coronectomiaterceiro molar inferiorsiso inclusonervo alveolar inferiorparestesiaexodontia parcialreintervencaomigracao radicularbucomaxilofacialodontologiaestudar

Coronectomia do terceiro molar inferior — troca risco de nervo por risco de reintervenção

Terceiro molar inferior com raiz colada no canal mandibular. Coronectomia é uma saída legítima, ou é adiar o problema?

Red flags — sinais de gravidade

  • Coronectomia não é indicação universal: ela existe para o caso de risco aumentado de lesão do nervo alveolar inferior, e usá-la fora disso é criar a necessidade de reintervenção sem a contrapartida
  • Raiz remanescente infectada, mobilidade da raiz durante o procedimento ou dente com patologia associada mudam a indicação — a raiz que se mexeu precisa sair
  • Consentimento informado tem de nomear explicitamente a migração radicular e a chance maior de reintervenção, que é o preço da técnica
  • Planejar coronectomia sem imagem tridimensional em caso de proximidade com o canal mandibular é planejar no escuro
  • Paciente imunocomprometido ou com contexto que contraindique deixar raiz in situ exige avaliação individual antes da indicação
  • Não é procedimento de clínico geral sem treinamento específico — a indicação e a execução pedem experiência cirúrgica
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Revisão sistemática com metanálise de 2024 comparou coronectomia e exodontia completa em pacientes com risco aumentado de lesão do nervo alveolar inferior, incluindo 42 estudos (29 coortes e 13 caso-controle), com 3.095 pacientes de 18 países
  • A metanálise partiu de 1.017 artigos encontrados antes da aplicação dos critérios de inclusão e exclusão
  • A coronectomia reduziu o risco de lesão do nervo alveolar inferior (razão de chances 0,14; IC 95% 0,06 a 0,30; heterogeneidade 0%; p = 0,0001)
  • Também houve redução relatada de dor pós-operatória (razão de chances 0,97; IC 95% 0,33 a 2,86; heterogeneidade 81%; p = 0,01) e de alveolite (razão de chances 0,38; IC 95% 0,13 a 1,09; heterogeneidade 32,2%; p = 0,01) — nesses dois desfechos os intervalos de confiança cruzam 1 e a heterogeneidade é alta, então convém ler o achado com reserva
  • Em contrapartida, a coronectomia mostrou risco maior de reintervenção (razão de chances 5,38; IC 95% 1,14 a 25,28; heterogeneidade 0%; p = 0,01)
  • Os desfechos secundários avaliados incluíram lesão do nervo lingual, infecção, necessidade de reintervenção cirúrgica, migração radicular e extração posterior
  • Os estudos incluídos são observacionais — coortes e caso-controle — e não ensaios randomizados, o que limita a força da inferência
  • A conclusão dos autores é que a técnica deve ser escolhida caso a caso, pesando a redução do risco de lesão nervosa contra a maior probabilidade de precisar reintervir

Conduta inicial

  1. 1Avaliar o risco de lesão do nervo alveolar inferior com imagem adequada antes de escolher a técnica.
  2. 2Reservar a coronectomia aos casos de proximidade radiográfica real com o canal mandibular, e não como técnica de rotina.
  3. 3Afastar patologia associada e infecção da raiz que se pretende manter.
  4. 4Explicar ao paciente as duas contas: a chance menor de lesão nervosa e a chance maior de precisar de novo procedimento.
  5. 5Registrar o consentimento nomeando migração radicular e reintervenção.
  6. 6Encaminhar para cirurgia bucomaxilofacial quando a indicação, a técnica ou o risco excederem a experiência de quem atende.
  7. 7Programar acompanhamento clínico e radiográfico da raiz remanescente, com intervalo definido.

Exames

  • Radiografia panorâmica para triagem dos sinais de proximidade com o canal mandibular
  • Tomografia computadorizada de feixe cônico quando os sinais de proximidade estiverem presentes
  • Exame clínico com registro da condição do dente, de sinais de infecção e do estado periodontal
  • Acompanhamento clínico e radiográfico programado da raiz remanescente

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — a indicação depende do risco documentado de lesão nervosa e da experiência cirúrgica de quem executa. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Dieta

  • Dieta macia por ___ dias no pós-operatório

Medicamentos

  • Analgesia conforme avaliação individual, dose e intervalo a definir ___
  • Antimicrobiano somente se houver indicação registrada ___

Recomendações

  • Consentimento informado registrado, nomeando migração radicular e possibilidade de reintervenção ___
  • Higiene cuidadosa na região operada, com orientação específica ___
  • Retorno para reavaliação em ___ dias
  • Acompanhamento radiográfico da raiz remanescente em ___ meses

Exames

  • Radiografia de controle da raiz remanescente em ___ meses
  • Reavaliação clínica em ___ dias

Referências

  1. [1]Benefits of Coronectomy in Lower Third Molar Surgery: A Systematic Review and Meta-analysis, Peixoto AO, Bachesk AB, Leal MOCD, Jodas CRP, Machado RA, Teixeira RG, J Oral Maxillofac Surg 2024;82(1):73-92 (doi:10.1016/j.joms.2023.09.024)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

Criar conta

Quer receber os próximos verbetes por e-mail? Sem spam, cancela quando quiser.

Ver todos os verbetes