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Antibiótico profilático em exodontia — 19 pacientes tratados para evitar uma infecção
Prescrevo antibiótico profilático para extrair o siso? Qual o ganho real, e em quem ele compensa?
Red flags — sinais de gravidade
Prescrever antibiótico profilático como rotina para toda exodontia é exatamente o uso que a evidência não sustenta e que a revisão associa à pressão de resistência
Os resultados vêm de pacientes saudáveis em extração de terceiros molares inclusos, e transpor isso para qualquer extração é extrapolar a população estudada
Nenhum estudo incluído avaliou paciente imunocomprometido — nesse caso a decisão é individualizada, com o médico assistente
Antibiótico não corrige técnica cirúrgica inadequada nem substitui assepsia e cuidado com o retalho
Profilaxia de endocardite infecciosa é outra indicação, com lista própria, e não deve ser confundida com profilaxia de infecção de sítio cirúrgico
Infecção já instalada não é caso de profilaxia — é tratamento, com conduta própria
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
A revisão Cochrane sobre antibióticos para prevenir complicações após extrações dentárias incluiu 23 ensaios randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo, com cerca de 3.206 participantes randomizados (2.583 analisados)
Dezesseis ensaios foram julgados de alto risco de viés, três de baixo risco e quatro incertos
Comparados ao placebo, os antibióticos podem reduzir em cerca de 66% o risco de complicações infecciosas pós-cirúrgicas em extração de terceiros molares (RR 0,34; IC 95% 0,19 a 0,64; 1.728 participantes; 12 estudos) — evidência de baixa certeza
Isso significa que 19 pessoas (IC 95% 15 a 34) precisam ser tratadas com antibiótico para evitar uma infecção após extração de terceiro molar incluso
Os antibióticos também podem reduzir em 34% o risco de alveolite (RR 0,66; IC 95% 0,45 a 0,97; 1.882 participantes; 13 estudos), o que corresponde a 46 pessoas (IC 95% 29 a 62) para evitar um caso
Para dor, febre e efeitos adversos a evidência é incerta, de certeza muito baixa; os efeitos adversos relatados foram leves e transitórios (RR 1,46; IC 95% 0,81 a 2,64)
Não houve evidência clara de que o momento da administração (pré, pós-operatório ou ambos) fosse importante
A limitação decisiva está na população: 21 dos 23 ensaios incluíram apenas pacientes saudáveis submetidos a extração de terceiros molares inclusos, muitas vezes por cirurgiões — nenhum estudo avaliou extração em paciente imunocomprometido
Embora extrações em consultório sejam feitas sobretudo por cárie grave ou infecção periodontal, apenas um dos ensaios avaliou a profilaxia nesses grupos clínicos
A recomendação dos autores é explícita: diante da crescente resistência bacteriana, a decisão deve ser individual, conforme condição clínica e nível de risco de complicação infecciosa, e o paciente imunocomprometido precisa de abordagem individualizada em conjunto com o médico que o acompanha
Conduta inicial
1Separar as três perguntas que costumam se misturar: profilaxia de infecção de sítio cirúrgico, profilaxia de endocardite e tratamento de infecção instalada.
2Avaliar o risco individual: condição sistêmica, complexidade do procedimento e histórico de complicação infecciosa.
3Levar o número para a conversa e para o prontuário: 19 pacientes saudáveis tratados para evitar uma infecção em extração de terceiro molar incluso.
4Reservar a prescrição para os casos em que o risco individual justifica, registrando o critério usado.
5Alinhar com o médico assistente quando o paciente for imunocomprometido, porque a evidência disponível não cobre esse grupo.
6Investir no que a evidência não substitui: técnica cuidadosa, assepsia e orientação pós-operatória clara.
7Orientar o paciente sobre os sinais de infecção e sobre quando procurar atendimento antes do retorno.
Exames
Anamnese com condições sistêmicas, imunossupressão, medicações e alergias
Avaliação clínica e radiográfica pré-operatória da complexidade do procedimento
Registro objetivo da evolução pós-operatória nos retornos
Reavaliação programada da ferida cirúrgica
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — a profilaxia antibiótica é decisão individual, e não rotina de todo procedimento. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Dieta
Dieta macia por ___ dias
Medicamentos
Antibiótico profilático somente com indicação individual registrada, esquema e duração a definir ___ (conferir alergia, gestação e interações)
Analgesia conforme avaliação individual, dose e intervalo a definir ___
Recomendações
Orientação pós-operatória por escrito, com os sinais de infecção descritos ___
Higiene da região conforme orientação, a partir de ___ horas
Retorno para reavaliação em ___ dias
Procurar atendimento antes se houver febre, edema progressivo, secreção ou dor crescente ___
Exames
Reavaliação clínica da ferida em ___ dias
Referências
[1]Antibiotics to prevent complications following tooth extractions, Lodi G, Azzi L, Varoni EM, Pentenero M, Del Fabbro M, Carrassi A, Sardella A, Manfredi M, Cochrane Database Syst Rev 2021;2(2):CD003811 (doi:10.1002/14651858.CD003811.pub3)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.