hematologiaambulatoriotrombofiliatrombose venosafator v leidenmutacao da protrombinasindrome antifosfolipidetevtvp
Trombofilia — quando investigar e como interpretar
O paciente teve um episódio de tromboembolismo venoso (ou tem história familiar de trombose). Vale a pena pedir o painel de trombofilia?
Red flags — sinais de gravidade
Trombose em vigência de anticoagulação plena (falha terapêutica) — reavaliar diagnóstico e aderência antes de pensar em trombofilia isolada
Trombose em sítio incomum (cerebral, esplâncnica, portal) — maior rendimento diagnóstico, mas também pensar em neoplasia mieloproliferativa (JAK2)
Trombose arterial e venosa recorrente com perda gestacional — pensar em síndrome antifosfolípide
Sintomas de câncer associados — investigar neoplasia oculta antes de aprofundar trombofilia hereditária
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Confirmar se o evento foi provocado (cirurgia, imobilização, hormônio, câncer) ou não provocado — isso muda a indicação de testar
Verificar se o resultado do teste mudaria a conduta (duração de anticoagulação, profilaxia em situação de risco futuro)
Checar se o paciente já está em anticoagulação — vários testes (proteína C, S, antitrombina) ficam alterados sob heparina/varfarina/DOAC e exigem timing correto
Perguntar sobre local incomum de trombose (cerebral, esplâncnica), história familiar de deficiência de antitrombina/proteína C/S, e contexto obstétrico
Não testar apenas por curiosidade diagnóstica sem pergunta clínica que o resultado vá responder
Conduta inicial
1Definir se há de fato uma pergunta clínica que o teste vai responder antes de solicitar o painel
2Testar seletivamente conforme cenário (fator transitório maior não hormonal, sítio incomum, história familiar de deficiência de antitrombina/proteína C/S, gestante com história familiar de trombofilia de alto risco) — não testar rotineiramente após TEV provocado por fator maior
3Não testar população geral antes de iniciar contraceptivo oral combinado
4Interpretar resultado considerando fase aguda da trombose e uso de anticoagulante, que podem falsear proteína C, S e antitrombina
5Definir junto ao hematologista se o achado muda duração de anticoagulação ou profilaxia futura
Exames
Fator V de Leiden e mutação do gene da protrombina (G20210A)
Antitrombina, proteína C, proteína S (fora da fase aguda e, idealmente, fora de anticoagulação)
Anticorpos antifosfolípides (anticoagulante lúpico, anticardiolipina, anti-beta2-glicoproteína I) quando suspeita de SAF
Prescrição-modelo
Plano em rascunho — confirmar se o resultado do painel realmente vai mudar a conduta antes de solicitar; interpretar sempre com hematologista, considerando timing de anticoagulação.
Recomendações
Evento index (provocado/não provocado, sítio): ___
Pergunta clínica que o teste responderia: ___
Uso atual de anticoagulante e timing do teste: ___
Encaminhamento a hematologista: ___
Exames
Painel de trombofilia dirigido ao cenário clínico: ___
Referências
[1]Middeldorp S, Nieuwlaat R, Baumann Kreuziger L, et al. American Society of Hematology 2023 guidelines for management of venous thromboembolism: thrombophilia testing. Blood Advances. 2023;7(22):7101-7138
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.