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Fraturas de coroa e de raiz — do trinco de esmalte à fratura radicular

Dente quebrado no trauma: quando dá para colar o fragmento, quando a polpa exposta muda a conduta e o que fazer com fratura de raiz?

Red flags — sinais de gravidade

  • Fragmento não encontrado: procurar em lábio e mucosa (radiografia de tecido mole) e afastar aspiração/deglutição
  • Fratura coroa-raiz com extensão subgengival profunda — prognóstico e plano mudam, pode exigir tracionamento, aumento de coroa ou exodontia
  • Escurecimento coronário, fístula ou dor à percussão nas semanas seguintes: necrose instalada, retomar o caso
  • Erro comum: fazer tratamento endodôntico imediato em dente permanente jovem com exposição pulpar recente, perdendo a chance de manter a polpa viva
  • Trauma com sinais de TCE — avaliação médica antes do dente
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Classificar antes de tratar: trinca de esmalte, fratura de esmalte, de esmalte e dentina, complicada (com exposição pulpar), de coroa-raiz e fratura radicular
  • Fragmento coronário guardado em meio úmido pode ser recolado — orientar o paciente a procurar e transportar hidratado
  • Exposição pulpar em dente permanente jovem tem forte indicação de terapia pulpar vital (pulpotomia com silicato de cálcio), não de pulpectomia automática
  • Fratura radicular: reposicionar o fragmento coronário o quanto antes, conter conforme a localização da linha de fratura e acompanhar a vitalidade
  • Dentina exposta precisa ser selada rápido — protege a polpa e reduz sensibilidade
  • Testes de sensibilidade logo após trauma podem dar falso-negativo por choque pulpar: reavaliar seriadamente antes de decidir endodontia

Conduta inicial

  1. 1Avaliar trauma associado e registrar o mecanismo, o horário e o tempo decorrido.
  2. 2Examinar todos os dentes e tecidos moles, procurar fragmentos e pedir radiografias em mais de uma angulação (incluindo tecido mole quando o fragmento sumiu).
  3. 3Fratura de esmalte/dentina sem exposição: selar a dentina e restaurar; recolar o fragmento quando disponível e hidratado.
  4. 4Fratura complicada com exposição pulpar: terapia pulpar vital (capeamento/pulpotomia parcial ou total com silicato de cálcio) conforme tempo de exposição e estágio radicular; tratamento endodôntico quando a vitalidade não puder ser mantida.
  5. 5Fratura radicular: reposicionar o fragmento coronário, conferir posição por radiografia e aplicar contenção pelo período indicado conforme a localização da linha.
  6. 6Ajustar oclusão quando houver contato traumático e orientar dieta macia.
  7. 7Programar acompanhamento clínico e radiográfico seriado com testes de sensibilidade repetidos.

Exames

  • Radiografias periapicais em mais de uma angulação (fratura radicular pode não aparecer em incidência única)
  • Radiografia de tecidos moles (lábio, bochecha) quando o fragmento não foi encontrado
  • Testes de sensibilidade seriados no acompanhamento, com registro das datas
  • Tomografia de feixe cônico em casos selecionados

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Dieta

  • Dieta macia por ___ dias; evitar morder com os dentes envolvidos

Medicamentos

  • Analgesia conforme necessidade ___
  • Bochecho com clorexidina 0,12% por ___ dias quando houver contenção ou ferimento
  • Profilaxia antitetânica conforme situação vacinal e contaminação ___

Recomendações

  • Escova macia na região; higiene cuidadosa em volta da contenção ___
  • Sem esporte de contato até liberação; protetor bucal ao retornar ___
  • Controles clínicos e radiográficos em 6–8 semanas, 6 meses, 1 ano e anualmente ___

Exames

  • Radiografia periapical de controle nas datas programadas ___

Referências

  1. [1]International Association of Dental Traumatology guidelines for the management of traumatic dental injuries: 1. Fractures and luxations (Bourguignon et al., Dental Traumatology 2020;36(4):314-330)
  2. [2]Consensus-Based Recommendations on Pulp Therapies in Primary and Permanent Teeth: IAPD Porto Forum (International Journal of Paediatric Dentistry, 2026)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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