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Diagnóstico pulpar e periapical — os dois diagnósticos que todo dente sintomático precisa

Como fechar o diagnóstico endodôntico de um dente sintomático sem depender só da queixa do paciente?

Red flags — sinais de gravidade

  • Edema difuso de face, trismo, disfagia ou febre — saiu do dente, é infecção em espaço fascial e emergência
  • Dor referida engana: dor de origem em molar inferior pode ser sentida no superior e vice-versa — não tratar dente sem confirmar a origem
  • Erro que custa dente: iniciar tratamento endodôntico pelo achado radiográfico isolado, sem diagnóstico pulpar clínico
  • Dente com resposta negativa ao teste térmico mas com trauma recente pode estar em choque pulpar transitório — reavaliar antes de intervir irreversivelmente
  • Dor intensa e persistente sem achado dentário: considerar origem não odontogênica (neuralgia, sinusite, dor miofascial, cardíaca em dor mandibular)
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Todo dente sintomático recebe DOIS diagnósticos: um pulpar e um periapical — só um dos dois deixa a conduta indefinida
  • Pulpar: polpa normal, pulpite reversível, pulpite irreversível sintomática ou assintomática, necrose pulpar, previamente tratado, terapia previamente iniciada
  • Periapical: tecidos apicais normais, periodontite apical sintomática ou assintomática, abscesso apical agudo ou crônico, osteíte condensante
  • Teste de sensibilidade responde vitalidade pulpar; percussão e palpação respondem o periápice — são perguntas diferentes
  • Sempre testar dente controle (contralateral e adjacente) — resposta sem comparação não diz nada
  • Fístula presente indica drenagem crônica: rastrear com cone de guta-percha e radiografia para achar o dente de origem

Conduta inicial

  1. 1Anamnese da dor: início, provocada ou espontânea, duração após o estímulo, localização, o que alivia, dor noturna.
  2. 2Exame clínico: inspeção, sondagem periodontal, mobilidade, presença de fístula, restaurações e trincas.
  3. 3Testes de sensibilidade pulpar (frio; complementar com teste elétrico quando indicado) no dente suspeito e nos controles.
  4. 4Testes periapicais: percussão vertical e horizontal, palpação de fundo de sulco, teste de mordida quando há suspeita de trinca.
  5. 5Radiografia periapical, com incidências adicionais quando necessário; tomografia de feixe cônico apenas em casos selecionados.
  6. 6Registrar os dois diagnósticos por escrito antes de indicar o tratamento — e reavaliar se o quadro não se comportar como o esperado.

Exames

  • Teste de sensibilidade ao frio no dente suspeito e em pelo menos dois controles
  • Percussão e palpação apical comparativas
  • Radiografia periapical (mais de uma angulação quando a anatomia se sobrepõe)
  • Rastreamento de fístula com cone de guta-percha e radiografia
  • Tomografia de feixe cônico em casos selecionados (reabsorção, fratura radicular, anatomia complexa, dor persistente sem causa)

Referências

  1. [1]AAE Consensus Conference Recommended Diagnostic Terminology, American Association of Endodontists
  2. [2]Endodontic Diagnosis, AAE Clinical Newsletter, American Association of Endodontists
  3. [3]Consensus-Based Recommendations on Pulp Therapies in Primary and Permanent Teeth: IAPD Porto Forum (International Journal of Paediatric Dentistry, 2026)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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