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Esclerose múltipla — reconhecimento inicial e encaminhamento

Paciente jovem com déficit neurológico focal subagudo (visão, força, sensibilidade) que melhora parcialmente — quando penso em esclerose múltipla e como encaminho?

Red flags — sinais de gravidade

  • Erro que mata/incapacita: atrasar o encaminhamento por achar que o déficit foi 'só uma crise isolada' quando há história de outro episódio neurológico prévio não investigado — cada surto não tratado pode deixar sequela
  • Perda visual monocular aguda com dor à movimentação ocular sem investigação — pensar em neurite óptica e encaminhar com prioridade (neurologia/oftalmologia)
  • Não solicitar RM com contraste diante de déficit focal subagudo em adulto jovem sem outra explicação clara
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Padrão clássico de suspeita: adulto jovem (tipicamente 20-40 anos), déficit neurológico focal de instalação subaguda (dias), com recuperação parcial/completa em semanas
  • Perguntar ativamente sobre episódios neurológicos prévios distintos, mesmo que autolimitados e não investigados na época (ex. 'visão embaçada' isolada meses antes)
  • Apresentações clássicas: neurite óptica (dor ocular à movimentação + perda visual), mielite transversa parcial, síndrome de tronco encefálico/cerebelar
  • Não é diagnóstico de exclusão simples — precisa de evidência objetiva de disseminação no espaço e no tempo, formalizada pelos critérios de McDonald
  • Explicar ao paciente que suspeita não é diagnóstico fechado — isso depende de RM e avaliação especializada

Conduta inicial

  1. 1Diante de déficit neurológico focal subagudo em adulto jovem, sem explicação estrutural/vascular óbvia, investigar ativamente episódios neurológicos prévios não valorizados.
  2. 2Solicitar RM de crânio e medula com contraste — é o exame-chave para documentar lesões desmielinizantes e sua distribuição.
  3. 3Encaminhar a neurologia (idealmente com experiência em doenças desmielinizantes) para aplicação dos critérios de McDonald e definição diagnóstica — o diagnóstico formal não deve ser fechado no primeiro atendimento.
  4. 4Punção lombar (bandas oligoclonais/índice de IgG) pode ser necessária para completar critérios diagnósticos, conforme achado de imagem.
  5. 5Não iniciar tratamento modificador de doença fora de serviço especializado — a escolha da terapia depende de confirmação diagnóstica e classificação do curso da doença.

Exames

  • RM de crânio e medula com contraste (gadolínio)
  • Punção lombar com bandas oligoclonais/índice de IgG conforme necessidade de completar critérios diagnósticos
  • Potencial evocado visual, se disponível, em caso de suspeita de neurite óptica prévia não documentada

Prescrição-modelo

Recomendações

  • Encaminhamento a neurologia especializada em doenças desmielinizantes para confirmação diagnóstica
  • Tratamento de surto agudo (ex. corticoide em pulso) é decisão especializada, não deste fluxo de reconhecimento inicial

Exames

  • RM de crânio e medula com contraste, punção lombar conforme indicação

Referências

  1. [1]Diagnosis of multiple sclerosis: 2024 revisions of the McDonald criteria, The Lancet Neurology, 2025

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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