nefrologiaambulatoriodoenca renal cronicaDRCinsuficiencia renal cronicaIRCTFGestadiamento KDIGOalbuminuriaencaminhamento nefrologista

Doença renal crônica (DRC) em estágios iniciais — estadiamento KDIGO e critérios de encaminhamento ao nefrologista

TFG reduzida ou albuminúria alterada em exame de rotina, paciente assintomático. Como estadiar e quando encaminhar ao nefrologista em vez de acompanhar na atenção primária?

Red flags — sinais de gravidade

  • Queda de TFG maior ou igual a 20-30% após início de terapia hemodinamicamente ativa (IECA/BRA, diurético) — reavaliar antes de simplesmente descontinuar
  • TFG abaixo de 30 (G4-G5) — encaminhamento não deve esperar
  • Albuminúria maciça (categoria A3, especialmente síndrome nefrótica) ou hematúria glomerular associada
  • Sinais de doença sistêmica associada (rash, artralgia, achados extrarrenais) sugerindo glomerulopatia
  • Perda rápida e progressiva de função renal (não a evolução lenta esperada da DRC estável)
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Confirmar cronicidade: alteração de TFG e/ou albuminúria persistente por mais de 3 meses (repetir exame antes de rotular DRC)
  • Classificar por CGA: causa provável, categoria de TFG (G1-G5) e categoria de albuminúria (A1-A3)
  • Rastrear fatores de risco e causas: diabetes, hipertensão, doença cardiovascular, uso de nefrotóxicos, história familiar, obstrução
  • Revisar medicações nefrotóxicas ou que exigem ajuste de dose (AINE, contraste, alguns antibióticos)
  • Avaliar velocidade de perda de TFG ao longo do tempo, não só o valor isolado

Conduta inicial

  1. 1Confirmar cronicidade antes de rotular — repetir creatinina/TFG e albuminúria em 3 meses se for achado novo
  2. 2Estadiar por CGA e estimar risco de progressão (a combinação de TFG e albuminúria orienta prognóstico, não só a TFG isolada)
  3. 3Tratar fatores modificáveis: controle pressórico e glicêmico, IECA/BRA quando indicado, revisão de nefrotóxicos
  4. 4Definir a periodicidade de monitorização conforme a categoria de risco (categorias mais avançadas = reavaliação mais frequente)
  5. 5Encaminhar ao nefrologista conforme critério de risco (não só TFG absoluta) — usar equação de risco de falência renal (KFRE) quando disponível

Exames

  • Creatinina sérica com TFG estimada (CKD-EPI)
  • Relação albumina/creatinina em amostra isolada de urina
  • Ultrassonografia de rins e vias urinárias se suspeita de causa obstrutiva ou estrutural
  • Sedimento urinário para afastar componente glomerular ativo

Prescrição-modelo

Plano em rascunho — confirmar estadiamento CGA, causa provável, velocidade de progressão, comorbidades e critério de encaminhamento antes de definir conduta.

Recomendações

  • Estadiamento CGA (causa/TFG/albuminúria): ___
  • Fatores de risco/nefrotóxicos revisados: ___
  • Critério de encaminhamento presente? ___
  • Periodicidade de reavaliação definida: ___

Exames

  • TFG e albuminúria de controle em: ___

Referências

  1. [1]KDIGO 2024 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease — Kidney International, 2024 (kdigo.org/wp-content/uploads/2024/03/KDIGO-2024-CKD-Guideline.pdf)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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