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Avulsão de dente permanente — o relógio começa a correr no local do acidente

Dente permanente avulsionado: reimplantar na hora, e se não der, guardar em quê? O que o tempo fora da boca muda?

Red flags — sinais de gravidade

  • Reimplantar dente decíduo: contraindicado, pode lesar o germe do sucessor
  • Transportar em água ou em guardanapo seco — destrói as células do ligamento periodontal e piora o prognóstico
  • Esfregar/raspar a superfície radicular para 'limpar': remove o ligamento que se está tentando salvar
  • Trauma com perda de consciência, vômito, amnésia ou cefaleia intensa — avaliar TCE antes do dente
  • Dente não encontrado no local: pode ter sido aspirado, deglutido ou estar intruído em tecido mole — pedir imagem, não presumir que se perdeu
  • Esquecer a profilaxia antitetânica em trauma com contato com solo
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • O reimplante imediato no local do acidente é o que dá o melhor prognóstico — orientar quem está com o paciente por telefone já é conduta
  • Segurar o dente pela COROA, nunca pela raiz; se estiver sujo, lavar rapidamente com soro fisiológico ou água corrente por poucos segundos, sem esfregar
  • Não dá para reimplantar na hora: transportar em meio adequado — leite, solução salina balanceada, soro fisiológico, ou saliva (dentro da boca do paciente, se houver segurança de não engolir). Água é o pior meio
  • Tempo em meio seco é o fator que mais destrói o ligamento periodontal — a diferença entre reimplante precoce e tardio muda o protocolo e o prognóstico
  • Após reimplante: contenção flexível pelo tempo indicado, antibiótico sistêmico, checagem de status antitetânico e início do tratamento endodôntico no prazo da diretriz para dente com ápice fechado
  • Dente decíduo avulsionado NÃO se reimplanta — risco ao germe do permanente

Conduta inicial

  1. 1Orientar por telefone, se possível: pegar pela coroa, enxaguar rapidamente se sujo e reimplantar na hora; não conseguindo, transportar em leite ou solução salina e procurar atendimento imediatamente.
  2. 2No atendimento: avaliar trauma associado (TCE, lesões faciais) antes de focar no dente.
  3. 3Registrar tempo fora do alvéolo, meio de armazenamento e estágio de formação radicular — são eles que definem o protocolo.
  4. 4Anestesiar, irrigar o alvéolo com soro fisiológico, remover coágulo e reimplantar o dente com pressão digital suave, conferindo posição.
  5. 5Contenção flexível pelo período recomendado, ajuste oclusal quando necessário e radiografia de controle da posição.
  6. 6Antibiótico sistêmico conforme a diretriz e checagem/atualização da profilaxia antitetânica.
  7. 7Programar o início do tratamento endodôntico no prazo indicado para dente com ápice fechado; em ápice aberto, avaliar possibilidade de revascularização.
  8. 8Definir calendário de acompanhamento clínico e radiográfico — reabsorção pode aparecer meses depois.

Exames

  • Radiografias periapicais para conferir posicionamento após o reimplante e para acompanhamento seriado
  • Radiografia de tecidos moles/lábio quando o dente ou fragmento não foi encontrado
  • Radiografia de tórax/abdome se houver suspeita de aspiração ou deglutição
  • Avaliação médica para TCE e status antitetânico

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — esquema, dose e duração conforme idade, peso e diretriz vigente. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Dieta

  • Dieta macia por ___ dias; não morder com os dentes envolvidos

Medicamentos

  • Antibiótico sistêmico conforme a diretriz e a idade do paciente ___
  • Analgesia conforme necessidade ___
  • Bochecho com clorexidina 0,12% por ___ dias, quando a higiene mecânica estiver limitada
  • Profilaxia antitetânica conforme situação vacinal e contaminação ___

Recomendações

  • Higiene cuidadosa com escova macia na área da contenção ___
  • Sem esporte de contato até liberação ___
  • Retorno para remoção da contenção em ___ e para início/continuidade do tratamento endodôntico em ___
  • Controles clínicos e radiográficos em 1, 3, 6 e 12 meses e anualmente ___

Exames

  • Radiografia periapical de controle nas datas programadas ___

Referências

  1. [1]International Association of Dental Traumatology guidelines for the management of traumatic dental injuries: 2. Avulsion of permanent teeth (Fouad et al., Dental Traumatology 2020;36(4):331-342)
  2. [2]International Association of Dental Traumatology guidelines for the management of traumatic dental injuries: 3. Injuries in the primary dentition (Day et al., Dental Traumatology 2020;36(4):343-359)
  3. [3]Guidelines for the Management of Traumatic Dental Injuries, American Academy of Pediatric Dentistry (endosso, Reference Manual of Pediatric Dentistry)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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