neuropatia perifericapolineuropatianeuropatia diabeticaformigamento em bota e luvaparestesia distalinvestigacao de neuropatiaeletroneuromiografiaestudar
O paciente chega com formigamento/dormência distal e simétrica nos pés — como conduzo a investigação inicial no ambulatório antes de pensar em eletroneuromiografia?
Red flags — sinais de gravidade
Erro que mata: não rastrear diabetes em neuropatia distal simétrica — é a causa mais comum e tratável em parte
Padrão atípico (assimétrico, predominantemente motor, início agudo/subagudo, progressão rápida) — não tratar como neuropatia metabólica comum sem encaminhar para eletroneuromiografia e neurologia
Sinais de comprometimento autonômico ou fraqueza motora ascendente rápida — pensar em polineuropatia inflamatória aguda (Guillain-Barré), emergência neurológica
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Caracterizar padrão: distal e simétrico (bota/luva) é o mais comum e sugere causa metabólica/tóxica; assimétrico, motor predominante ou de início agudo muda a investigação
Rastrear causa mais comum: diabetes/pré-diabetes — sempre investigar mesmo sem diagnóstico prévio
Rastrear causas reversíveis comuns: deficiência de B12, hipotireoidismo, uso de álcool, exposição a neurotóxicos, medicações (ex. quimioterápicos)
Exame físico: sensibilidade vibratória e monofilamento, reflexos aquileus, força distal
Definir se o quadro é 'típico' (distal, simétrico, sensitivo, lentamente progressivo) — nesse caso, eletroneuromiografia não é obrigatória de rotina para o rastreio inicial
Conduta inicial
1Confirmar padrão distal, simétrico e predominantemente sensitivo pela história e exame antes de assumir causa metabólica comum.
2Solicitar rastreio laboratorial inicial dirigido pela causa mais provável: glicemia de jejum/HbA1c, B12, função tireoidiana, função renal — a extensão do rastreio é guiada pela história, não um painel fixo para todos.
3Reforçar controle glicêmico, metabólico e lipídico como parte do tratamento em quem tem diabetes ou síndrome metabólica — reduz progressão da neuropatia.
4Reservar eletroneuromiografia para quadro atípico (assimétrico, motor predominante, início agudo, progressão rápida) ou quando a causa permanece incerta após avaliação inicial.
5Tratar dor neuropática quando presente, com escolha de agente conforme perfil de efeitos colaterais e comorbidades.
Exames
Glicemia de jejum e HbA1c (rastreio de diabetes/pré-diabetes)
Vitamina B12 (e ácido metilmalônico se limítrofe)
Eletroforese de proteínas séricas com imunofixação (SPEP) — um dos exames de maior rendimento diagnóstico junto com glicemia e B12
TSH
Função renal e hepática
Eletroneuromiografia reservada para quadro atípico ou dúvida diagnóstica após rastreio inicial
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o residente adaptar e confirmar — escolha do agente para dor neuropática depende de comorbidades, função renal e interações. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Medicamentos
Para dor neuropática, 4 opções de eficácia comparável (nível B, AAN 2022) — escolher conforme comorbidades e efeitos colaterais, não em ordem hierárquica fixa: gabapentina/pregabalina, duloxetina (IRSN), antidepressivo tricíclico (ex. amitriptilina, atenção a efeito anticolinérgico/cardíaco em idosos), ou bloqueador de canal de sódio ___
Recomendações
Controle glicêmico, metabólico e lipídico rigoroso em quem tem diabetes/síndrome metabólica
Cuidados com os pés (inspeção regular, calçados adequados) em neuropatia diabética
Exames
Rastreio laboratorial dirigido pela causa mais provável
Referências
[1]Peripheral Neuropathy: Evaluation and Differential Diagnosis, American Academy of Family Physicians (AFP), 2020
[2]Oral and topical treatment of painful diabetic polyneuropathy: practice guideline update summary, American Academy of Neurology, Neurology 2022;98(1):31-43
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.