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Hemorragia pós-exodontia — escalonamento local antes de qualquer coisa sistêmica

Alvéolo sangrando horas depois da extração: qual a ordem das medidas locais e quando isso deixa de ser problema odontológico?

Red flags — sinais de gravidade

  • Sinais de perda volêmica significativa (palidez, taquicardia, hipotensão, tontura) — emergência médica
  • Hematoma em assoalho bucal ou região cervical com elevação da língua — risco de via aérea, encaminhamento imediato
  • Sangramento em paciente com hepatopatia, plaquetopenia ou coagulopatia conhecida — envolver o médico assistente cedo
  • Erro comum: mandar o paciente para casa 'mordendo gaze' sem inspecionar a origem e sem ter conferido a hemostasia no consultório
  • Suspender anticoagulante por conta própria: risco trombótico costuma superar o benefício, e a decisão não é isolada do dentista
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • A maior parte do sangramento pós-exodontia é local e resolve com medida local bem feita — o erro é pular direto para conduta sistêmica
  • Ordem prática: remover coágulo friável e restos, inspecionar a origem (mucosa, osso, alvéolo), anestesiar com vasoconstritor se necessário, comprimir com gaze de forma contínua, sem levantar para conferir a todo momento — a duração fica com o profissional
  • Persistindo: hemostático local no alvéolo (esponja de colágeno/celulose oxidada), sutura de aproximação e compressão sobre a sutura
  • Ácido tranexâmico tópico (bochecho/gaze embebida) é adjuvante útil, especialmente no paciente anticoagulado
  • Perguntar por anticoagulante, antiagregante, hepatopatia, uso de fitoterápico e história pessoal/familiar de sangramento
  • Sangramento desproporcional e recorrente pede investigação de coagulopatia, não mais tentativas locais em série

Conduta inicial

  1. 1Estabilizar e avaliar sinais de perda volêmica; aferir pressão arterial e pulso se houver qualquer sinal sistêmico.
  2. 2Remover coágulos friáveis, irrigar e inspecionar o alvéolo para identificar a origem do sangramento.
  3. 3Anestesia local com vasoconstritor quando necessário para permitir o manejo.
  4. 4Compressão contínua com gaze sobre o alvéolo, por tempo definido pelo profissional, com o paciente sentado e monitorado.
  5. 5Persistindo: material hemostático local dentro do alvéolo e sutura de aproximação das bordas.
  6. 6Ácido tranexâmico tópico como adjuvante (gaze embebida sobre o alvéolo e/ou bochecho), conforme protocolo do serviço.
  7. 7Conferir hemostasia efetiva antes da alta e entregar orientação escrita com sinais de retorno.
  8. 8Sangramento refratário ou paciente com coagulopatia — encaminhamento a serviço de urgência e contato com o médico assistente.

Exames

  • INR quando o paciente usa varfarina, conforme o protocolo do serviço e a proximidade da coleta
  • Hemograma com plaquetas quando há suspeita de discrasia ou sangramento volumoso
  • Radiografia do alvéolo quando há suspeita de fragmento ósseo/radicular mantendo o sangramento

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — não suspender anticoagulante sem decisão compartilhada com o médico assistente. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Dieta

  • Dieta fria e macia; evitar alimentos quentes, duros e canudo por 24–48h ___

Medicamentos

  • Ácido tranexâmico tópico (bochecho/gaze embebida), esquema e duração a definir ___
  • Analgesia com paracetamol; cautela com AINE em paciente anticoagulado ___
  • Manter o anticoagulante conforme orientação do médico assistente — não suspender por conta do procedimento ___

Recomendações

  • Morder gaze com compressão contínua por ___ minutos, sem ficar trocando a gaze ___
  • Cabeceira elevada para dormir nas primeiras noites; não cuspir com força; não fumar ___
  • Retorno imediato se o sangramento não ceder com compressão, houver tontura, palidez ou aumento de volume no assoalho da boca

Referências

  1. [1]Management of Antithrombotic Agents in Oral Surgery (Martinez e Tsakiris, Dentistry Journal 2015;3(4):93-101, PMID 29567929, PMC5851192)
  2. [2]Management of Dental Patients Taking Anticoagulants or Antiplatelet Drugs, Scottish Dental Clinical Effectiveness Programme (SDCEP), versão atualizada de março de 2022 (a 1ª edição é de 2015)
  3. [3]Managing direct oral anticoagulants in accordance with the Scottish Dental Clinical Effectiveness Programme guidance for patients undergoing dentoalveolar surgery (Woolcombe et al., British Dental Journal 2022;232(8):547-554, PMID 35459831, PMC9033580)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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