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Corrimento vaginal / vulvovaginites agudas

Mulher com corrimento vaginal, prurido ou odor. Como diferencio vaginose bacteriana, candidíase e tricomoníase e qual o tratamento de cada uma?

Red flags — sinais de gravidade

  • Dor pélvica, febre, dor à mobilização do colo — pensar em doença inflamatória pélvica, não simples vulvovaginite
  • Corrimento com sangramento, lesão ulcerada ou massa — investigar IST ulcerativa/neoplasia, não presumir vaginite
  • Erro comum: tratar corrimento fisiológico (assintomático) como infecção — só tratar vaginose/tricomoníase sintomáticas ou conforme indicação
  • Erro comum: usar dose única de metronidazol 2 g para tricomoníase em mulher — o esquema de 7 dias é superior
  • Candidíase de repetição / não responsiva — reavaliar diagnóstico, diabetes, imunossupressão e espécie não-albicans
  • Não abordar parceiro na tricomoníase (IST) — perpetua reinfecção
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Três causas principais de corrimento: vaginose bacteriana, candidíase e tricomoníase — a clínica orienta, mas exame (pH, teste das aminas/KOH, microscopia) confirma quando disponível
  • Vaginose bacteriana: corrimento fino, acinzentado, odor de peixe (teste de aminas +), pH > 4,5, sem prurido/inflamação importantes; não é IST clássica, mas associa-se a complicações
  • Candidíase: corrimento branco 'em nata', prurido intenso, hiperemia; pH normal (≤ 4,5); tratar só se sintomática
  • Tricomoníase: corrimento amarelo-esverdeado, bolhoso, odor, pH > 4,5, colo 'em framboesa'; é IST — tratar a paciente e o(s) parceiro(s)
  • Vaginose e tricomoníase respondem a nitroimidazólicos (metronidazol); candidíase a azólicos (fluconazol/creme)
  • Tricomoníase agora é tratada com metronidazol 500 mg VO 12/12 h por 7 dias em mulheres (esquema de 7 dias superior à dose única de 2 g)
  • Rastrear/oferecer teste de outras IST (HIV, sífilis, gonorreia/clamídia) na tricomoníase e conforme risco
  • Na gestante, respeitar as opções seguras e o protocolo — candidíase com azol tópico; evitar automatismos

Conduta inicial

  1. 1Anamnese e exame ginecológico: caracterizar corrimento, prurido, odor e sinais inflamatórios.
  2. 2Quando disponível, medir pH vaginal, fazer teste das aminas (KOH) e microscopia a fresco para diferenciar as três causas.
  3. 3Vaginose bacteriana sintomática: metronidazol (VO ou gel) conforme protocolo.
  4. 4Candidíase sintomática: azólico tópico ou fluconazol oral em dose única.
  5. 5Tricomoníase: metronidazol VO por 7 dias, tratar parceiro(s) e orientar abstinência até completar o tratamento e resolução dos sintomas.
  6. 6Na tricomoníase, oferecer testagem para HIV, sífilis e outras IST; abordagem de parceiros.
  7. 7Ajustar esquema na gestação conforme protocolo e reavaliar casos recorrentes/refratários.

Exames

  • pH vaginal, teste das aminas (KOH) e microscopia a fresco quando disponíveis
  • Testagem para IST (HIV, sífilis, gonorreia/clamídia) na tricomoníase e conforme risco
  • Cultura/identificação de espécie na candidíase recorrente ou refratária

Prescrição-modelo

Ajustar por gestação, alergia, função hepática/renal e protocolo/PCDT local; evitar álcool durante e logo após o uso de metronidazol.

Dieta

  • Dieta livre; evitar álcool durante o uso de metronidazol

Medicamentos

  • Vaginose bacteriana: metronidazol 500 mg VO 12/12 h por 7 dias, OU metronidazol gel 0,75% vaginal por 5 dias, OU clindamicina creme 2% vaginal por 7 dias
  • Candidíase: fluconazol 150 mg VO dose única, OU azólico tópico (ex.: miconazol/clotrimazol creme vaginal); na gestante preferir tópico
  • Tricomoníase: metronidazol 500 mg VO 12/12 h por 7 dias (mulheres) e tratamento do(s) parceiro(s)

Recomendações

  • Tratar apenas quadros sintomáticos de vaginose/candidíase (fora de indicações específicas)
  • Na tricomoníase, abstinência sexual até o fim do tratamento e resolução dos sintomas, e tratar parceria
  • Reavaliar diagnóstico nos casos recorrentes ou sem resposta

Exames

  • Testagem de IST na tricomoníase
  • Identificação de espécie na candidíase recorrente

Referências

  1. [1]Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), Ministério da Saúde, 2022
  2. [2]Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, Centers for Disease Control and Prevention (CDC), 2021

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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