Tratamento da periodontite estágio I–III — a terapia por passos da EFP
Qual a sequência de tratamento da periodontite e quando reavaliar antes de partir para cirurgia?
Red flags — sinais de gravidade
Prescrever antibiótico sistêmico como rotina na periodontite — não é recomendação da diretriz e expõe o paciente sem ganho proporcional
Partir para cirurgia sem reavaliação do passo 2: parte dos sítios ainda responde à reinstrumentação
Paciente sem controle de biofilme mantido: qualquer etapa cirúrgica tende a falhar e recidivar
Abandono da manutenção — é a causa mais frequente de perda do resultado obtido
Tabagismo e diabetes descompensado não abordados: o tratamento periodontal responde menos e recidiva mais
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
A terapia é por passos e não se pula etapa: cada passo é reavaliado antes do seguinte
Passo 1 — controle de biofilme pelo paciente, remoção supragengival, controle de fatores de risco (tabagismo, glicemia) e motivação
Passo 2 — instrumentação subgengival; adjuvantes (antisséptico, antimicrobiano local, antibiótico sistêmico) não são rotina e o antibiótico sistêmico é reservado a casos selecionados
Passo 3 — reintervenção nos sítios que não responderam, incluindo abordagens cirúrgicas (acesso, ressectiva, regenerativa) conforme o defeito
Passo 4 — manutenção periodontal com intervalo individualizado; é ela que sustenta o resultado a longo prazo
Meta de fim de terapia ativa: ausência de bolsas profundas com sangramento e sangramento à sondagem controlado — não é 'gengiva bonita'
Conduta inicial
1Fechar diagnóstico com estágio, grau, extensão e status antes de iniciar.
2Passo 1: instrução e motivação de higiene individualizada, remoção supragengival, correção de fatores retentivos, cessação de tabagismo e encaminhamento para controle glicêmico.
3Passo 2: instrumentação subgengival dos sítios com bolsa, por quadrante ou em sessões conforme protocolo do serviço.
4Reavaliar 4 a 12 semanas depois com novo periograma completo — comparar com o baseline registrado.
5Passo 3 nos sítios residuais: reinstrumentação e, conforme o defeito e o acesso, terapia cirúrgica (acesso, ressectiva ou regenerativa).
6Passo 4: definir intervalo de manutenção individualizado pelo risco (3 a 12 meses) e manter o registro de índices ao longo do tempo.
Exames
Periograma completo no baseline e em cada reavaliação, com a mesma metodologia
Radiografias para avaliação de defeitos ósseos e planejamento cirúrgico
Hemoglobina glicada em diabético, com meta discutida junto ao médico assistente
Registro de carga tabágica e de tentativas de cessação
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — antibiótico sistêmico não é rotina no tratamento da periodontite. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Medicamentos
Dentifrício fluoretado, 2x/dia ___
Colutório de clorexidina 0,12% como adjuvante por período limitado, quando indicado ___
Antimicrobiano local em sítio residual selecionado, quando indicado ___
Antibiótico sistêmico apenas em caso selecionado e com justificativa registrada ___
Recomendações
Higiene interdental diária com o dispositivo adequado ao espaço ___
Cessação do tabagismo — encaminhamento a programa de apoio ___
Reavaliação periodontal completa em ___ semanas; manutenção a cada ___ meses
Exames
Novo periograma em ___ semanas
Referências
[1]Treatment of stage I–III periodontitis — The EFP S3 level clinical practice guideline (Sanz et al., Journal of Clinical Periodontology 2020;47 Suppl 22:4-60)
[2]Staging and grading of periodontitis: Framework and proposal of a new classification and case definition (Tonetti, Greenwell e Kornman, Journal of Periodontology 2018)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.