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Gengivite e periodontite necrosantes — a tríade que pede investigação sistêmica

Gengiva com papila necrosada, dor intensa e hálito fétido: como tratar a fase aguda e o que essa apresentação obriga a investigar?

Red flags — sinais de gravidade

  • Progressão para osso exposto, sequestro ósseo ou extensão para mucosa e pele (noma): emergência, encaminhamento imediato
  • Criança desnutrida com lesão necrosante — risco alto de progressão rápida, avaliação médica urgente
  • Diagnóstico de necrosante em adulto sem fator de risco aparente: investigar imunossupressão não diagnosticada, inclusive HIV
  • Quadro grave ou sem resposta ao desbridamento e à clorexidina na reavaliação diária — é o momento de considerar o antimicrobiano sistêmico adjuvante
  • Erro comum: fazer raspagem completa e agressiva na fase aguda, com dor mal controlada e sem melhora
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • A tríade é dor intensa de início rápido, necrose de papila interdental com aspecto em cratera e sangramento — com pseudomembrana e halitose acentuada
  • Dor desproporcional é característica e ajuda a diferenciar de gengivite comum
  • Toda apresentação necrosante pede pergunta sobre estado imunológico: HIV, desnutrição, imunossupressão, quimioterapia, estresse extremo, tabagismo pesado
  • Fase aguda: desbridamento superficial, higiene mecânica cuidadosa, bochecho de clorexidina e reavaliação diária; o tratamento definitivo vem depois que o quadro agudo está controlado
  • Antimicrobiano sistêmico é adjuvante, não regra: entra nos casos graves ou que não respondem à fase inicial, com metronidazol como primeira opção (Herrera 2014)
  • Depois da fase aguda, tratar a doença periodontal residual: o defeito de papila costuma persistir e exige plano

Conduta inicial

  1. 1Confirmar o quadro pela tríade e registrar a extensão das áreas necrosadas.
  2. 2Anamnese dirigida a fatores predisponentes: imunossupressão, HIV, desnutrição, tabagismo, estresse, higiene, quimioterapia.
  3. 3Fase aguda: desbridamento superficial delicado sob anestesia tópica/local, remoção de pseudomembrana e do biofilme acessível.
  4. 4Controle químico do biofilme com antisséptico e orientação de higiene compatível com a dor.
  5. 5Analgesia adequada — a dor é parte do que impede o autocuidado.
  6. 6Antimicrobiano sistêmico como adjuvante nos casos graves ou sem resposta, com metronidazol como primeira opção.
  7. 7Reavaliar diariamente na fase aguda; com o quadro agudo controlado, fazer o tratamento definitivo da gengivite ou periodontite preexistente e planejar a correção do defeito residual.
  8. 8Encaminhar para avaliação médica quando houver suspeita de condição sistêmica subjacente.

Exames

  • Registro fotográfico e periograma na reavaliação (na fase aguda a sondagem completa costuma ser inviável)
  • Radiografias para avaliar perda óssea nas formas com envolvimento periodontal
  • Avaliação médica com sorologias, hemograma e investigação de imunossupressão quando indicado

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — o antimicrobiano sistêmico é adjuvante, reservado ao caso grave ou sem resposta. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Dieta

  • Dieta macia e hidratação; evitar alimentos irritantes enquanto houver ulceração ___

Medicamentos

  • Analgesia adequada à intensidade da dor, esquema a definir ___
  • Colutório de clorexidina 0,12%, 2x/dia enquanto a higiene mecânica estiver limitada ___
  • Antimicrobiano sistêmico adjuvante se quadro grave ou sem resposta — metronidazol como primeira opção; dose e duração a definir ___

Recomendações

  • Suspender tabagismo — fator de risco direto ___
  • Retorno diário na fase aguda para reavaliação e continuidade do desbridamento ___
  • Encaminhamento médico para investigação de condição sistêmica ___

Referências

  1. [1]Acute periodontal lesions (periodontal abscesses and necrotizing periodontal diseases) and endo-periodontal lesions (Herrera et al., Journal of Periodontology 2018;89 Suppl 1:S85-S102, PMID 29926942)
  2. [2]Acute periodontal lesions (Herrera et al., Periodontology 2000 2014;65(1):149-177, PMID 24738591)
  3. [3]Treatment of stage I–III periodontitis — The EFP S3 level clinical practice guideline (Sanz et al., Journal of Clinical Periodontology 2020)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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