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Cárie precoce da infância — a doença que começa antes dos 6 anos

Criança pequena com manchas brancas ou cavidades nos dentes de leite: como classificar a gravidade e o que muda de verdade o curso da doença?

Red flags — sinais de gravidade

  • Abscesso, fístula, edema facial ou febre em criança pequena — urgência, o quadro escala rápido
  • Criança com dor que impede alimentação ou sono: não é caso de agendar 'para o mês que vem'
  • Múltiplas lesões cavitadas com criança não colaborativa e sem acesso a atendimento especializado — planejar caminho realista, não repetir tentativas frustradas
  • Erro comum: culpar os responsáveis em vez de construir um plano executável — adesão é o que muda o desfecho
  • Sinais de negligência ou de outras vulnerabilidades — acionar a rede de proteção conforme a avaliação
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Definição: presença de uma ou mais superfícies cariadas (cavitadas ou não), perdidas por cárie ou restauradas em qualquer dente decíduo em criança com menos de 6 anos
  • Forma grave tem critérios etários específicos e inclui qualquer superfície lisa cariada em anteriores superiores nos mais novos — a apresentação em anteriores superiores é o sinal clássico
  • Fatores centrais: frequência de exposição a açúcar (mamadeira noturna, copo de transição com bebida açucarada, lanches açucarados frequentes) e higiene com dentifrício fluoretado
  • A primeira consulta odontológica com a erupção do primeiro dente estabelece o vínculo de cuidado antes da doença avançar
  • Consequências não são só locais: dor, infecção, prejuízo à alimentação, ao sono e ao aprendizado, e maior risco de novas lesões na dentição permanente
  • Quando restaurar é inviável no consultório, existem alternativas com evidência (cariostático, ART, selante com verniz) antes de partir para tratamento sob anestesia geral

Conduta inicial

  1. 1Examinar com a criança posicionada de forma segura (exame joelho a joelho com o responsável, quando indicado), com dentes limpos e secos.
  2. 2Registrar todas as lesões por superfície, com extensão e atividade, e classificar a gravidade.
  3. 3Levantar hábitos com perguntas concretas: mamadeira noturna, o que vai no copo, frequência de lanches, quem escova e com qual dentifrício.
  4. 4Instituir higiene com dentifrício fluoretado (mínimo 1.000 ppm) em quantidade adequada à idade, feita pelo adulto.
  5. 5Aplicar verniz de fluoreto de sódio 5% em intervalos definidos pelo risco.
  6. 6Tratar as lesões: selante com verniz nas não cavitadas, cariostático ou ART nas cavitadas quando o tratamento convencional não é viável, restauração quando possível.
  7. 7Agendar retornos curtos e frequentes, e reavaliar hábitos a cada retorno — o plano se ajusta, não se repete igual.

Exames

  • Registro por superfície de todas as lesões, com data
  • Radiografias interproximais quando a criança colabora e o contato proximal impede a inspeção
  • Avaliação de risco documentada com os fatores dietéticos e de higiene

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — quantidade de dentifrício e intervalos conforme idade e risco. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Dieta

  • Suspender mamadeira noturna com leite/bebida açucarada ___
  • Água no copo entre as refeições; reduzir frequência de lanches açucarados ___

Medicamentos

  • Dentifrício fluoretado (mínimo 1.000 ppm), 2x/dia, quantidade conforme a idade, escovação feita pelo adulto ___
  • Verniz de fluoreto de sódio 5% a cada ___ meses
  • Diamino fluoreto de prata 38% nas lesões selecionadas, com consentimento sobre o escurecimento ___

Recomendações

  • Escovação feita pelo adulto, com a criança deitada ou no colo, 2x/dia ___
  • Retornos a cada ___ meses até estabilizar a doença
  • Retorno imediato se dor, edema, febre ou recusa alimentar

Referências

  1. [1]Policy on Early Childhood Caries (ECC): Classifications, Consequences, and Preventive Strategies, American Academy of Pediatric Dentistry (Reference Manual of Pediatric Dentistry)
  2. [2]Evidence-based clinical practice guideline on nonrestorative treatments for carious lesions, American Dental Association (Slayton et al., JADA 2018;149(10):837-849)
  3. [3]Guia de recomendações para o uso de fluoretos no Brasil, Ministério da Saúde
  4. [4]Cadernos de Atenção Básica n. 17 — Saúde Bucal, Ministério da Saúde, 2008

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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