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Luxações dentárias — concussão, subluxação, extrusiva, lateral e intrusiva

Dente deslocado ou dolorido após trauma, mas ainda no alvéolo: qual o tipo de luxação e o que cada uma exige de contenção e acompanhamento?

Red flags — sinais de gravidade

  • Luxação intrusiva em dente com ápice fechado: risco elevado de necrose e reabsorção por substituição, acompanhamento intensivo
  • Fratura do processo alveolar associada (vários dentes se movem em bloco) — muda a contenção e o prognóstico
  • Escurecimento, fístula, dor à percussão ou lesão periapical no acompanhamento: necrose, retomar o caso
  • Erro comum: dar alta após reposicionar e não estabelecer calendário de controle — a complicação aparece semanas ou meses depois
  • Trauma com sinais de TCE — avaliação médica antes
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Concussão: dolorido à percussão, sem mobilidade nem deslocamento — não precisa de contenção, precisa de acompanhamento
  • Subluxação: mobilidade aumentada com sangramento sulcular, sem deslocamento — contenção flexível curta quando houver desconforto
  • Extrusiva: dente 'mais longo', mobilidade importante — reposicionar e conter
  • Lateral: deslocamento com dente frequentemente travado, som metálico e fratura da tábua óssea — reposicionar (às vezes exige desimpactar) e conter por período maior
  • Intrusiva: dente empurrado para dentro do osso — conduta depende do estágio radicular e da profundidade, com reposicionamento espontâneo, ortodôntico ou cirúrgico, e alto risco de necrose e reabsorção
  • Ápice fechado muda a conduta pulpar: na luxação lateral de dente maduro, o consenso de 2024 (que segue a IADT) indica remover a polpa de forma preventiva, sem esperar sinal de necrose, para prevenir reabsorção inflamatória externa; na intrusiva de dente maduro a necrose pulpar é a regra (numa coorte de 112 dentes intruídos, só 11% dos maduros chegaram a 2 anos sem necrose), então a endodontia também é planejada sem esperar sinal de necrose — o momento de iniciá-la é o que a diretriz da IADT define, e vale conferir lá antes de marcar. Já no dente imaturo, a polpa pode revascularizar: acompanhar e intervir ao sinal de necrose

Conduta inicial

  1. 1Avaliar trauma associado, registrar mecanismo e horário, e examinar todos os dentes e tecidos moles.
  2. 2Classificar o tipo de luxação por exame clínico (mobilidade, posição, percussão, som) e radiografias em mais de uma angulação.
  3. 3Reposicionar sob anestesia quando indicado, com pressão digital suave e conferência radiográfica da posição.
  4. 4Aplicar contenção flexível pelo período correspondente ao tipo de luxação, conforme a diretriz.
  5. 5Ajustar oclusão quando houver contato traumático; orientar dieta macia e higiene com escova macia e antisséptico.
  6. 6Checar profilaxia antitetânica quando houver ferimento e contaminação.
  7. 7Definir calendário de acompanhamento clínico e radiográfico com testes de sensibilidade repetidos; na luxação lateral de dente maduro, planejar a endodontia preventiva conforme a diretriz, em vez de esperar sinal de necrose; na intrusiva de dente maduro, também não esperar sinal: planejar a endodontia no momento que a IADT define; no dente imaturo e nas demais luxações, iniciar tratamento endodôntico ao primeiro sinal de necrose.

Exames

  • Radiografias periapicais em mais de uma angulação, incluindo incidência oclusal quando indicado
  • Testes de sensibilidade seriados (falso-negativo é comum logo após o trauma)
  • Tomografia de feixe cônico em luxação intrusiva, fratura alveolar e casos de difícil avaliação
  • Controles em 2 semanas, 4 semanas, 8 semanas, 6 meses, 1 ano e anualmente, conforme o tipo

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Dieta

  • Dieta macia por ___ dias; não morder com os dentes envolvidos

Medicamentos

  • Analgesia conforme necessidade ___
  • Bochecho com clorexidina 0,12% por ___ dias enquanto houver contenção
  • Profilaxia antitetânica conforme situação vacinal e contaminação ___

Recomendações

  • Higiene com escova macia; manter a área da contenção limpa ___
  • Sem esporte de contato até liberação; protetor bucal ao retornar ___
  • Retorno para remoção da contenção em ___ e controles nas datas programadas
  • Retorno imediato se escurecimento do dente, dor, fístula ou edema

Exames

  • Radiografia periapical de controle nas datas programadas ___

Referências

  1. [1]International Association of Dental Traumatology guidelines for the management of traumatic dental injuries: 1. Fractures and luxations (Bourguignon et al., Dental Traumatology 2020;36(4):314-330, PMID 32475015)
  2. [2]International Association of Dental Traumatology guidelines for the management of traumatic dental injuries: 2. Avulsion of permanent teeth (Fouad et al., Dental Traumatology 2020;36(4):331-342)
  3. [3]Outcomes of Permanent Tooth Intrusion; Pulp Necrosis, Ankylosis and Tooth Loss (Schweiger et al., Dental Traumatology 2026;42(2):146-159, PMID 40714998, PMC12990842)
  4. [4]Experts consensus on management of tooth luxation and avulsion (Huang et al., International Journal of Oral Science 2024;16:57, PMID 39327418, PMC11427573)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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