cefaleia tensionalcefaleia tensional cronicador de cabeca em apertocefaleia bilateralamitriptilinacefaleia por uso excessivo de medicacaoestudarprescrever
Cefaleia tensional crônica — diagnóstico e manejo ambulatorial
O paciente tem dor de cabeça quase todos os dias há meses, em aperto, sem os sinais de alarme de cefaleia secundária — como confirmo cefaleia tensional crônica e trato no ambulatório?
Red flags — sinais de gravidade
Erro que mata: tratar como tensional crônica um paciente com mudança recente de padrão, início após os 50 anos ou outro red flag sem investigar (ver cm-016)
Manter analgésico simples/triptano de resgate em uso excessivo sem abordar a cefaleia por uso excessivo de medicação — profilaxia isolada não resolve
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Excluir red flags de cefaleia secundária antes de rotular como tensional (ver cm-016)
Confirmar critérios ICHD-3: ≥15 dias/mês por >3 meses + pelo menos 2 das 4 características (bilateral; em aperto/pressão, não pulsátil; intensidade leve-moderada; não piora com atividade física rotineira) + no máximo 1 entre fotofobia/fonofobia, sem náusea moderada/grave — não são os 4 critérios simultâneos, e o limite de sintomas associados é o que mais ajuda a diferenciar de enxaqueca crônica
Diferenciar de enxaqueca crônica — pode coexistir, e o tratamento é diferente (ver neuro-004)
Perguntar sobre uso de analgésico simples ≥15 dias/mês ou triptano/opioide ≥10 dias/mês — define cefaleia por uso excessivo de medicação associada
Rastrear fatores associados: estresse, distúrbio do sono, tensão cervical, ansiedade/depressão
Conduta inicial
1Confirmar diagnóstico pelos critérios ICHD-3 e excluir cefaleia secundária e enxaqueca crônica antes de tratar como tensional.
2Amitriptilina é o profilático de primeira linha, com melhor corpo de evidência entre os agentes disponíveis — iniciar em dose baixa à noite e titular gradualmente.
3Abordar cefaleia por uso excessivo de medicação se presente — geralmente precisa de retirada gradual do analgésico de resgate antes que a profilaxia funcione bem.
4Medidas não farmacológicas (higiene do sono, manejo do estresse, atividade física regular, fisioterapia cervical) têm papel relevante e devem ser reforçadas em paralelo à medicação.
5Reavaliar resposta em 8-12 semanas na dose-alvo antes de considerar falha terapêutica.
Exames
Nenhum exame de imagem de rotina se critérios de cefaleia primária estão presentes e exame neurológico é normal
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o residente adaptar e confirmar — dose e escolha do agente dependem de comorbidades e resposta individual. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Medicamentos
Amitriptilina 10-25 mg VO à noite, titulando conforme resposta e tolerância até 50-75 mg/dia ___
Analgésico simples (ex. paracetamol, dipirona) para crises agudas, limitado a <15 dias/mês ___
Recomendações
Diário de cefaleia para acompanhar frequência e uso de analgésico de resgate
Higiene do sono, manejo de estresse e atividade física regular
Fisioterapia cervical se tensão muscular associada
Retirada gradual de analgésico/triptano se uso excessivo confirmado
Referências
[1]The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition (ICHD-3), International Headache Society, 2018
[2]EFNS guideline on the treatment of tension-type headache, European Federation of Neurological Societies, European Journal of Neurology 2010;17(11):1318-1325
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.