hipersensibilidade dentinariasensibilidade nos dentesdente sensiveldor ao friorecessao gengivaldentina expostanitrato de potassioodontologiaestudar
Hipersensibilidade dentinária — diagnóstico por exclusão e escalonamento do tratamento
Paciente com dor curta e aguda ao frio, ao doce ou ao toque: é hipersensibilidade dentinária ou tem outra causa escondida?
Red flags — sinais de gravidade
Dor prolongada após o estímulo, espontânea ou noturna — investigar pulpite irreversível antes de rotular como sensibilidade
Dor localizada à mordida em um ponto específico, com dor à liberação: suspeitar de trinca/síndrome do dente rachado
Sensibilidade que piora rápido e progressivamente em vários dentes — pensar em erosão ativa (refluxo, bulimia, bebida ácida) e não só em escovação
Erro comum: prescrever dessensibilizante e não investigar o dente com fratura ou cárie subgengival — a dor volta e o diagnóstico atrasa
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Hipersensibilidade dentinária é diagnóstico de exclusão — a dor curta que some com o estímulo só é ela depois de afastar cárie, fratura, restauração infiltrada, clareamento recente e pulpite
Procurar a causa da exposição de dentina: recessão gengival, desgaste erosivo, abfração, escovação traumática, tratamento periodontal recente
Dor que persiste depois do estímulo, é espontânea ou acorda o paciente não é hipersensibilidade — é pulpite até prova em contrário
Tratar a causa (dieta ácida, técnica de escovação, bruxismo, refluxo) junto do sintoma, senão o dessensibilizante só compra tempo
Conduta inicial
1Reproduzir a dor de forma controlada (jato de ar dirigido, sonda) elemento a elemento e comparar com o contralateral.
2Afastar as outras causas de dor curta: inspeção e radiografia para cárie, trinca, restauração deficiente, e teste de mordida quando houver suspeita de fratura.
3Identificar e remover o fator etiológico: revisar técnica e força de escovação, escova macia, dieta ácida, hábitos parafuncionais e refluxo.
4Primeira linha em uso domiciliar: dentifrício dessensibilizante (nitrato de potássio, arginina ou fluoreto estanoso), uso contínuo por semanas antes de julgar falha.
5Persistindo: dessensibilizantes de consultório (vernizes, agentes oclusores de túbulo, adesivos), reavaliando em intervalos.
6Refratário e com dentina exposta extensa: considerar restauração da lesão cervical ou recobrimento radicular conforme indicação.
Exames
Radiografia periapical ou interproximal do elemento sintomático (afastar cárie e lesão periapical)
Teste de sensibilidade pulpar ao frio, comparando com dente controle
Teste de mordida (cunha/instrumento próprio) quando há suspeita de trinca
Registro de índice de desgaste erosivo quando o padrão sugere erosão
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Dieta
Reduzir bebidas e alimentos ácidos; não escovar logo após episódio ácido ___
Medicamentos
Dentifrício dessensibilizante (nitrato de potássio, arginina ou fluoreto estanoso), 2x/dia, uso contínuo ___
Verniz fluoretado ou agente dessensibilizante de consultório, intervalo a definir ___
Recomendações
Escova macia, técnica sem pressão excessiva ___
Aplicar o dentifrício dessensibilizante com o dedo sobre a área sensível e não enxaguar em seguida ___
Reavaliação em ___ semanas antes de considerar falha do tratamento
Referências
[1]Consensus-based recommendations for the diagnosis and management of dentin hypersensitivity, Canadian Advisory Board on Dentin Hypersensitivity (Journal of the Canadian Dental Association, 2003;69(4):221-226)
[2]The Decision Tree for Clinical Management of Dentin Hypersensitivity — A Consensus Report (PMC11641220)
[3]Basic Erosive Wear Examination (BEWE): a new scoring system for scientific and clinical needs, Bartlett, Ganss e Lussi, Clinical Oral Investigations 2008
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.