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Profilaxia antibiótica em cirurgia bucomaxilofacial — onde a evidência recomenda e onde ela recomenda não usar

Em quais procedimentos bucomaxilofaciais a profilaxia antibiótica tem respaldo, e em quais a recomendação é justamente não usar de rotina?

Red flags — sinais de gravidade

  • Prescrever profilaxia para fratura de terço médio da face por hábito contraria a recomendação dessa revisão, e é o ponto de maior divergência com a prática corrente
  • Ausência de recomendação por falta de pesquisa não é o mesmo que recomendação contra — nos procedimentos em que os autores pedem mais estudo, a decisão continua individual
  • Profilaxia de infecção de sítio cirúrgico não se confunde com profilaxia de endocardite infecciosa, que tem indicação e lista próprias
  • Paciente clinicamente comprometido é justamente o grupo em que a revisão aponta falta de evidência — decisão individual, com o médico assistente
  • Fratura de mandíbula com sinais de infecção instalada é tratamento, não profilaxia
  • Procedimento de trauma facial pede avaliação médica do paciente como um todo antes de qualquer discussão sobre antibiótico
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Revisão sistemática publicada no British Journal of Oral and Maxillofacial Surgery avaliou a profilaxia antibiótica pré, peri e pós-operatória em procedimentos bucomaxilofaciais, com busca em MEDLINE, Cochrane Library, EMBASE e PubMed limitada a artigos publicados a partir de 2000
  • Os procedimentos cobertos foram tratamento de abscessos dentários, exodontias, implantes, trauma, articulação temporomandibular, cirurgia ortognática, remoção de tumores malignos e benignos e enxerto ósseo
  • De 280 artigos recuperados, 98 entraram na análise final; as revisões sistemáticas foram avaliadas pelos critérios AMSTAR, os ensaios randomizados pela ferramenta da Cochrane, e a qualidade geral da evidência pelo GRADE
  • A profilaxia antibiótica é recomendada, segundo essa revisão, em exodontia cirúrgica de terceiros molares, fraturas cominutivas de mandíbula, substituição de articulação temporomandibular, remoção de tumor em campo limpo-contaminado e implantes complexos
  • A profilaxia antibiótica não é recomendada de rotina em fraturas dos terços superior e médio da face — este é o achado que mais contraria a prática habitual
  • Os autores registram que mais pesquisa é necessária para recomendar em cirurgia ortognática, fissura labiopalatina, cirurgia de articulação temporomandibular e procedimentos em pacientes clinicamente comprometidos
  • O enquadramento da revisão é de balanço: reduzir a incidência de infecção de sítio cirúrgico precisa ser pesado contra o risco de eventos adversos relacionados ao antibiótico
  • Para o cirurgião-dentista de consultório, a leitura útil é que 'sempre antibiótico' e 'nunca antibiótico' erram os dois — a indicação é por procedimento e por paciente

Conduta inicial

  1. 1Definir o procedimento e o risco antes de discutir medicação, porque a recomendação varia por tipo de cirurgia.
  2. 2Checar se o caso está entre os que a revisão recomenda profilaxia, entre os que ela não recomenda de rotina, ou entre os que ela declara sem evidência suficiente.
  3. 3Avaliar o paciente: comorbidade, imunossupressão, alergia e medicações em uso.
  4. 4Registrar no prontuário a indicação e o critério usado, ou a razão de não prescrever.
  5. 5Alinhar com o médico assistente quando o paciente for clinicamente comprometido.
  6. 6Não deixar que a discussão sobre antibiótico substitua a avaliação do trauma facial como um todo.
  7. 7Programar acompanhamento com critério claro do que é sinal de infecção de sítio cirúrgico.

Exames

  • Anamnese com comorbidades, imunossupressão, alergias e medicações em uso
  • Avaliação clínica e por imagem adequada ao procedimento planejado
  • Avaliação médica do paciente politraumatizado antes da conduta cirúrgica eletiva
  • Acompanhamento pós-operatório com registro objetivo dos sinais de infecção

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — a indicação de profilaxia varia por procedimento e por paciente, e o protocolo institucional prevalece. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Medicamentos

  • Profilaxia antibiótica conforme indicação por procedimento e protocolo institucional, esquema a definir ___ (conferir alergia, gestação e interações)
  • Analgesia conforme avaliação individual, dose e intervalo a definir ___

Recomendações

  • Indicação (ou a decisão de não prescrever) registrada no prontuário, com o critério usado ___
  • Alinhamento com o médico assistente em paciente clinicamente comprometido ___
  • Orientação pós-operatória com os sinais de infecção descritos ___
  • Retorno para reavaliação em ___ dias

Exames

  • Reavaliação clínica da ferida cirúrgica em ___ dias

Referências

  1. [1]Antibiotic prophylaxis in oral and maxillofacial surgery: a systematic review, Milic T, Raidoo P, Gebauer D, Br J Oral Maxillofac Surg 2021;59(6):633-642 (doi:10.1016/j.bjoms.2020.09.020)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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