Tontura e vertigem crônica de origem central — diferencial ambulatorial
O paciente relata tontura/instabilidade persistente há semanas ou meses, sem crise aguda no momento — como diferencio uma causa central que precisa de investigação de uma causa periférica benigna, no ambulatório?
Red flags — sinais de gravidade
Erro que mata: atribuir a uma causa periférica benigna uma tontura crônica com nistagmo vertical/direção variável, ataxia de marcha desproporcional à tontura relatada, ou outro sinal cerebelar/de tronco — esses achados pedem investigação central
Instabilidade progressiva associada a diplopia, disartria ou déficit focal — suspeitar de lesão de fossa posterior
Fatores de risco cardiovascular importantes com quadro atípico para causa periférica — considerar doença cerebrovascular de pequenos vasos
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Caracterizar o tipo de sintoma: vertigem rotatória verdadeira vs. desequilíbrio/instabilidade vs. pré-síncope — cada um aponta para uma investigação diferente
Perguntar sobre padrão temporal e gatilhos posicionais (TiTrATE: timing e triggers antes do tipo de tontura relatado) — ajuda a diferenciar de vertigem posicional paroxística benigna (ver ps-067) ou de Ménière (ver otorrinoamb-010)
Perguntar sobre fatores de risco cardiovascular — instabilidade crônica pode ser manifestação de doença cerebrovascular de pequenos vasos
Revisar medicações em uso (anticonvulsivantes, sedativos, anti-hipertensivos) como causa comum e reversível de instabilidade crônica
Conduta inicial
1Diferenciar vertigem rotatória verdadeira de desequilíbrio/instabilidade e de pré-síncope pela história, antes de qualquer exame complementar.
2Exame neurológico focado: nistagmo espontâneo/de posição, marcha em tandem, prova índex-nariz e calcanhar-joelho, pares cranianos — achados cerebelares ou de tronco mudam o fluxo para investigação central.
3Revisar e, quando possível, ajustar medicações associadas a instabilidade crônica (sedativos, anticonvulsivantes, polifarmácia anti-hipertensiva).
4Se sinais de alarme central ausentes e quadro compatível com causa vestibular periférica, encaminhar para o fluxo específico: crises breves (segundos) desencadeadas por posição sugerem VPPB (ver ps-067, Dix-Hallpike/Epley); crises de 20 min-12h com perda auditiva flutuante sugerem Ménière (ver otorrinoamb-010).
5Se sinais centrais presentes ou dúvida diagnóstica, solicitar RM de crânio com atenção a fossa posterior e encaminhar a neurologia.
Exames
RM de crânio com atenção a fossa posterior/tronco encefálico se suspeita de causa central
Avaliação vestibular otoneurológica (videonistagmografia) se dúvida entre causa central e periférica após avaliação inicial
Revisão de medicações em uso como possível causa reversível
Prescrição-modelo
Recomendações
Fisioterapia vestibular pode ajudar tanto em causas centrais compensadas quanto periféricas
Ajuste/redução de medicações sedativas ou polifarmácia associada à instabilidade
Exames
RM de crânio e avaliação otoneurológica conforme suspeita
Referências
[1]Dizziness: Evaluation and Management, American Academy of Family Physicians (AFP), 2023
[2]Central Vertigo, StatPearls, atualizado em 2024
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.