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Herpes oral — gengivoestomatite herpética primária e recorrência labial
Criança com febre, gengiva muito inflamada e vesículas na boca, ou adulto com herpes labial recorrente: o que muda entre os dois?
Red flags — sinais de gravidade
Desidratação em criança pequena que não bebe: pode exigir hidratação em serviço de saúde
Lesão herpética próxima ao olho ou suspeita de ceratite herpética — emergência oftalmológica
Paciente imunocomprometido com lesão herpética extensa ou persistente — quadro grave, avaliação médica
Panarício herpético em profissional que atendeu sem barreira — usar equipamento de proteção sempre
Erro comum: tratar gengivoestomatite herpética como infecção bacteriana e prescrever antibiótico
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Primoinfecção (gengivoestomatite herpética) é quadro sistêmico: febre, mal-estar, linfadenopatia, gengiva intensamente eritematosa e vesículas que ulceram em toda a boca, inclusive mucosa queratinizada
O risco principal na criança é desidratação por recusa alimentar — hidratação e analgesia são o eixo do tratamento
Aciclovir oral: a evidência é fraca — vem de um único ensaio controlado com placebo, em crianças de 1 a 6 anos com menos de 72 h de quadro, em que o aciclovir encurtou a duração dos sintomas (lesões orais, mediana de 4 vs 10 dias; dificuldade para comer, 4 vs 7; para beber, 3 vs 6); o efeito cai quando o início atrasa, e a orientação é começar só nas primeiras 72 h de sintomas, quando há dor importante ou desidratação
Recorrência costuma ser labial (herpes labial recorrente), precedida de pródromo de ardor, formigamento, queimação ou prurido — o antiviral deve começar o mais cedo possível, de preferência ainda no pródromo, porque a janela terapêutica é estreita
Recorrência intraoral, no imunocompetente, costuma ser em mucosa queratinizada (palato duro e gengiva inserida) — a afta tem predileção pela mucosa não queratinizada; em imunocomprometido, e às vezes até no imunocompetente, a lesão herpética aparece em mucosa não queratinizada e confunde o diagnóstico
Procedimento eletivo em fase ativa é adiado: risco de disseminação e autoinoculação, e desconforto do paciente
Conduta inicial
1Diferenciar primoinfecção de recorrência pelo quadro clínico, idade e história.
2Primoinfecção: priorizar hidratação e analgesia; orientar dieta fria, líquida/pastosa e sem ácidos.
3Antiviral sistêmico é decisão do profissional: considerar nas primeiras 72 h de sintomas, com dor importante ou desidratação, com dose por peso na criança — depois disso o benefício esperado é menor.
4Higiene bucal suave, com antisséptico sem álcool quando a escovação estiver inviável, para reduzir infecção secundária.
5Recorrência labial: antiviral iniciado o mais cedo possível, de preferência no pródromo; protetor labial com filtro solar e orientação sobre fatores desencadeantes (sol, febre, estresse, trauma, procedimento odontológico).
6Adiar procedimentos eletivos até a resolução da fase ativa.
7Orientar sinais de alarme e reavaliar; encaminhar se desidratação, envolvimento ocular ou imunossupressão.
Exames
Diagnóstico é clínico na maioria dos casos
Testes laboratoriais (PCR, cultura viral, citologia) em quadros atípicos, graves ou em imunocomprometidos
Avaliação do estado de hidratação em criança pequena
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — doses pediátricas por peso e ajuste em disfunção renal. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Dieta
Dieta fria, líquida ou pastosa; evitar ácidos e condimentados ___
Hidratação frequente em pequenos volumes ___
Medicamentos
Antiviral sistêmico (aciclovir) quando indicado, dose por peso/idade e duração a definir ___
Analgesia/antitérmico conforme necessidade ___
Anestésico tópico ou agente de barreira antes das refeições, quando apropriado à idade ___
Antisséptico sem álcool para higiene quando a escovação estiver inviável ___
Recomendações
Vigiar sinais de desidratação: pouca urina, boca seca, prostração — procurar serviço de saúde ___
Não compartilhar utensílios, toalhas e batom durante a fase ativa; não tocar os olhos após tocar as lesões ___
Adiar procedimento odontológico eletivo até a resolução ___
Referências
[1]Supportive care and antiviral treatments in primary herpetic gingivostomatitis: a systematic review (Coppola et al., Clinical Oral Investigations 2023;27(11):6333-6344; PMID 37733027)
[2]Acyclovir for herpetic gingivostomatitis in children (Goldman, Canadian Family Physician 2016;62(5):403-404; PMID 27255621)
[3]Treatment of herpes simplex gingivostomatitis with aciclovir in children: a randomised double blind placebo controlled study (Amir et al., BMJ 1997;314(7097):1800-1803; PMID 9224082)
[4]A Comprehensive Overview of Epidemiology, Pathogenesis and the Management of Herpes Labialis (Gopinath et al., Viruses 2023;15(1):225; PMID 36680265)
[5]Unusual Oral Presentations of Herpes Simplex Virus-1: A Series of Eight Cases and Literature Review (de Paiva et al., Special Care in Dentistry 2025;45(6):e70129; PMID 41414046)
[6]Recurrent Aphthous Stomatitis: An Enigmatic Entity and Sign of Systemic Disease (Elias et al., Indian Journal of Dermatology 2022;67(6):834; PMID 36998847)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.