nefrologiaambulatoriohipercalemiapotassio altohipercalemia cronicaDRCIECABRAespironolactonaquelante de potassio
Hipercalemia crônica ambulatorial — manejo em paciente estável (não emergência)
Paciente com DRC ou uso de IECA/BRA/espironolactona chega com potássio elevado em exame de rotina, sem alteração de ECG nem sintomas. Como conduzir sem simplesmente suspender a medicação nefro/cardioprotetora?
Red flags — sinais de gravidade
Potássio muito elevado (acima de 6,5) ou alterações eletrocardiográficas — conduta de urgência/emergência, não ambulatorial
Elevação aguda e rápida em curto intervalo, mesmo com valor absoluto moderado
Insuficiência renal aguda sobreposta à DRC de base
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Confirmar que é hipercalemia real: afastar hemólise/coleta inadequada com nova amostra se resultado discrepante do quadro clínico
Checar ECG mesmo em paciente assintomático quando o valor for significativamente elevado, para afastar necessidade de conduta de urgência
Revisar todas as medicações associadas a hipercalemia: IECA/BRA, espironolactona/eplerenona, AINE, betabloqueador, trimetoprima
Avaliar função renal atual e tendência, e presença de acidose metabólica associada (sugere componente de acidose tubular renal)
Revisar dieta e adesão a quelantes, se já em uso
Conduta inicial
1Excluir pseudo-hiperpotassemia e confirmar com nova coleta se o achado for discordante do quadro clínico
2Abordagem escalonada: revisar e ajustar fármacos contribuintes, revisar dieta rica em potássio, corrigir acidose metabólica se presente
3Priorizar manter IECA/BRA quando há benefício cardiorrenal estabelecido — adicionar medida para controlar o potássio em vez de suspender de imediato, quando o quadro permitir
4Considerar quelante de potássio (patiromer ou ciclossilicato de zircônio sódico) para permitir manutenção de terapia nefro/cardioprotetora em hipercalemia persistente
5Reavaliar potássio e função renal em 2-4 semanas após qualquer início/ajuste de dose de IECA/BRA ou de medida de controle
Exames
Potássio sérico de controle (nova coleta se resultado discordante)
Função renal (ureia, creatinina, TFG estimada)
ECG se valor elevado, mesmo sem sintomas
Gasometria venosa se suspeita de acidose associada
Prescrição-modelo
Plano em rascunho — confirmar valor real (não hemolisado), ausência de alteração de ECG/sintomas, medicações em uso e função renal antes de ajustar terapia.
Dieta
Orientação de restrição de potássio dietético: ___
Medicamentos
Ajuste de fármaco contribuinte (dose/suspensão): ___
Quelante de potássio, se indicado: ___
Recomendações
Potássio confirmado sem hemólise: ___
ECG revisado: ___
IECA/BRA mantido ou ajustado: ___
Exames
Potássio e função renal de controle em: ___
Referências
[1]KDIGO 2024 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease — Kidney International, 2024 (kdigo.org/wp-content/uploads/2024/03/KDIGO-2024-CKD-Guideline.pdf)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.