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Prótese articular e outras profilaxias — o que a evidência retirou da rotina
Paciente com prótese de quadril ou joelho quer antibiótico antes do dentista: ainda se faz isso?
Red flags — sinais de gravidade
Prescrever profilaxia de rotina em todo portador de prótese articular — não é a recomendação atual
Adiar tratamento de infecção odontogênica em paciente com prótese articular: o foco ativo é o risco maior
Assumir que 'o ortopedista pediu' encerra a discussão — a decisão precisa estar registrada com justificativa e ciência do paciente
Reação alérgica grave a antibiótico dado sem indicação: dano evitável e documentado na literatura
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
A recomendação da ADA é de que, em geral, NÃO se prescreve antibiótico profilático antes de procedimento odontológico em portador de prótese articular
A base é dupla: não há evidência de que a profilaxia previna infecção de prótese articular, e há dano conhecido (anafilaxia, resistência, colite associada a antibiótico)
Quando o ortopedista solicita profilaxia para um caso específico, a decisão é compartilhada e registrada — não é o dentista sozinho, nem o ortopedista sozinho
A Position Statement de 2026 do ADA Council on Scientific Affairs reforça: o momento do tratamento e o uso raro de profilaxia se decidem em conjunto entre dentista, equipe ortopédica e paciente, em vez de adiamento de rotina ou pré-medicação automática
Quando o antibiótico for considerado necessário, a orientação da ADA é que o ortopedista indique o esquema e, quando razoável, faça a prescrição
Adiar tratamento odontológico necessário 'por causa da prótese' costuma ser pior: foco infeccioso oral não tratado é risco real
Vale a mesma lógica em outras situações com pedido reflexo de profilaxia: sem indicação de diretriz, o antibiótico entra por decisão justificada e registrada
Conduta inicial
1Levantar o tipo e a data da prótese, e se houve infecção prévia da prótese ou complicações.
2Explicar ao paciente, de forma direta, o que a recomendação atual diz e por quê.
3Havendo solicitação do ortopedista, contatar e registrar a decisão compartilhada, com a justificativa clínica no prontuário.
4Priorizar o essencial: eliminar focos infecciosos orais e manter saúde bucal — é isso que reduz bacteremia recorrente.
5Manter a agenda de tratamento odontológico necessário; adiamento por medo de profilaxia não é conduta neutra.
Exames
Documentação do procedimento ortopédico (data, tipo de prótese, intercorrências)
Avaliação odontológica completa para identificação de focos infecciosos
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — profilaxia em portador de prótese articular não é rotina. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Medicamentos
Profilaxia antibiótica NÃO indicada de rotina — prescrever apenas em caso individual com justificativa registrada e decisão compartilhada ___
Recomendações
Manutenção da saúde bucal e consultas regulares — medida de maior impacto ___
Não adiar tratamento odontológico necessário por causa da prótese ___
Registrar no prontuário a discussão com o paciente e, quando houver, com o ortopedista ___
Referências
[1]The use of prophylactic antibiotics prior to dental procedures in patients with prosthetic joints: Evidence-based clinical practice guideline for dental practitioners, American Dental Association Council on Scientific Affairs (JADA 2015;146(1):11-16)
[2]American Dental Association guidance for utilizing appropriate use criteria in the management of the care of patients with orthopedic implants undergoing dental procedures (JADA 2017)
[3]Shared decision making in oral health care for patients with prosthetic joint replacements: American Dental Association Council on Scientific Affairs position statement (JADA 2026;157(6):667-669; PMID 41984012)
[4]Antibiotic Prophylaxis Prior to Dental Procedures, ADA Oral Health Topics, American Dental Association (atualizado em 15/07/2026)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.