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Alveolite (osteíte alveolar) — a dor que aparece no 3º dia depois da extração

Paciente volta com dor forte 2 a 4 dias após a extração: é alveolite ou infecção? E o que realmente alivia?

Red flags — sinais de gravidade

  • Febre, edema progressivo, trismo ou secreção purulenta — não é alveolite simples, é infecção e a conduta muda
  • Dor que não melhora nada após o tratamento local bem executado: reavaliar para osteomielite, fragmento radicular residual, corpo estranho ou osteonecrose
  • Paciente em uso de antirreabsortivo ou com radioterapia prévia de cabeça e pescoço e alvéolo que não cicatriza — pensar em osteonecrose, não em alveolite
  • Uso de clorexidina intra-alveolar: há relato de reação de hipersensibilidade grave, atenção ao histórico e à via de aplicação
  • Erro comum: prescrever antibiótico e opioide e não irrigar o alvéolo — trata o sintoma pelo caminho mais caro e menos eficaz
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Padrão típico: dor intensa que começa ou piora do 2º ao 4º dia pós-extração, alvéolo com coágulo ausente ou desintegrado, osso exposto e halitose — sem febre e sem edema significativo
  • Alveolite não é infecção purulenta: antibiótico não é o tratamento e não alivia a dor
  • Tratamento é local — irrigação do alvéolo, remoção de debris e curativo obtundente, com reavaliação e troca programadas
  • Fatores de risco reconhecidos: tabagismo, higiene oral ruim, extração traumática, terceiro molar inferior, contraceptivo oral
  • Curativo intra-alveolar precisa ser removido depois: deixado indefinidamente, vira corpo estranho e atrasa a cicatrização

Conduta inicial

  1. 1Confirmar o quadro: tempo desde a extração, característica da dor, inspeção do alvéolo com coágulo ausente/desintegrado e osso exposto.
  2. 2Afastar infecção: procurar febre, edema, trismo, secreção purulenta e linfadenopatia.
  3. 3Anestesia local quando necessário e irrigação abundante do alvéolo com solução fisiológica, removendo debris e tecido necrótico.
  4. 4Curativo intra-alveolar obtundente conforme protocolo do serviço, com data de troca/remoção definida.
  5. 5Analgesia sistêmica com AINE isolado ou associado a paracetamol.
  6. 6Reavaliar em 24–72h; trocar curativo até a dor ceder e remover o curativo ao final.
  7. 7Reforçar cessação do tabagismo e higiene local — reduzem recorrência.

Exames

  • Radiografia periapical do alvéolo quando há suspeita de fragmento radicular, corpo estranho ou osteomielite
  • Reavaliação clínica seriada com registro da evolução da dor

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — antibiótico não é o tratamento da alveolite. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Dieta

  • Dieta macia e fria enquanto houver dor ___

Medicamentos

  • AINE isolado ou AINE + paracetamol para analgesia, dose e intervalo a definir ___
  • Curativo intra-alveolar obtundente, com data de troca/remoção programada ___
  • Antibiótico NÃO indicado na alveolite não infectada — reavaliar se surgirem febre, edema ou secreção purulenta ___

Recomendações

  • Retorno em 24–72h para troca de curativo ___
  • Cessação do tabagismo — fator de risco direto ___
  • Irrigação local suave conforme demonstrado; não cuspir com força ___
  • Retorno imediato se febre, edema progressivo ou trismo

Referências

  1. [1]Alveolar Osteitis, StatPearls, NCBI Bookshelf (NBK582137)
  2. [2]Aetiology, Prevention and Management of Alveolar Osteitis — A Scoping Review (PubMed 34625985)
  3. [3]Evidence-based clinical practice guideline for the pharmacologic management of acute dental pain in adolescents, adults, and older adults, American Dental Association (JADA 2024;155(2))

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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