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Periodontite estágio IV — quando a sequela já é migração dentária e colapso de mordida

Adulto cujos dentes da frente abriram espaço e 'foram para a frente' nos últimos anos: dá para alinhar isso? Por onde começar?

Red flags — sinais de gravidade

  • Migração dentária, diastemas novos, extrusão e mordida em colapso em adulto são sinal de perda de suporte avançada — encaminhar ao periodontista antes de qualquer plano ortodôntico ou protético
  • Não iniciar movimentação ortodôntica sem controle inflamatório: a evidência favorável vem de paciente com periodontite tratada e estável, não de doença ativa
  • Esplintar dente móvel na expectativa de salvá-lo não tem respaldo — não melhorou a sobrevida
  • Reabilitar com implantes quem tem história de periodontite estágio IV carrega risco documentado de peri-implantite entre 10% e 50%, e o paciente precisa saber disso antes de decidir
  • Alinhar dentes migrados sem tratar a causa devolve a estética e mantém a doença que produziu a migração
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • O estágio IV compartilha a gravidade e a complexidade do estágio III e acrescenta as sequelas anatômicas e funcionais da perda de inserção e de dentes — migração, inclinação e colapso de mordida
  • A diretriz S3 da EFP para o estágio IV foi construída sobre 13 revisões sistemáticas encomendadas, com metodologia GRADE e consenso estruturado
  • As recomendações cobrem movimentação ortodôntica, esplintagem, ajuste oclusal, próteses fixas ou removíveis sobre dente ou implante e terapia periodontal de suporte
  • O componente periodontal do tratamento segue a diretriz de estágios I–III: o estágio IV não substitui a terapia por passos, acrescenta-se a ela
  • A diretriz coloca como criticamente importante o diagnóstico completo e as reavaliações frequentes durante e depois do tratamento
  • Movimentação ortodôntica em dentes patologicamente migrados associou-se a ganho de inserção clínica e redução de profundidade de sondagem em metanálise de 30 estudos, sem efeitos adversos consideráveis
  • Em pacientes com periodontite já tratada e estável, a movimentação ortodôntica não teve impacto significativo sobre os desfechos periodontais
  • Esplintagem não melhorou a sobrevida de dentes móveis em periodontite avançada: 8,4% de perda entre esplintados contra 10,1% entre não esplintados em 2 anos
  • Peri-implantite afetou de 10% a 50% dos pacientes reabilitados com prótese fixa implantossuportada

Conduta inicial

  1. 1Fechar o diagnóstico periodontal completo antes de qualquer discussão estética ou protética, com sondagem de boca toda e radiografias.
  2. 2Registrar as sequelas separadamente: migração, inclinação, extrusão, mobilidade, perda de contatos e colapso de dimensão vertical.
  3. 3Conduzir primeiro a terapia periodontal, seguindo a sequência por passos, e só reavaliar o plano reabilitador depois de obtida estabilidade.
  4. 4Explicar ao paciente que a migração é consequência da perda de suporte, e que corrigir a posição sem tratar a causa não resolve.
  5. 5Planejar a fase interdisciplinar em conjunto — periodontia, ortodontia e reabilitação — e não em etapas isoladas decididas por especialistas que não conversam.
  6. 6Discutir o risco de peri-implantite antes de indicar reabilitação com implantes nesse perfil de paciente.
  7. 7Definir desde o início o programa de terapia periodontal de suporte, porque é ele que sustenta o resultado a longo prazo.

Exames

  • Sondagem periodontal de boca toda com registro de profundidade, sangramento, recessão, mobilidade e envolvimento de furca
  • Radiografias periapicais completas para avaliar o padrão e a extensão da perda óssea
  • Registro fotográfico e modelos para documentar a migração e planejar a fase interdisciplinar
  • Reavaliação após a terapia periodontal, antes de iniciar movimentação ortodôntica ou reabilitação

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — o plano interdisciplinar depende do caso e da avaliação conjunta dos especialistas envolvidos. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Medicamentos

  • Controle químico do biofilme como adjuvante, se indicado na fase de terapia ativa ___

Recomendações

  • Instrução individualizada de higiene, incluindo limpeza interdental com dispositivo adequado ao espaço ___
  • Cessação do tabagismo e controle dos fatores de risco modificáveis ___
  • Programa de terapia periodontal de suporte definido antes do início da fase reabilitadora, com intervalo de ___ meses

Exames

  • Reavaliação periodontal após a terapia ativa, antes da fase reabilitadora ___

Referências

  1. [1]Treatment of stage IV periodontitis: The EFP S3 level clinical practice guideline, Herrera D, Sanz M, Kebschull M, et al., J Clin Periodontol 2022;49 Suppl 24:4-71
  2. [2]Effect of periodontal-orthodontic treatment of teeth with pathological tooth flaring, drifting, and elongation in patients with severe periodontitis: A systematic review with meta-analysis, Papageorgiou SN et al., J Clin Periodontol 2022;49 Suppl 24:102-120
  3. [3]Effect of orthodontic therapy in periodontitis and non-periodontitis patients: a systematic review with meta-analysis, Martin C et al., J Clin Periodontol 2022;49 Suppl 24:72-101
  4. [4]Efficacy of tooth splinting and occlusal adjustment in patients with periodontitis exhibiting masticatory dysfunction: A systematic review, Dommisch H et al., J Clin Periodontol 2022;49 Suppl 24:149-166
  5. [5]Efficacy of rehabilitation with different approaches of implant-supported full-arch prosthetic designs: A systematic review, Ramanauskaite A et al., J Clin Periodontol 2022;49 Suppl 24:272-290

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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