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Restauração de lesão cervical não cariosa — a estratégia adesiva que segura a retenção a longo prazo

A restauração cervical do paciente cai de novo. Qual estratégia adesiva tem a melhor retenção, e vale mais condicionar o esmalte ou usar ionômero?

Red flags — sinais de gravidade

  • Restaurar a lesão sem identificar a causa — erosão ácida, escovação traumática, parafunção — devolve o paciente com a mesma perda avançando ao lado da restauração
  • Lesão cervical com dor persistente e desproporcional pode ter componente pulpar, e restaurar sem testar sensibilidade mascara o diagnóstico
  • Recessão gengival associada muda o planejamento: nem toda lesão cervical exposta é caso restaurador isolado
  • Perda estrutural cervical extensa em dente com mobilidade ou trincas exige avaliar prognóstico antes de restaurar
  • Prometer que a restauração cervical não vai manchar ou não vai ter defeito marginal contraria o que os ensaios de 2 a 4 anos mostram
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Ensaio randomizado de boca dividida com 200 restaurações em 50 pacientes acompanhou quatro estratégias por 4 anos: adesivo universal com e sem condicionamento seletivo do esmalte, e ionômero modificado por resina com e sem pré-tratamento com EDTA
  • Nesse ensaio, as curvas de sobrevida relacionadas à retenção não diferiram estatisticamente entre os grupos (p = 0,315), mas o adesivo universal sem condicionamento seletivo do esmalte perdeu retenção em relação ao próprio início
  • A conclusão dos autores é que o condicionamento seletivo do esmalte promoveu menos perda de retenção para o adesivo universal, e que defeitos marginais iniciais aumentaram em todas as estratégias ao longo de 4 anos
  • Os grupos com ionômero modificado por resina tiveram mais alteração de textura de superfície e mais perda de brilho que os de resina composta
  • Ensaio randomizado de 3 anos com 251 lesões cervicais não cariosas comparou adesivo universal em modo condicionamento-e-lavagem e em modo autocondicionante com condicionamento seletivo do esmalte: retenção de 87,2% e 86,3%, sucesso geral de 82,6% e 83,8%, sem diferença significativa entre os modos
  • Nesse mesmo estudo de 3 anos, defeitos marginais pequenos mas clinicamente aceitáveis apareceram na maioria das restaurações (67% e 63,2%), e manchamento marginal em cerca de um terço
  • Ensaio randomizado de 2 anos, em que 32 pacientes receberam três restaurações cada, encontrou retenção de 86,8% para condicionamento total, 92,26% para autocondicionante e 93,63% para condicionamento seletivo do esmalte com autocondicionante, sem diferença significativa em retenção ou adaptação marginal — o condicionamento total teve melhor desempenho para manchamento marginal
  • A revisão Cochrane sobre isolamento encontrou, exatamente nesse tipo de restauração, possível maior sobrevida aos 6 meses com dique de borracha (OR 2,29; IC 95% 1,05 a 4,99), com baixa certeza

Conduta inicial

  1. 1Investigar e registrar a causa da perda cervical antes de restaurar, porque é ela que define se a restauração vai durar.
  2. 2Testar sensibilidade pulpar do dente envolvido, para separar hipersensibilidade dentinária de comprometimento pulpar.
  3. 3Definir a indicação restauradora por critério clínico — sensibilidade que não respondeu a medida conservadora, comprometimento estético, retenção de biofilme ou risco estrutural — e não pelo simples achado da lesão.
  4. 4Quando usar adesivo universal, considerar o condicionamento seletivo do esmalte: no ensaio de 4 anos as curvas de retenção não diferiram entre os grupos, e foi o grupo sem condicionamento seletivo que perdeu retenção em relação ao próprio início.
  5. 5Isolar da melhor forma possível, lembrando que é justamente nesse tipo de restauração que o dique mostrou sinal de benefício precoce.
  6. 6Combinar com o paciente que defeito marginal pequeno e manchamento são achados esperados ao longo dos anos, e que reparo é uma opção antes da troca.
  7. 7Manter a orientação de controle da causa em cada retorno, com registro do que mudou.

Exames

  • Exame clínico com registro da forma, profundidade e número de lesões, e do padrão de desgaste associado
  • Testes de sensibilidade pulpar do dente afetado
  • Avaliação de oclusão e de sinais de parafunção
  • Anamnese dirigida a fontes de ácido (dieta, refluxo, distúrbio alimentar) e a técnica de escovação
  • Reavaliação programada da restauração, com registro comparativo de retenção e margem

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — a indicação restauradora e a estratégia adesiva dependem do caso. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Dieta

  • Reduzir frequência de bebidas e alimentos ácidos, com orientação escrita ___
  • Evitar escovar imediatamente após episódio ácido ___

Medicamentos

  • Dentifrício dessensibilizante de uso domiciliar ___
  • Verniz fluoretado de aplicação profissional, conforme indicação individual ___

Recomendações

  • Escova de cerdas macias e técnica de escovação revisada na consulta ___
  • Investigar refluxo com o médico assistente, se houver sintomas ___
  • Retorno para reavaliação da restauração e da causa em ___ meses

Exames

  • Reavaliação clínica da lesão e da restauração em ___ meses

Referências

  1. [1]Clinical performance of different adhesion strategies in non-carious cervical lesion restorations: A four-year randomized clinical trial, Omoto ÉM, dos Santos PH, Shinohara MS, de Andrade Carvalho PRM, Catelan A, Fagundes TC, J Dent 2025;153:105529 (doi:10.1016/j.jdent.2024.105529)
  2. [2]Three-year Clinical Performance of a Universal Adhesive in Non-Carious Cervical Lesions, Peumans M, Vandormael S, De Coster I, De Munck J, Van Meerbeek B, J Adhes Dent 2023;25:133-146
  3. [3]A 2-Year Randomized Clinical Trial of Three Bonding Techniques in Non-Carious Cervical Lesions, Pappa E, Gkavela G, Sampri I, Masouras K, Rahiotis C, Kakaboura A, Medicina (Kaunas) 2024;60(6):1005
  4. [4]Rubber dam isolation for restorative treatment in dental patients, Miao C et al., Cochrane Database Syst Rev 2021;5(5):CD009858 (doi:10.1002/14651858.CD009858.pub3)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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