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Sensibilidade pós-operatória em restauração de resina — o que a técnica muda e o que o forramento não resolve

Paciente voltou com o dente sensível depois da resina. Foi a técnica? Adianta ter forrado a cavidade? E quando isso deixa de ser sensibilidade e vira pulpite?

Red flags — sinais de gravidade

  • Dor espontânea, dor que acorda o paciente à noite ou dor que persiste depois de retirado o estímulo aponta para pulpite irreversível, não para sensibilidade pós-operatória — o caminho é reavaliar o diagnóstico pulpar
  • Dor à percussão vertical e sensação de dente 'alto' sugerem trauma oclusal por contato prematuro, que se ajusta, não se espera passar
  • Sensibilidade que aparece semanas depois de uma restauração assentada e ajustada merece nova avaliação, incluindo fratura de cúspide e infiltração marginal
  • Insistir em trocar a restauração repetidamente sem revisar diagnóstico pulpar e oclusão expõe o dente a perda estrutural evitável
  • Sensibilidade acompanhada de edema, fístula ou mobilidade não é queixa restauradora — é infecção e pede conduta própria
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Revisão sistemática com metanálise de 14 ensaios randomizados comparou resina em incrementos e técnica bulk-fill em restaurações classe I e II de posteriores; a maioria dos estudos tinha risco de viés incerto
  • Para o desfecho combinado retenção/fratura, que foi o desfecho primário da revisão, a diferença de risco foi 0,00 (IC 95% −0,01 a 0,01) em 1 a 1,5 ano, 0,00 (IC 95% −0,02 a 0,02) em 2 a 3 anos e 0,05 (IC 95% −0,08 a 0,18) em 5 anos ou mais — nenhuma estatisticamente significativa
  • Para sensibilidade pós-operatória, a diferença de risco foi 0,04 (IC 95% −0,02 a 0,10) até 30 dias e praticamente zero em 1 a 3 anos; a certeza da evidência foi graduada como moderada
  • A leitura é direta: escolher entre bulk-fill e incremental não é o que decide a sensibilidade pós-operatória nem a sobrevida da restauração
  • Sobre forramento, a revisão Cochrane de 2019 incluiu oito estudos e mais de 700 participantes comparando uso de forrador com nenhum forrador sob resina classe I e II
  • A evidência sobre hipersensibilidade pós-operatória foi inconsistente e de baixa qualidade, com benefício aparecendo em alguns momentos de avaliação e não em outros
  • Quatro ensaios mediram longevidade da restauração e não mostraram diferença nas taxas de falha em 1 ano — em três deles não houve nenhuma falha em qualquer dos grupos — e nem em 2 anos
  • Nenhum evento adverso foi relatado nos estudos incluídos nessa revisão de forradores

Conduta inicial

  1. 1Refazer o diagnóstico pulpar e periapical antes de atribuir a queixa à restauração.
  2. 2Checar oclusão em máxima intercuspidação e em movimentos excursivos, e ajustar contato prematuro quando presente.
  3. 3Perguntar o padrão da dor: provocada e fugaz aponta para um cenário; espontânea e prolongada aponta para outro.
  4. 4Explicar ao paciente que sensibilidade provocada e de curta duração nas primeiras semanas é comum e tende a diminuir, sem prometer prazo fixo.
  5. 5Não trocar a restauração por sensibilidade isolada sem sinal objetivo de falha — a evidência não sustenta que a técnica de inserção ou o forramento resolvam isso.
  6. 6Marcar reavaliação em prazo curto e registrar a evolução, para separar o quadro que melhora do que progride.
  7. 7Se o quadro evoluir para pulpite irreversível, tratar como urgência endodôntica em vez de repetir procedimento restaurador.

Exames

  • Testes de sensibilidade pulpar (frio) comparando com dentes controle
  • Teste de percussão vertical e horizontal, e palpação apical
  • Avaliação da oclusão com papel carbono, estática e dinâmica
  • Radiografia periapical quando houver suspeita de comprometimento pulpar ou periapical
  • Reavaliação clínica programada, com registro da evolução da dor

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — analgesia é medida de ponte, e não substitui o diagnóstico pulpar. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Dieta

  • Evitar temperaturas extremas no lado tratado enquanto houver sensibilidade ___

Medicamentos

  • Analgésico/anti-inflamatório conforme avaliação individual, dose e intervalo a definir ___ (checar contraindicações, comorbidades e interações)
  • Dentifrício dessensibilizante de uso domiciliar ___

Recomendações

  • Retornar antes do previsto se a dor virar espontânea ou noturna ___
  • Evitar mastigação forte no lado tratado por ___ dias
  • Reavaliação clínica e de oclusão em ___ dias

Exames

  • Reavaliação com teste de sensibilidade pulpar em ___ dias

Referências

  1. [1]Is the clinical performance of composite resin restorations in posterior teeth similar if restored with incremental or bulk-filling techniques? A systematic review and meta-analysis, Kunz PVM, Wambier LM, Kaizer MR, Correr GM, Reis A, Gonzaga CC, Clin Oral Investig 2022;26(3):2281-2297 (doi:10.1007/s00784-021-04337-1)
  2. [2]Dental cavity liners for Class I and Class II resin-based composite restorations, Schenkel AB & Veitz-Keenan A, Cochrane Database Syst Rev 2019;3(3):CD010526 (doi:10.1002/14651858.CD010526.pub3)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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