Terapia oncológica com antirreabsortivo e necessidade de exodontia — a decisão é multidisciplinar, não isolada
Suspender bifosfonato ou denosumabe por conta própria: risco de perda de proteção óssea e, no caso do denosumabe, de efeito rebote
Erro comum: registrar 'nega comorbidades' e não perguntar especificamente por medicação óssea injetável semestral/anual — o paciente frequentemente não a considera 'remédio'
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Definição operacional exige os três elementos: uso atual ou prévio de antirreabsortivo/antiangiogênico, osso exposto (ou fístula que sonda até o osso) persistindo por mais de 8 semanas, e ausência de radioterapia prévia na região ou de doença metastática nos maxilares
O risco é muito diferente entre indicações: dose oncológica de antirreabsortivo tem risco bem maior que dose para osteoporose
A medida com melhor evidência é preventiva: adequação bucal ANTES de iniciar a terapia antirreabsortiva, com eliminação de focos e cicatrização completa
Já em uso: procedimentos invasivos exigem avaliação de risco, técnica atraumática, e conduta compartilhada com o médico assistente — a suspensão do fármaco não é decisão do dentista e não tem benefício estabelecido em todo cenário
Estadiamento (0 a 3) da AAOMS orienta a conduta: de conservador com controle de infecção e higiene, até ressecção em casos avançados
Não deixar de tratar infecção ativa por medo do MRONJ: foco infeccioso é fator de risco para a própria osteonecrose
Conduta inicial
1Perguntar ativamente e por nome: bifosfonato oral e endovenoso, denosumabe, antiangiogênicos, com indicação (osteoporose ou oncológica), dose, via e tempo de uso.
2Paciente que ainda não iniciou a terapia: fazer adequação bucal completa e programar o início após cicatrização, em conjunto com o médico.
3Paciente em uso, com necessidade de procedimento invasivo: avaliar risco, priorizar alternativas menos invasivas quando possível, e discutir com o médico assistente.
4Procedimento indicado: técnica atraumática, regularização óssea, fechamento primário quando possível, e acompanhamento próximo até a cicatrização.
5Suspeita de MRONJ: estadiar conforme a AAOMS, controlar infecção e dor, orientar higiene e antisséptico, e evitar procedimento cirúrgico agressivo em estágios iniciais.
6Encaminhar a cirurgia bucomaxilofacial e manter comunicação documentada com a equipe oncológica/clínica.
7Manter o paciente em programa de manutenção preventiva — prevenir a necessidade de exodontia é a estratégia central.
Exames
Radiografia panorâmica e periapical; tomografia de feixe cônico ou tomografia computadorizada para extensão e sequestro ósseo
Documentação do tempo de exposição ao fármaco, dose e indicação, obtida com o médico assistente
Avaliação de infecção associada e, quando indicado, cultura
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — a conduta depende do estágio e é compartilhada com a equipe médica. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Dieta
Dieta macia enquanto houver área exposta ou dor ___
Medicamentos
Bochecho antisséptico (clorexidina 0,12%) para controle do biofilme sobre a área exposta ___
Antibiótico quando houver infecção associada — esquema e duração a definir ___
Analgesia conforme necessidade ___
NÃO suspender o antirreabsortivo por conta do procedimento — decisão do médico assistente ___
Recomendações
Higiene meticulosa e retornos frequentes ___
Evitar trauma sobre a área exposta (prótese, alimentos duros) ___
Retorno imediato se dor, aumento da área exposta, secreção ou edema
Exames
Imagem de controle em ___ meses
Referências
[1]American Association of Oral and Maxillofacial Surgeons' Position Paper on Medication-Related Osteonecrosis of the Jaws — 2022 Update (Ruggiero et al., Journal of Oral and Maxillofacial Surgery 2022;80(5):920-943)
[2]Evidence-based clinical practice guideline on antibiotic use for the urgent management of pulpal- and periapical-related dental pain and intraoral swelling, American Dental Association (JADA 2019)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.