Gengivite induzida por biofilme — o único estágio ainda totalmente reversível
Gengiva sangrando na escovação: como confirmar que é gengivite e não periodontite, e o que de fato reverte o quadro?
Red flags — sinais de gravidade
Perda de inserção, recessão com bolsa ou mobilidade: já não é gengivite, é periodontite e o plano muda
Sangramento gengival espontâneo, desproporcional ao biofilme, com equimose ou petéquia — investigar discrasia sanguínea, leucemia e uso de anticoagulante
Aumento gengival importante em usuário de fenitoína, ciclosporina ou bloqueador de canal de cálcio — componente medicamentoso, discutir com o médico assistente
Gengivite que não responde ao controle de biofilme bem executado: revisar diagnóstico (necrosante, manifestação de doença sistêmica, lesão descamativa)
Erro comum: mandar o paciente 'escovar melhor' sem sondar e sem radiografia, e perder a periodontite que já estava instalada
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Gengivite é inflamação sem perda de inserção — a diferença para periodontite é perda de inserção clínica, não a quantidade de sangramento
Só a sondagem periodontal completa (seis sítios por dente) separa os dois; olhar a gengiva não separa
Saúde gengival em periodonto reduzido (paciente tratado) existe e não é periodontite recidivada — comparar com o registro anterior antes de rotular
Sangramento à sondagem em menos de 10% dos sítios sem bolsa é compatível com saúde; 10% ou mais indica gengivite localizada ou generalizada
Controle do biofilme pelo paciente é o tratamento — profilaxia no consultório sem mudança em casa devolve o quadro em semanas
Conduta inicial
1Fazer periograma completo: profundidade de sondagem, sangramento à sondagem, recessão, nível de inserção clínica e mobilidade em todos os dentes.
2Radiografias para conferir o nível ósseo quando há qualquer dúvida de perda de inserção.
3Registrar índice de sangramento e de biofilme no baseline — é o comparador que mostra resposta.
4Instrução de higiene individualizada, com demonstração e escolha de dispositivo interdental adequado ao espaço.
5Remoção supragengival de biofilme e cálculo, com correção de fatores retentivos (restauração desadaptada, margem invasiva, cárie cervical).
6Controlar fatores de risco: tabagismo, controle glicêmico, medicamentos associados a aumento gengival.
7Reavaliar em 4 a 8 semanas com o mesmo índice registrado; sem resposta, reconsiderar diagnóstico.
Exames
Periograma completo com sondagem de seis sítios por dente
Índice de sangramento à sondagem e índice de biofilme, com data
Radiografias periapicais/interproximais para avaliação de crista óssea quando indicado
Glicemia/hemoglobina glicada quando há suspeita de diabetes não controlado
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — antisséptico é adjuvante e tem tempo de uso limitado, não substitui o controle mecânico. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Medicamentos
Dentifrício fluoretado, 2x/dia ___
Colutório de clorexidina 0,12%, uso adjuvante por período limitado quando indicado ___
Recomendações
Escovação 2x/dia com técnica demonstrada e higiene interdental diária (fio ou escova interdental conforme o espaço) ___
Cessação do tabagismo ___
Reavaliação com novo índice de sangramento em ___ semanas
Referências
[1]A new classification scheme for periodontal and peri-implant diseases and conditions — Introduction and key changes from the 1999 classification (Caton et al., Journal of Periodontology 2018;89 Suppl 1:S1-S8)
[2]Treatment of stage I–III periodontitis — The EFP S3 level clinical practice guideline (Sanz et al., Journal of Clinical Periodontology 2020;47 Suppl 22:4-60)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.