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Estomatite protética — o palato vermelho embaixo da prótese, que quase nunca dói e quase sempre é achado

Tirei a prótese total do paciente e o palato está todo vermelho, mas ele não se queixa de nada: preciso tratar? Antifúngico resolve?

Red flags — sinais de gravidade

  • Ausência de queixa não afasta o diagnóstico: examinar o palato com a prótese removida faz parte de toda consulta de quem usa prótese
  • Antifúngico sem sanitização da prótese deixa o reservatório intacto — a prótese colonizada por Candida é o que mantém a lesão
  • Estomatite recorrente ou refratária pede investigação e controle do diabetes junto ao médico assistente
  • Resistência antifúngica não é teórica: cepas resistentes a voriconazol e com sensibilidade dose-dependente a fluconazol já foram isoladas — falha terapêutica justifica cultura
  • Área eritematosa que não melhora com sanitização e ajuste da prótese não pode ser tratada indefinidamente como estomatite: é indicação de reavaliação e eventualmente de biópsia
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • É muito comum em usuários de prótese removível, com prevalência mundial na faixa de 20% a 67%
  • A classificação de Newton, usada na série clínica de Qiu e colaboradores, tem três tipos: hiperemia puntiforme, hiperemia difusa e hiperemia granular — nessa série predominaram os tipos I e II
  • As causas identificadas na revisão sistemática são o tipo de prótese, o uso contínuo e a formação de biofilme de Candida, facilitada por higiene deficiente
  • Candida albicans é a espécie mais prevalente, tanto na mucosa quanto na prótese
  • A infecção fúngica frequentemente ocorre sem sintoma subjetivo — é achado de exame, não de queixa
  • Diabéticos têm chance significativamente maior de estomatite protética (OR 1,92; IC95% 1,42–2,59), embora a certeza da evidência seja muito baixa
  • Em pacientes sem doença sistêmica, fluxo salivar e umidade da mucosa não diferiram entre quem tinha e quem não tinha a lesão; a diferença estava em Candida na saliva e na superfície da prótese
  • Daí a conclusão operacional: o tratamento foca primeiro na sanitização da prótese existente ou na confecção de uma nova
  • Em ensaio cruzado com 50 usuários, imersão diária em hipoclorito de sódio 0,1% e 0,2% reduziu significativamente o biofilme, e todas as soluções testadas reduziram os sinais clínicos

Conduta inicial

  1. 1Remover a prótese e examinar toda a mucosa de suporte, classificando o padrão da hiperemia.
  2. 2Examinar também a prótese: adaptação, estabilidade, presença de biofilme e cálculo, e estado da base.
  3. 3Perguntar sobre o hábito de dormir com a prótese e sobre como o paciente a higieniza, na prática e não em teoria.
  4. 4Instituir protocolo de higiene da prótese com escovação e imersão em solução adequada, demonstrando ao paciente ou ao cuidador.
  5. 5Corrigir a adaptação da prótese ou planejar a substituição quando ela for o fator mantenedor.
  6. 6Reservar o antifúngico para os casos em que ele está indicado, sempre junto da sanitização, nunca no lugar dela.
  7. 7Reavaliar em intervalo curto e, se não houver melhora, reconsiderar o diagnóstico e a necessidade de investigação adicional.

Exames

  • Exame da mucosa de suporte com a prótese removida, com classificação do padrão de hiperemia
  • Avaliação da adaptação, estabilidade e higiene da prótese
  • Cultura e teste de sensibilidade a antifúngicos quando há falha terapêutica ou recorrência
  • Reavaliação clínica programada para conferir a resposta à sanitização

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — concentração, tempo de imersão e indicação de antifúngico dependem do caso, do material da prótese e da avaliação. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Medicamentos

  • Antifúngico tópico, escolha e posologia conforme avaliação, sempre associado à sanitização da prótese ___
  • Solução para imersão da prótese, concentração e tempo conforme o material da prótese e a orientação ___

Recomendações

  • Escovar a prótese com escova própria após as refeições ___
  • Remover a prótese durante o período de repouso noturno, conforme orientação ___
  • Envolver o cuidador na higiene quando o paciente depende de terceiros ___
  • Retorno para reavaliação da mucosa em ___ semanas

Exames

  • Reavaliação clínica da mucosa de suporte em ___ semanas

Referências

  1. [1]A Systematic Review of Denture Stomatitis: Predisposing Factors, Clinical Features, Etiology, and Global Candida spp. Distribution, Peric M et al., J Fungi (Basel) 2024;10(5):328
  2. [2]Candida-associated denture stomatitis: clinical, epidemiological, and microbiological features, Qiu J et al., Braz J Microbiol 2023;54(2):841-848
  3. [3]Oral candidiasis and denture stomatitis in diabetic patients: Systematic review and meta-analysis, Martorano-Fernandes L et al., Braz Oral Res 2020;34:e113
  4. [4]Clinical and histological findings of denture stomatitis as related to intraoral colonization patterns of Candida albicans, salivary flow, and dry mouth, Altarawneh S et al., J Prosthodont 2013;22(1):13-22
  5. [5]Effect of sodium hypochlorite and Ricinus communis solutions on control of denture biofilm: A randomized crossover clinical trial, Arruda CNF et al., J Prosthet Dent 2017;117(6):729-734

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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