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Emergências médicas no consultório odontológico — síncope, hipoglicemia e anafilaxia
O paciente passou mal na cadeira: como reconhecer o que é, o que fazer nos primeiros minutos e o que precisa estar no consultório antes de acontecer?
Red flags — sinais de gravidade
Perda de consciência que não recupera rápido com posicionamento — não é síncope simples, acionar emergência
Sinais de anafilaxia (urticária com dispneia, edema de língua/laringe, hipotensão, vômito): adrenalina intramuscular imediatamente, sem esperar 'ver se melhora'
Dor torácica, dispneia, sudorese e mal-estar em paciente com fator de risco — suspeitar de síndrome coronariana aguda e acionar emergência
Déficit neurológico focal súbito (fraqueza de um lado, fala alterada, assimetria facial): suspeita de AVC, tempo é cérebro
Erro comum: dar açúcar por via oral a paciente com rebaixamento de consciência — risco de aspiração
Kit de emergência vencido ou incompleto e equipe sem treino: o problema aparece justamente no pior momento
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
A emergência mais frequente no consultório odontológico é a síncope vasovagal — reconhecer e posicionar resolve a maioria dos casos
Preparação vale mais que improviso: kit de emergência conferido e com validade, oxigênio disponível, equipe treinada, telefone de emergência acessível e ficha de saúde atualizada
Oxigênio é o recurso mais usado em quase todas as emergências; adrenalina é o fármaco injetável mais importante do kit, para anafilaxia e broncoespasmo grave refratário
Prevenção começa na anamnese: comorbidades, medicamentos, alergias caracterizadas, jejum prolongado, ansiedade e episódios prévios
Anestesia eficaz e controle de ansiedade reduzem a maior parte dos eventos ligados a estresse
Registrar tudo: horário, sinais, condutas, sinais vitais e desfecho — o registro é parte do atendimento
Conduta inicial
1Parar o procedimento, remover o que estiver na boca, chamar a equipe e avaliar responsividade, respiração e pulso.
2Síncope: posicionar em decúbito dorsal com elevação de membros inferiores, garantir via aérea, oxigênio, monitorar sinais vitais e reavaliar; a recuperação costuma ser rápida.
3Hipoglicemia com paciente consciente e capaz de deglutir: carboidrato de absorção rápida por via oral. Paciente inconsciente: não oferecer nada por via oral, acionar emergência e usar glucagon se disponível e treinado.
4Anafilaxia: adrenalina intramuscular na face anterolateral da coxa imediatamente, posicionar, oxigênio, acionar emergência e considerar dose adicional conforme protocolo.
5Broncoespasmo: broncodilatador inalatório, posição sentada, oxigênio; sem resposta, tratar como crise grave e acionar emergência.
6Crise convulsiva: proteger o paciente, não conter nem colocar objetos na boca, cronometrar e acionar emergência conforme duração e protocolo.
7Acionar serviço de emergência sempre que houver dúvida — e registrar todo o atendimento no prontuário.
Exames
Aferição de pressão arterial, frequência cardíaca e saturação durante o evento
Glicemia capilar quando disponível, em suspeita de hipoglicemia
Ficha de saúde atualizada com comorbidades, medicações e alergias caracterizadas
Checagem periódica documentada do kit de emergência e da validade dos fármacos
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — condutas de emergência seguem o protocolo institucional e a formação da equipe. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Medicamentos
Oxigênio suplementar disponível e conferido ___
Adrenalina para uso intramuscular (anafilaxia) — apresentação e dose conforme peso/idade ___
Broncodilatador inalatório de curta ação ___
Carboidrato de absorção rápida por via oral e glucagon, para hipoglicemia ___
Recomendações
Kit de emergência conferido periodicamente, com registro de validade ___
Equipe treinada em suporte básico de vida, com reciclagem periódica ___
Ficha de saúde revisada a cada consulta; alergias caracterizadas e destacadas ___
Encaminhar o paciente para avaliação médica após qualquer evento, mesmo com recuperação completa
Referências
[1]Medical Emergencies in the Dental Office, ADA Oral Health Topics, American Dental Association
[2]Drug Prescribing for Dentistry — Dental Clinical Guidance (seção de emergências médicas), Scottish Dental Clinical Effectiveness Programme (SDCEP)
[3]Preparing for Medical Emergencies, The Journal of the American Dental Association (JADA)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.