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Trauma em dentição decídua — a decisão gira em torno do germe do permanente

Criança pequena que caiu e bateu os dentes de leite: o que tratar, o que só acompanhar e por que decíduo avulsionado não volta?

Red flags — sinais de gravidade

  • História incompatível com a lesão, versões que mudam, atraso na procura de atendimento, lesões em estágios diferentes: suspeita de maus-tratos, notificação é obrigação legal
  • Reimplantar decíduo avulsionado — contraindicado
  • Sinais de TCE (vômito, sonolência, perda de consciência, cefaleia progressiva) — avaliação médica antes
  • Escurecimento com fístula, edema ou dor no acompanhamento: infecção que pode afetar o germe, tratar sem postergar
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • A pergunta que orienta tudo é o risco ao germe do dente permanente — por isso as condutas são mais conservadoras do que na dentição permanente
  • Decíduo avulsionado NÃO se reimplanta: o reimplante pode lesar o germe do sucessor
  • Intrusão de decíduo: a conduta inicial é conservadora — aguardar a reerupção espontânea, que é frequente (numa coorte brasileira de 238 decíduos intruídos, 58,7% reeruptaram entre 3 e 6 meses, e 68% dos avaliados com 6 meses ou mais já tinham reeruptado), com controles até a erupção do sucessor
  • Cooperação da criança e capacidade de acompanhamento pesam na decisão tanto quanto o achado clínico
  • Orientar os responsáveis sobre as sequelas possíveis no permanente (mancha, hipoplasia, alteração de erupção) desde a primeira consulta, por escrito
  • Trauma na primeira infância é também momento de avaliar mecanismo: história incompatível com a lesão levanta suspeita de maus-tratos

Conduta inicial

  1. 1Avaliar a criança como um todo: trauma associado, TCE, e coerência entre a história e a lesão.
  2. 2Examinar tecidos moles e todos os dentes, procurar fragmentos e pedir radiografia quando a criança colaborar.
  3. 3Definir a conduta pelo tipo de lesão, pelo risco ao germe permanente e pela viabilidade de acompanhamento.
  4. 4Priorizar condutas conservadoras: acompanhamento, alívio oclusal, alisamento de bordas, restauração simples quando indicada.
  5. 5Exodontia quando o dente está muito móvel com risco de aspiração ou não tem prognóstico.
  6. 6Não reimplantar decíduo avulsionado; explicar aos responsáveis por que essa é a conduta.
  7. 7Orientar por escrito dieta, higiene, sinais de alarme e o calendário de controles, incluindo a possibilidade de sequela no permanente.

Exames

  • Radiografia periapical/oclusal quando a criança colabora, para posição do decíduo e relação com o germe
  • Radiografia de tecidos moles quando fragmentos não foram encontrados
  • Controles clínicos e radiográficos programados até a erupção do sucessor permanente
  • Avaliação médica para TCE quando houver sinais

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — doses pediátricas por peso. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Dieta

  • Dieta macia e fria por ___ dias

Medicamentos

  • Analgesia pediátrica por peso, conforme necessidade ___
  • Antisséptico tópico aplicado com gaze pelos responsáveis, quando indicado ___
  • Profilaxia antitetânica conforme situação vacinal e contaminação ___

Recomendações

  • Higiene com escova macia após as refeições; os responsáveis fazem a limpeza da área ___
  • Evitar chupeta/mamadeira nos dias seguintes, se possível ___
  • Controles em 1 semana, 6–8 semanas, 6 meses, 1 ano e até a erupção do permanente ___
  • Retorno imediato se escurecimento, fístula, edema, febre ou dor

Referências

  1. [1]International Association of Dental Traumatology guidelines for the management of traumatic dental injuries: 3. Injuries in the primary dentition (Day et al., Dental Traumatology 2020;36(4):343-359)
  2. [2]Guidelines for the Management of Traumatic Dental Injuries — endosso e reprodução no Reference Manual of Pediatric Dentistry, American Academy of Pediatric Dentistry
  3. [3]Dental trauma in children: monitoring, management, and challenges — a narrative review (Wang et al., Translational Pediatrics 2025;14:1637-1651; PMC12336889)
  4. [4]Prognosis of primary teeth following intrusive luxation according to the degree of intrusion: A retrospective cohort study (E Silva, da Costa e Goettems, Dental Traumatology 2022;38(1):34-40, PMID 34165860)
  5. [5]Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/1990) — obrigatoriedade de notificação de suspeita de maus-tratos

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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