Analgesia da dor dental aguda — AINE primeiro, opioide não é primeira linha
Qual analgesia prescrever para dor dental aguda e para pós-operatório, e por que opioide saiu da primeira linha?
Red flags — sinais de gravidade
Dor que exige escalonamento contínuo de analgesia: sinal de que o problema estrutural não foi tratado, reavaliar o diagnóstico
AINE em paciente com doença renal crônica, sangramento digestivo prévio, anticoagulação ou insuficiência cardíaca — ponderar e considerar alternativa
Paracetamol somado a apresentações combinadas: risco de ultrapassar a dose máxima diária sem o paciente perceber
Prescrever opioide de rotina no pós-operatório odontológico — contraria a recomendação atual
Dor pós-operatória que aumenta a partir do 2º–3º dia: pensar em alveolite ou infecção, não em dose insuficiente
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
A recomendação atual para dor dental aguda em adolescentes, adultos e idosos é AINE isolado ou AINE associado a paracetamol como primeira linha
Opioide não é primeira linha para dor dental aguda — o benefício adicional é pequeno e o risco (efeito adverso, dependência) é real
Analgesia não substitui o procedimento: em pulpite e abscesso, quem resolve é o tratamento odontológico
Associação de AINE com paracetamol costuma superar cada um isolado, com doses e intervalos definidos
Checar contraindicações do AINE antes: doença renal, úlcera/sangramento digestivo, anticoagulação, insuficiência cardíaca, gestação avançada, alergia
Prescrever por tempo curto e com plano — 'usar se doer, por alguns dias' com data de reavaliação, não indefinidamente
Conduta inicial
1Definir e tratar a causa — a analgesia acompanha o procedimento, não o substitui.
2Checar comorbidades, medicações e alergias antes de escolher o esquema.
3Primeira linha: AINE isolado ou AINE associado a paracetamol, em doses e intervalos definidos e por tempo curto.
4Paciente com contraindicação a AINE: paracetamol e/ou alternativa conforme o quadro e o protocolo local.
5Orientar por escrito o esquema, incluindo dose máxima diária e o que fazer se a dor não ceder.
6Definir data de reavaliação e sinais que exigem retorno imediato.
Exames
Reavaliação clínica programada da dor, com registro de intensidade
Função renal e história digestiva quando o uso de AINE for prolongado ou o paciente for de risco
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — doses, intervalos e escolha dependem de idade, peso, comorbidades e medicações em uso. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Dieta
Dieta fria e macia enquanto houver dor ___
Medicamentos
AINE isolado, dose e intervalo a definir, por ___ dias
Associação de AINE com paracetamol quando indicado, com intervalos escalonados ___
Alternativa para paciente com contraindicação a AINE ___
Opioide não indicado como primeira linha — reservar a exceções justificadas e registradas ___
Recomendações
Respeitar a dose máxima diária de paracetamol somando todas as apresentações em uso ___
Retorno se a dor não ceder no prazo esperado ou aumentar a partir do 2º–3º dia ___
Procedimento definitivo agendado para ___
Referências
[1]Evidence-based clinical practice guideline for the pharmacologic management of acute dental pain in adolescents, adults, and older adults, American Dental Association (JADA 2024;155(2))
[2]Evidence-based clinical practice guideline on antibiotic use for the urgent management of pulpal- and periapical-related dental pain and intraoral swelling, American Dental Association (JADA 2019;150(11):906-921)