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Mucosite peri-implantar e peri-implantite — sangramento no implante não é normal

Implante com sangramento à sondagem e perda óssea na radiografia: qual é o diagnóstico e o que ainda dá para reverter?

Red flags — sinais de gravidade

  • Supuração ao redor do implante: sinal de peri-implantite ativa, não postergar
  • Mobilidade do implante — perda de osseointegração, o implante não se recupera
  • Excesso de cimento subgengival não detectado: causa frequente e reversível se removida cedo
  • Perda óssea progressiva documentada entre radiografias com intervalo definido: doença ativa, mudar de estratégia
  • Erro comum: tratar implante como dente e usar instrumentos e protocolos sem adaptação à superfície do implante
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Mucosite peri-implantar é inflamação sem perda óssea progressiva e é reversível; peri-implantite tem perda óssea além da remodelação inicial e não volta ao estado anterior
  • Sondar implante faz parte do controle: sem sondagem e sem radiografia de referência não há como dizer se houve progressão
  • Radiografia de baseline após a instalação da prótese é o comparador — sem ela, a leitura de perda óssea vira estimativa
  • Prevenção começa no planejamento: posição do implante, desenho da prótese que permita higiene e ausência de excesso de cimento
  • Evidência forte de risco para peri-implantite: histórico de periodontite, controle de placa ruim e falta de manutenção regular após o implante; para tabagismo e diabetes o dado é inconclusivo (Schwarz 2018)

Conduta inicial

  1. 1Fazer sondagem peri-implantar e registrar sangramento, supuração e profundidade em todos os sítios.
  2. 2Comparar a radiografia atual com a de referência pós-prótese; sem referência, criar uma agora e reavaliar em intervalo definido.
  3. 3Mucosite: descontaminação supra e submucosa mecânica com instrumentos adequados, controle de biofilme pelo paciente e correção de fatores retentivos (excesso de cimento, prótese sem acesso à higiene). Antisséptico de uso pelo paciente pode entrar como adjuvante; antibiótico local como adjuvante tem só ensaios pequenos — num ECR com 31 pacientes, gel de piperacilina + tazobactam junto da remoção mecânica reduziu mais o sangramento à sondagem aos 6 meses, sem que nenhum grupo resolvesse a mucosite por completo; evidência limitada, decisão caso a caso.
  4. 4Peri-implantite: tratamento não cirúrgico inicial com descontaminação e reavaliação; casos com defeito e persistência de sinais podem exigir abordagem cirúrgica (acesso, ressectiva ou reconstrutiva).
  5. 5Atuar nos fatores com evidência forte: doença periodontal nos dentes remanescentes, controle de placa e adesão à manutenção. Tabagismo e diabetes têm dado inconclusivo como fator de risco de peri-implantite, mas seguem no cuidado geral do paciente.
  6. 6Definir programa de manutenção peri-implantar com intervalo individualizado e registrar índices a cada retorno.

Exames

  • Sondagem peri-implantar com registro de sangramento e supuração
  • Radiografia periapical padronizada, comparada com a de referência pós-instalação da prótese
  • Avaliação da prótese quanto a acesso à higiene, excesso de cimento e adaptação
  • Periograma dos dentes remanescentes (periodontite ativa é fator de risco)

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — antisséptico é adjuvante ao desbridamento mecânico, não substituto. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Medicamentos

  • Colutório de clorexidina 0,12% como adjuvante por período limitado ___

Recomendações

  • Dispositivo de higiene interdental adequado ao desenho da prótese ___
  • Cessação do tabagismo como cuidado geral de saúde ___
  • Manutenção peri-implantar a cada ___ meses com sondagem e radiografia comparativa

Exames

  • Radiografia periapical de controle em ___ meses

Referências

  1. [1]A Single Dose of Piperacillin Plus Tazobactam Gel as an Adjunct to Professional Mechanical Plaque Removal (PMPR) in Patients with Peri-Implant Mucositis: A 6-Month Double-Blind Randomized Clinical Trial (Antibiotics 2024; PMID 38534704; PMC10967304)
  2. [2]Prevention and treatment of peri-implant diseases — The EFP S3 level clinical practice guideline (Herrera et al., Journal of Clinical Periodontology 2023;50 Suppl 26:4-76, PMID 37271498)
  3. [3]Efficacy of adjunctive measures in peri-implant mucositis. A systematic review and meta-analysis (Gennai et al., Journal of Clinical Periodontology 2023;50 Suppl 26:161-187, PMID 36792063)
  4. [4]Efficacy of professionally administered chemical agents as an adjunctive treatment to sub-marginal instrumentation during the therapy of peri-implant mucositis (Dommisch et al., Journal of Clinical Periodontology 2023;50 Suppl 26:146-160, PMID 36375839)
  5. [5]Peri-implantitis (Schwarz et al., Journal of Periodontology 2018;89 Suppl 1:S267-S290, PMID 29926957)
  6. [6]Peri-implant diseases and conditions: Consensus report of workgroup 4 of the 2017 World Workshop on the Classification of Periodontal and Peri-Implant Diseases and Conditions (Berglundh et al., Journal of Periodontology 2018)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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