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Sialolitíase e obstrução salivar — a glândula que incha na hora da refeição

Paciente que incha embaixo da mandíbula toda vez que come e desincha depois: é cálculo salivar? Precisa tirar a glândula?

Red flags — sinais de gravidade

  • Inchaço prandial persistente por anos não é sinônimo de cálculo: há relato de paciente rotulada como sialolitíase por uma década cuja peça revelou carcinoma adenoide cístico acompanhado de sialólito
  • Massa endurecida, fixa, de crescimento progressivo ou com paralisia facial associada muda completamente a hipótese — não é obstrução simples
  • Paciente que volta a obstruir depois do procedimento precisa ser reavaliado para fragmento residual, não tratado como recidiva sem causa
  • Sinais de infecção aguda com febre, celulite cervical e comprometimento do estado geral são de encaminhamento, não de conduta ambulatorial expectante
  • Cálculo não palpável, fixo ou invisível à endoscopia é o cenário de maior dificuldade técnica e pede serviço com recursos avançados
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • A sialolitíase é a causa mais comum de sialadenite obstrutiva sintomática
  • A distribuição por glândula nas séries de litotripsia foi 65,1% submandibular e 34,8% parótida
  • O diâmetro máximo médio do cálculo nessas séries foi de 7,11 mm, variando de 2 a 17 mm
  • Sialendoscopia isolada resolveu a obstrução em 76% (IC95% 71–82) em 2.654 pacientes; a abordagem combinada chegou a 91% (IC95% 88–94)
  • A taxa de remoção da glândula nessa revisão foi baixa, de 4,6% — a conduta endoscópica é preservadora
  • Litotripsia assistida por laser com sialendoscopia teve sucesso médio de 87,3% e preservação glandular de 97%
  • Em cálculos hilares submandibulares, a remoção transoral teve sucesso em 96% dos casos, com resolução completa dos sintomas em 94%
  • Remoção incompleta do cálculo prediz recorrência dos sintomas obstrutivos de forma estatisticamente significativa — achado de série composta só por cálculos de parótida, que não se estende automaticamente à submandibular
  • Complicações reais do manejo transoral incluem rânula iatrogênica em 4%, paralisia transitória do nervo lingual em 2,7% e abscesso cervical em 1,3%

Conduta inicial

  1. 1Caracterizar o sintoma: relação com a refeição, tempo de instalação, lado, e se o inchaço regride entre as crises.
  2. 2Palpar bimanualmente o assoalho de boca no trajeto do ducto submandibular e ordenhar o ducto observando a saída de saliva.
  3. 3Inspecionar a papila do ducto procurando saída de pus, ausência de fluxo ou cálculo visível.
  4. 4Diferenciar obstrução de massa: lesão endurecida, fixa ou de crescimento progressivo sai da hipótese de sialolitíase.
  5. 5Solicitar imagem para localizar e dimensionar o cálculo antes de qualquer tentativa de remoção.
  6. 6Encaminhar para serviço com sialendoscopia ou cirurgia quando o cálculo não for acessível por manobra simples.
  7. 7Reavaliar depois do tratamento, lembrando que remoção incompleta é o que prediz recorrência.

Exames

  • Palpação bimanual do assoalho de boca e ordenha do ducto, com registro do que sai pela papila
  • Exame de imagem para localizar e dimensionar o cálculo e avaliar a glândula
  • Reavaliação após o tratamento, para confirmar ausência de fragmento residual
  • Investigação adicional quando há massa endurecida, fixa ou sintoma persistente sem cálculo identificado

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — o manejo definitivo depende da localização e do tamanho do cálculo e dos recursos do serviço. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Dieta

  • Hidratação adequada ao longo do dia ___

Medicamentos

  • Analgésico conforme a necessidade e o perfil do paciente ___
  • Antibiótico apenas se houver sinais de infecção bacteriana estabelecida, com escolha conforme avaliação ___

Recomendações

  • Massagem da glândula no sentido do ducto e calor local, conforme orientação ___
  • Procurar atendimento se surgir febre, aumento rápido do volume ou dificuldade para engolir ___
  • Retorno para reavaliação em ___ semanas

Exames

  • Exame de imagem para localizar o cálculo ___

Referências

  1. [1]Management of obstructive salivary disorders by sialendoscopy: a systematic review, Atienza G & Lopez-Cedrun JL, Br J Oral Maxillofac Surg 2015;53(6):507-519
  2. [2]Laser-Assisted Lithotripsy With Sialendoscopy: Systematic Review of YO-IFOS Head and Neck Study Group, Chiesa-Estomba CM et al., Ear Nose Throat J 2021;100(1_suppl):42S-50S
  3. [3]Removal of submandibular hilar stones using a sialendoscope and a high-definition endoscope: Our experience and outcomes, Suzuki T, Sato T, Tateda Y, Ohta N, Auris Nasus Larynx 2026;53(1):146-151
  4. [4]Sialendoscopy-assisted combined approach for parotid sialolithotomy: Our long-term experience, Xie L et al., Oral Dis 2023;29(1):165-174
  5. [5]Adenoid Cystic Carcinoma With Sialolithiasis of the Left Submandibular Gland: A Case Report and Literature Review, Miyabe S et al., Int J Surg Pathol 2019;27(3):305-310

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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