Sinusite maxilar de origem odontogênica — a sinusite unilateral que não melhora com antibiótico
Paciente com sinusite de um lado só que já tomou vários antibióticos e não melhora: pode ser do dente? Como eu confirmo?
Red flags — sinais de gravidade
Edema ou eritema periorbitário, proptose, dor à movimentação ocular ou alteração visual indicam complicação orbitária — encaminhamento hospitalar de urgência
Cerca de 70% das complicações extra-sinusais da sinusite odontogênica são orbitárias, e a causa mais comum foi periodontite apical de molar superior
Cefaleia intensa, alteração de consciência ou déficit focal sugerem complicação intracraniana
Opacificação maxilar unilateral deve sempre acionar avaliação odontológica, mesmo quando a tomografia não mostra anormalidade dentária evidente
Repetir ciclos de antibiótico para uma sinusite unilateral sem investigar o dente é o erro que mantém o paciente doente por meses
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Cerca de 15% das rinossinusites agudas seriam odontogênicas, e aproximadamente um quarto das sinusites maxilares crônicas atribuíveis a patologia dentária
Em opacificação unilateral do seio maxilar, séries de tomografia mostram de 45% a 72% de origem odontogênica, e metanálise aponta cerca de 50%
Em coorte de 968 sinusites maxilares por tomografia, 26,96% eram odontogênicas; havendo lesão odontogênica concomitante em sinusite unilateral, a proporção chegou a 79,63%
A sinusite odontogênica é mais grave: escore de Lund-Mackay significativamente maior que na não odontogênica, e o primeiro molar foi o dente mais envolvido
O predomínio unilateral, o odor fétido, a pressão facial ipsilateral e o pus no meato médio são achados especialmente ligados à origem odontogênica
O consenso internacional divide o trabalho: o otorrinolaringologista confirma a sinusite, o cirurgião-dentista confirma a patologia dentária, e a colaboração é geralmente necessária
Muitas lesões dentárias não são identificáveis na tomografia convencional; a TCFC tem sensibilidade maior para a lesão e sua relação com o assoalho do seio
Espessamento mucoso isolado não fecha diagnóstico: é preciso identificar a lesão odontogênica e comprovar a correlação com a lesão sinusal
Antibiótico isolado dificilmente cura — o tratamento endereça a causa dentária, e em série comparativa a terapia combinada foi superior à cirurgia isolada na forma crônica
Conduta inicial
1Diante de sinusite maxilar unilateral persistente, examinar sistematicamente os dentes superiores posteriores do lado acometido.
2Testar vitalidade pulpar, percussão e mobilidade, e procurar lesão periapical, doença periodontal avançada, fístula e histórico de exodontia ou implante na região.
3Solicitar a imagem adequada para avaliar a relação entre a lesão dentária e o assoalho do seio.
4Não concluir origem odontogênica apenas por espessamento mucoso: é preciso a lesão dentária e a correlação entre as duas.
5Tratar a causa dentária identificada, porque é ela que sustenta a resolução.
6Articular o caso com o otorrinolaringologista, já que a confirmação da sinusite e a decisão sobre cirurgia endoscópica são dele.
7Reavaliar depois do tratamento dentário e manter o acompanhamento conjunto até a resolução.
Exames
Exame clínico dos dentes superiores posteriores do lado acometido, com teste de vitalidade e percussão
Imagem adequada para avaliar a lesão dentária e sua relação com o assoalho do seio maxilar
Avaliação otorrinolaringológica, incluindo endoscopia nasal, para confirmar a sinusite
Reavaliação por imagem após o tratamento da causa dentária, em conjunto com o otorrinolaringologista
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — o tratamento é compartilhado com o otorrinolaringologista e depende da causa dentária identificada. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Medicamentos
Antibioticoterapia conforme avaliação e protocolo do serviço, sempre associada ao tratamento da causa dentária ___
Analgesia conforme a necessidade e o perfil do paciente ___
Recomendações
Explicar ao paciente que a resolução depende de tratar o dente, e não de mais um ciclo de antibiótico ___
Procurar atendimento imediato se surgir alteração visual, edema ao redor do olho ou cefaleia intensa ___
Retorno para reavaliação conjunta em ___ semanas
Exames
Imagem para avaliar a relação entre a lesão dentária e o seio maxilar ___
Encaminhamento para avaliação otorrinolaringológica ___
Referências
[1]Diagnosing odontogenic sinusitis: An international multidisciplinary consensus statement, Craig JR, Poetker DM, Aksoy U, et al., Int Forum Allergy Rhinol 2021;11(8):1235-1248
[2]Management of odontogenic sinusitis: multidisciplinary consensus statement, Craig JR, Tataryn RW, Aghaloo TL, Pokorny AT, Gray ST, Mattos JL, Poetker DM, Int Forum Allergy Rhinol 2020;10(7):901-912
[3]Expert consensus on odontogenic maxillary sinusitis multi-disciplinary treatment, Lin J et al., Int J Oral Sci 2024;16(1):11
[4]Characteristics and risk factors in odontogenic maxillary sinusitis from different dental infections: a retrospective study based on sinus CT imaging, Zhao Y et al., BMC Oral Health 2025;25(1):308
[5]Extrasinus Complications From Odontogenic Sinusitis: A Systematic Review, Craig JR, Cheema AJ, Dunn RT, Vemuri S, Peterson EL, Otolaryngol Head Neck Surg 2022;166(4):623-632
[6]Retrospective comparison of first-line treatments for odontogenic sinusitis based on duration of symptoms, Kwon KW, Gwak JW, Chung YS, Acta Otorhinolaryngol Ital 2024;44(2):91-99
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.