esquecer a imunoprofilaxia de hepatite B ou a profilaxia de IST não virais ao focar só no HIV
  • Não ofertar contracepção de emergência a quem tem risco de gravidez
  • Não informar sobre o direito ao aborto legal e ao seguimento em serviço de referência
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Acolhimento primeiro: ambiente reservado, escuta sem julgamento, respeitar o tempo e a autonomia da pessoa; atendimento não pode ser condicionado a boletim de ocorrência
  • O atendimento em saúde independe de registro policial — não exigir B.O. para prestar cuidado (garantia legal)
  • PEP para HIV deve começar o quanto antes, idealmente em até 72 horas — esquema por 28 dias (tenofovir/lamivudina + dolutegravir, conforme PCDT)
  • Profilaxia das IST não virais (sífilis, gonorreia, clamídia, tricomoníase) em dose única conforme protocolo, sem esperar resultado de exames
  • Imunização/imunoprofilaxia para hepatite B conforme status vacinal (vacina ± imunoglobulina)
  • Contracepção de emergência para pessoas em risco de gravidez — levonorgestrel, quanto antes (até 5 dias, mais eficaz quanto mais precoce)
  • Notificação compulsória (ficha de violência interpessoal/autoprovocada) e, em criança/adolescente/idoso, comunicação ao Conselho Tutelar/autoridade competente
  • Informar sobre o direito ao aborto legal previsto em lei nos casos de gravidez decorrente de violência sexual e oferecer seguimento (sorologias, saúde mental, serviço de referência)

Conduta inicial

  1. 1Acolher em ambiente reservado, com escuta qualificada e respeito à autonomia; não condicionar o cuidado a registro policial.
  2. 2Consentimento informado para exame; documentar achados no prontuário com objetividade (o prontuário tem valor).
  3. 3Iniciar PEP para HIV o quanto antes (até 72 h), esquema de 28 dias conforme PCDT vigente.
  4. 4Profilaxia das IST não virais em dose única (sífilis, gonorreia, clamídia, tricomoníase) conforme protocolo.
  5. 5Imunoprofilaxia para hepatite B conforme status vacinal (vacina e imunoglobulina quando indicado).
  6. 6Contracepção de emergência para risco de gravidez, o mais precoce possível.
  7. 7Notificar a violência (ficha de notificação compulsória) e comunicar Conselho Tutelar/autoridade nos casos previstos.
  8. 8Orientar sobre direito ao aborto legal em gravidez decorrente de violência e encaminhar para seguimento clínico, sorológico e psicossocial em serviço de referência.

Exames

  • Sorologias basais: HIV, sífilis (VDRL/treponêmico), hepatites B e C
  • Teste de gravidez (beta-hCG) quando houver risco
  • Coleta conforme protocolo do serviço/perícia, sempre com consentimento
  • Seguimento sorológico programado (repetir conforme janela imunológica)

Prescrição-modelo

Ajustar por idade, peso, gestação, alergias, interações e protocolo/PCDT vigente antes de prescrever; esquemas de PEP e profilaxias são atualizados periodicamente.

Dieta

  • Dieta livre

Medicamentos

  • PEP HIV (28 dias): tenofovir + lamivudina + dolutegravir, conforme PCDT vigente e ajustes por população (gestante, criança, função renal)
  • Profilaxia IST não virais (dose única, conforme protocolo): penicilina benzatina (sífilis), ceftriaxona (gonorreia), azitromicina (clamídia), metronidazol (tricomoníase)
  • Hepatite B: vacina conforme esquema ± imunoglobulina anti-HBV se não imunizado
  • Contracepção de emergência: levonorgestrel o mais precoce possível (até 5 dias)

Recomendações

  • Acolhimento e apoio em saúde mental; encaminhar a serviço de referência
  • Orientar adesão e efeitos da PEP e retorno para seguimento sorológico
  • Informar sobre direito ao aborto legal na gravidez decorrente de violência

Exames

  • Sorologias basais e seguimento programado
  • Beta-hCG quando houver risco de gravidez

Referências

  1. [1]Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Profilaxia Pós-Exposição (PEP) de Risco à Infecção pelo HIV, IST e Hepatites Virais, Ministério da Saúde, 2024
  2. [2]Norma Técnica — Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes, Ministério da Saúde

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

Criar conta

Quer receber os próximos verbetes por e-mail? Sem spam, cancela quando quiser.

Ver todos os verbetes