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Cárie dentária — atividade da lesão e remoção seletiva de tecido cariado

Como decidir se a lesão de cárie precisa de restauração, e quanto de tecido cariado tirar sem expor a polpa à toa?

Red flags — sinais de gravidade

  • Dor espontânea, noturna ou que persiste após retirar o estímulo: já não é decisão de dentística, é diagnóstico pulpar
  • Fístula, mobilidade, edema ou dor à percussão vertical — lesão periapical, não cárie simples
  • Erro comum: escavar até dentina dura em lesão profunda de dente vital assintomático e expor a polpa que não precisava ser exposta
  • Cárie de progressão rápida e múltipla em adulto — investigar hipossalivação, medicação xerostômica, dieta e radioterapia prévia antes de só restaurar
  • Restauração recorrente no mesmo elemento sem revisão de causa: o problema está no controle da doença, não no material
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Cárie é doença, lesão é o sinal — controlar o biofilme e a exposição a açúcar muda o desfecho mais do que a resina
  • Registrar atividade (superfície rugosa/opaca, biofilme retido, sangramento gengival adjacente) e não só a extensão: lesão inativa não precisa de broca
  • Lesão sem cavitação em esmalte é para tratamento não restaurador (flúor, selante, higiene) — restaurar aqui só acelera o ciclo restaurador
  • Em lesão profunda em dente com polpa vital e sem sintoma de pulpite irreversível, a remoção seletiva preserva dentina próxima à polpa e reduz exposição pulpar
  • Comparar radiografias no tempo é o que separa lesão progredindo de lesão parada — laudo isolado não responde atividade

Conduta inicial

  1. 1Fazer o exame com dentes limpos, secos e boa iluminação — biofilme e umidade escondem lesão inicial.
  2. 2Classificar cada lesão por extensão (higidez, mancha branca, cavitação em esmalte, cavidade em dentina) e por atividade.
  3. 3Lesão não cavitada e ativa: tratamento não restaurador — verniz de fluoreto de sódio 5%, selante quando aplicável, instrução de higiene e revisão de dieta.
  4. 4Lesão cavitada em dentina com polpa vital e sem sintoma de irreversibilidade: remoção seletiva do tecido cariado, com dentina firme na periferia e dentina amolecida preservada próxima à polpa, e selamento imediato com restauração adesiva bem adaptada.
  5. 5Registrar risco individual (histórico de lesões, fluxo salivar, frequência de açúcar, higiene, exposição a flúor) — é ele que define o intervalo de retorno.
  6. 6Reavaliar clinicamente e por radiografia interproximal em intervalo definido pelo risco, comparando com o exame anterior.

Exames

  • Radiografias interproximais (bitewing) para lesões proximais e para comparar progressão ao longo do tempo
  • Radiografia periapical quando há suspeita de comprometimento pulpar ou periapical
  • Testes de sensibilidade pulpar (frio) e percussão nos elementos com lesão profunda
  • Avaliação de fluxo salivar quando há cárie múltipla e rápida no adulto

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — concentração, frequência e indicação dependem da idade, do risco e da exposição total a flúor. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Dieta

  • Reduzir frequência (não só quantidade) de açúcar entre refeições ___

Medicamentos

  • Dentifrício fluoretado com no mínimo 1.000 ppm de flúor, 2x/dia, quantidade conforme a idade ___
  • Verniz de fluoreto de sódio 5% aplicado no consultório, intervalo conforme o risco ___
  • Dentifrício de alta concentração de flúor, se indicado para alto risco em paciente adulto ___

Recomendações

  • Escovação supervisionada e uso de fio dental nas faces proximais com lesão ___
  • Não enxaguar com água logo após a escovação, para manter o flúor em contato ___
  • Retorno para reavaliação de atividade em ___ meses, conforme o risco

Exames

  • Radiografias interproximais de controle em ___ meses

Referências

  1. [1]Evidence-based clinical practice guideline on nonrestorative treatments for carious lesions, American Dental Association (Slayton et al., JADA 2018;149(10):837-849)
  2. [2]Consensus-Based Recommendations on Pulp Therapies in Primary and Permanent Teeth: IAPD Porto Forum (International Journal of Paediatric Dentistry, 2026)
  3. [3]Guia de recomendações para o uso de fluoretos no Brasil, Ministério da Saúde
  4. [4]Cadernos de Atenção Básica n. 17 — Saúde Bucal, Ministério da Saúde, 2008

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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