reparo de restauracaosubstituicao de restauracaoresina compostarestauracao posteriorlongevidadefalha de restauracaocarie secundariafratura de restauracaociclo restauradormanchamento marginaldentisticaodontologiaestudar
Reparar ou substituir a restauração — longevidade da resina composta em dente posterior
Restauração de resina antiga, com margem manchada e um lascado: eu troco tudo, reparo ou deixo em observação?
Red flags — sinais de gravidade
Trocar restauração por manchamento marginal isolado não tem sustentação — 12 anos de ensaio clínico mostram que intervir no defeito localizado não mudou o desfecho
Substituir sem controlar o risco de cárie do paciente recomeça o ciclo restaurador com o mesmo destino, porque cárie secundária é a principal causa de falha
Cada substituição remove mais estrutura dentária: a cavidade só cresce, e o próximo passo depois da resina extensa costuma ser mais invasivo
Bruxismo não identificado no plano é a causa de falha por fratura que vai voltar
Vender restauração indireta em compósito como mais durável que a direta não se sustenta: risco relativo de falha 0,61 (IC95% 0,47–0,79) a favor da direta, com nível de evidência muito baixo e alto risco de viés em todos os estudos — a comparação não inclui cerâmica
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Meta-análise de reparo vs. substituição: não achou diferença significativa no risco de falha, RR 1,21 (IC95% 0,51–2,83), nem em resina composta nem em amálgama — mas são só 3 estudos, com alto risco de viés e certeza muito baixa; os próprios autores pedem mais estudos antes de conclusão definitiva
Reparar entra no princípio de intervenção mínima — poupa estrutura dentária, e o risco de falha parece semelhante ao de substituir, com a ressalva da certeza muito baixa
Em restaurações classe I e II de posterior, 90% dos estudos com pelo menos 5 anos mostram taxa de falha anual entre 1% e 3%
Meta-análise de 88 estudos prospectivos: falha anual média de 1,46% no curto prazo e 1,97% no longo prazo
As duas razões principais de falha são cárie secundária (ligada ao risco de cárie do paciente) e fratura (ligada a bruxismo, forramento e resistência do material)
O material pesa menos que o conjunto paciente-dente-operador na longevidade
Em série de consultório com até 33 anos, a taxa de sucesso foi de 48% e a de sobrevivência 73%, com 353 falhas e 183 substituições — reparo foi intervenção frequente depois da falha, não exceção
Restauração maior e molar superior tiveram risco de falha mais alto na série de 33 anos
Ensaio de 12 anos: repolir e ajustar defeito localizado não mudou a condição clínica nem a longevidade em relação a apenas observar
Conduta inicial
1Separar o que é sinal de envelhecimento (manchamento de superfície e de margem, desgaste, lascamento, mudança de translucidez) do que é falha real — os dois coexistem com desempenho clinicamente satisfatório.
2Procurar sinal objetivo de falha: cavidade, fenda ampla com dentina amolecida, fratura com perda de contorno ou de contato, lesão radiográfica associada.
3Sem sinal objetivo, registrar o achado e manter em acompanhamento, com foto ou anotação que permita comparar no retorno.
4Com defeito localizado e restante da restauração íntegro, preferir o reparo à substituição total.
5Antes de qualquer opção operatória, revisar o que causou a falha: risco de cárie, higiene, dieta, hábitos parafuncionais e oclusão.
6Registrar no prontuário o motivo da intervenção — é o que evita repetir a troca por hábito no próximo retorno.
7Sinalizar ao paciente, antes de restauração direta extensa, que o tamanho da restauração e o dente envolvido mudam o prognóstico.
Exames
Exame visual e radiográfico da restauração e da margem, comparado com registro anterior quando houver
Radiografia interproximal para lesão proximal associada e para avaliar a margem cervical
Avaliação de contatos oclusais e de sinais de parafunção (facetas de desgaste, linha alba, hipertrofia de masseter)
Teste de sensibilidade pulpar quando houver sintoma associado ao elemento
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — a decisão entre observar, reparar e substituir depende do achado clínico do elemento, não de protocolo fixo. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Dieta
Reduzir a frequência de açúcar entre refeições ___
Medicamentos
Dentifrício fluoretado com no mínimo 1.000 ppm de flúor, 2x/dia ___
Dentifrício de alta concentração de flúor no paciente de alto risco de cárie, se indicado ___
Recomendações
Placa oclusal para controle de parafunção, se houver indicação após avaliação ___
Higiene dirigida à margem da restauração, com fio dental na face proximal ___
Retorno para reavaliação do elemento em ___ meses
Exames
Radiografia interproximal de controle em ___ meses
Referências
[1]Risk of failure of repaired versus replaced defective direct restorations in permanent teeth: a systematic review and meta-analysis, Mendes LT, Pedrotti D, Casagrande L, Lenzi TL, Clin Oral Investig 2022;26(7):4917-4927
[2]Longevity of posterior composite restorations: not only a matter of materials, Demarco FF et al., Dent Mater 2012;28(1):87-101
[3]Survival of direct resin restorations in posterior teeth within a 19-year period (1996-2015): A meta-analysis of prospective studies, Beck F et al., Dent Mater 2015;31(8):958-85
[4]Clinical performance of posterior resin composite restorations after up to 33 years, Da Rosa Rodolpho PA et al., Dent Mater 2022;38(4):680-688
[5]Effect of Refurbishing Amalgam and Resin Composite Restorations After 12 Years: Controlled Clinical Trial, Estay J et al., Oper Dent 2017;42(6):587-595
[6]Longevity of posterior direct versus indirect composite restorations: A systematic review and meta-analysis, Tennert C et al., Dent Mater 2024;40(11):e95-e101
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.