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Xerostomia e hipossalivação — boca seca é sintoma, não diagnóstico
Paciente com boca seca e cáries que se multiplicam: como confirmar que há hipossalivação e o que dá para fazer além de mandar beber água?
Red flags — sinais de gravidade
Boca seca com olho seco e artralgia, principalmente em mulher de meia-idade: investigar Sjögren
Aumento de glândula salivar persistente e endurecido — investigar, pode não ser inflamatório
Cárie explosiva em adulto sem histórico prévio: hipossalivação até prova em contrário, e a causa precisa ser encontrada
Radioterapia prévia de cabeça e pescoço: risco de osteorradionecrose muda toda a decisão sobre exodontia
Erro comum: tratar a cárie repetidamente sem tocar na causa da secura — o ciclo restaurador não se encerra
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Xerostomia é a queixa subjetiva; hipossalivação é a redução medida do fluxo — os dois podem existir separados
A causa mais frequente de hipossalivação é medicamentosa, seguida de radioterapia de cabeça e pescoço e síndrome de Sjögren; a polifarmácia pesa no fluxo salivar. Entre os fármacos associados a fluxo baixo: psicofármacos (em especial ISRS), anti-hipertensivos (tiazídicos, bloqueadores de canal de cálcio), antidiabéticos orais, antiespasmódicos urinários, opioides e AINEs
Outras causas: radioterapia de cabeça e pescoço, síndrome de Sjögren, diabetes descompensado, desidratação, doenças sistêmicas, ansiedade
A consequência odontológica é cárie de progressão rápida (principalmente cervical e radicular), candidíase, dificuldade de usar prótese e ardência
Manejo é em três frentes: revisar a causa com o médico assistente, estimular/substituir saliva, e proteger o dente com flúor e controle rigoroso de dieta e biofilme
Sialometria documentada dá objetividade ao seguimento e sustenta o encaminhamento
Conduta inicial
1Anamnese com lista completa de medicamentos e comorbidades, e caracterização da queixa (tempo, gravidade, impacto na fala, deglutição e sono).
2Exame: espelho aderindo à mucosa, saliva espumosa ou ausente, língua fissurada/despapilada, cárie cervical/radicular, candidíase.
3Sialometria de repouso e estimulada quando disponível, com registro para acompanhamento.
4Discutir com o médico assistente a possibilidade de revisar ou substituir medicamentos xerostomizantes — não alterar prescrição médica por conta própria.
5Medidas locais: hidratação frequente, estimulação salivar (goma sem açúcar, sialogogos quando indicados), substitutos salivares e umidificação noturna.
6Proteção dentária intensiva: dentifrício de alta concentração de flúor como medida de base, verniz fluoretado como adjuvante conforme a atividade de cárie, e controle rigoroso de frequência de açúcar.
7Tratar candidíase quando presente e reavaliar prótese; retornos mais frequentes que o habitual.
Exames
Sialometria de repouso e estimulada, com registro e data
Investigação médica para Sjögren (autoanticorpos, avaliação oftalmológica) quando houver suspeita
Glicemia/hemoglobina glicada
Radiografias interproximais em intervalos mais curtos, pelo risco de cárie
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — sialogogos têm contraindicações relevantes e a revisão de medicamentos é do médico assistente. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Dieta
Hidratação frequente em pequenos volumes; reduzir cafeína e álcool ___
Reduzir frequência de açúcar — o risco de cárie está aumentado ___
Medicamentos
Dentifrício de alta concentração de flúor, uso conforme orientação ___
Verniz de fluoreto de sódio 5% como adjuvante, conforme a atividade de cárie, a cada ___ meses
Substituto salivar/gel umectante, uso conforme necessidade ___
Sialogogo sistêmico apenas se indicado e sem contraindicação, em decisão conjunta com o médico ___
Antifúngico se houver candidíase associada ___
Recomendações
Goma de mascar sem açúcar (com xilitol) para estimulação, quando apropriado ___
Umidificar o ambiente à noite; evitar enxaguatório com álcool ___
Retornos odontológicos a cada ___ meses, mais frequentes que o habitual
Exames
Radiografias interproximais de controle em ___ meses
Referências
[1]Clinical Practice Guideline for the Management of Candidiasis: 2016 Update by the Infectious Diseases Society of America (Clinical Infectious Diseases 2016)
[2]Salivary Gland Hypofunction and/or Xerostomia Induced by Nonsurgical Cancer Therapies: ISOO/MASCC/ASCO Guideline (Mercadante et al., J Clin Oncol 2021;39(25):2825-2843; PMID 34283635)
[3]Diagnosis and management of xerostomia and hyposalivation (Villa et al., Therapeutics and Clinical Risk Management 2015;11:45-51; PMID 25653532)
[4]Oral Manifestations of Sjögren's Syndrome: Recognition, Management, and Interdisciplinary Care (Liu et al., Medicina (Kaunas) 2025;62(1):5; PMID 41597290)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.