hematologiaambulatorioanemia ferroprivadeficiencia de ferroferritina baixaanemia microciticareposicao de ferrosulfato ferroso
Anemia ferropriva — investigação etiológica e reposição ambulatorial
A anemia é microcítica/hipocrômica com ferritina baixa, sem sinais de gravidade. Como investigar a causa e conduzir a reposição no ambulatório?
Red flags — sinais de gravidade
Hemoglobina muito baixa com sintomas (dispneia em repouso, dor torácica, instabilidade hemodinâmica) — fluxo agudo, não ambulatorial
Sangramento digestivo ativo (melena, hematêmese, sangue vivo) ou sinais de perda aguda
Perda de peso, sintomas B ou massa abdominal associados — investigar neoplasia com prioridade
Anemia ferropriva em homem ou mulher pós-menopausa sem causa óbvia — sempre investigar trato digestivo
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Confirmar padrão ferropênico: hemograma com índices, ferritina, saturação de transferrina (ferro sérico + TIBC)
Lembrar que ferritina é fase aguda — pode estar falsamente normal/alta em inflamação, infecção ou hepatopatia
Investigar fonte de perda: história menstrual, sintomas digestivos, uso de AINE/antiagregante/anticoagulante, doação de sangue, dieta e absorção (cirurgia bariátrica, doença celíaca)
Em homens e mulheres pós-menopausa, perda digestiva oculta é a hipótese a afastar por padrão — não assumir dieta sem excluir isso
Checar sinais de gravidade (dispneia, angina, hemoglobina muito baixa) que tirem o caso do fluxo ambulatorial
Conduta inicial
1Confirmar o padrão laboratorial e excluir gravidade antes de iniciar reposição
2Direcionar a investigação da causa conforme sexo, idade e sintomas — não tratar sem buscar a origem da perda/deficiência
3Iniciar reposição de ferro oral como primeira linha na maioria dos casos, ajustando dose e via conforme tolerância e absorção
4Considerar ferro parenteral quando via oral for ineficaz, mal tolerada, houver má absorção ou necessidade de correção mais rápida
5Programar reavaliação laboratorial em 4-6 semanas para confirmar resposta e definir duração do tratamento
Exames
Hemograma completo com índices hematimétricos
Ferritina, ferro sérico, TIBC/saturação de transferrina
Proteína C-reativa (para interpretar ferritina em contexto inflamatório)
Endoscopia digestiva alta e colonoscopia quando indicado (homens, pós-menopausa, sintomas digestivos)
Sorologia/pesquisa de doença celíaca quando houver suspeita de má absorção
Prescrição-modelo
Plano em rascunho — confirmar causa da deficiência, via de administração, dose, tolerância gastrointestinal e necessidade de investigação digestiva antes de fechar a conduta.
Medicamentos
Ferro oral (sal e dose conforme peso/tolerância): ___
Recomendações
Causa provável da deficiência: ___
Investigação digestiva indicada: ___
Orientação de tomada (jejum, evitar com leite/antiácido/café) e efeitos adversos esperados: ___
Data de reavaliação laboratorial (4-6 semanas): ___
Exames
Hemograma e ferritina de controle: ___
Referências
[1]Snook J, Bhala N, Beales ILP, et al. British Society of Gastroenterology guidelines for the management of iron deficiency anaemia in adults. Gut. 2021;70(11):2030-2051
[2]CONITEC/Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas — Anemia por Deficiência de Ferro, 2024
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.