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Aparelho intraoral na apneia do sono e no ronco — quem diagnostica é o médico, quem confecciona e acompanha é o dentista

Paciente ronca e diz que tem apneia. Posso fazer um aparelho de avanço mandibular? O que preciso exigir antes e o que fica sob minha responsabilidade depois?

Red flags — sinais de gravidade

  • Confeccionar aparelho de avanço com base só no relato de ronco, sem diagnóstico médico, deixa apneia grave sem tratamento e pode dar ao paciente a sensação de estar tratado
  • Criança que ronca não é o cenário desta diretriz — apneia obstrutiva pediátrica tem investigação e tratamento próprios, e o encaminhamento é médico
  • Sonolência diurna intensa, apneias presenciadas, hipertensão de difícil controle, arritmia ou histórico de evento cardiovascular são sinais para avaliação médica com prioridade
  • Alteração oclusal e movimentação dentária são efeitos adversos conhecidos e progressivos — vigiar e registrar faz parte do tratamento
  • Disfunção temporomandibular sintomática, doença periodontal ativa e número insuficiente de dentes mudam a viabilidade do aparelho
  • Dispositivo pré-fabricado 'de farmácia' contraria a recomendação da diretriz quando há apneia diagnosticada
  • Suspender CPAP por conta própria por causa do aparelho é decisão médica, não odontológica
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • A diretriz conjunta da American Academy of Sleep Medicine com a American Academy of Dental Sleep Medicine (atualização de 2015) organiza os papéis com clareza: quem prescreve o aparelho é o médico do sono, quem confecciona e acompanha é o dentista qualificado
  • Recomendação de padrão (STANDARD): prescrever aparelho intraoral, em vez de nenhuma terapia, para adultos que procuram tratamento de ronco primário (sem apneia obstrutiva do sono)
  • Recomendação de padrão (STANDARD): o MÉDICO DO SONO deve considerar a prescrição de aparelho intraoral, em vez de nenhum tratamento, em adultos com apneia obstrutiva do sono intolerantes ao CPAP ou que preferem terapia alternativa — ou seja, o CPAP segue como tratamento de referência, e o aparelho entra por intolerância ou preferência
  • Recomendação de diretriz (GUIDELINE): quando o aparelho é prescrito pelo médico do sono, o dentista qualificado deve usar dispositivo sob medida e titulável, em vez de dispositivo pré-fabricado
  • Recomendação de diretriz (GUIDELINE): o dentista deve fazer o acompanhamento — e não ausência de acompanhamento — para vigiar efeitos adversos dentários e alterações oclusais e reduzir a incidência delas
  • Recomendação de diretriz (GUIDELINE): o médico do sono deve repetir o exame do sono para confirmar ou melhorar a eficácia do tratamento depois que o aparelho está instalado
  • Recomendação de diretriz (GUIDELINE): consultas periódicas com o dentista qualificado e com o médico do sono, em vez de alta sem seguimento
  • Documento de consenso interdisciplinar PORTUGUÊS, assinado por sociedades de pneumologia, de estomatologia e medicina dentária, de odontologia e de DTM/dor orofacial e sono, reafirma que o tratamento é multidisciplinar e decidido em conjunto com paciente, médico do sono e dentista qualificado — é referência de conteúdo, não norma brasileira
  • Duas delimitações que o verbete não cobre: a diretriz de 2015 trata de ADULTOS (apneia na criança tem via própria, e criança que ronca não entra aqui), e a habilitação do 'dentista qualificado' no Brasil segue a lista de especialidades vigente do CFO — conferir a norma atual antes de se apresentar como habilitado
  • O que isso significa na cadeira: sem diagnóstico médico e sem exame do sono, o dentista não tem base para instalar aparelho de avanço — e essa não é uma formalidade burocrática, é o que separa tratar de mascarar

Conduta inicial

  1. 1Perguntar sobre ronco, sonolência e apneias presenciadas na anamnese de rotina, e registrar.
  2. 2Encaminhar ao médico para diagnóstico e exame do sono antes de qualquer confecção de aparelho.
  3. 3Avaliar as condições bucais que viabilizam o dispositivo: suporte dentário, periodonto, ATM.
  4. 4Confeccionar dispositivo sob medida e titulável quando houver prescrição médica, conforme a diretriz.
  5. 5Registrar a oclusão inicial com documentação objetiva, porque é a referência para detectar alteração depois.
  6. 6Programar acompanhamento odontológico periódico para efeitos adversos e alterações oclusais.
  7. 7Manter a comunicação com o médico do sono, inclusive quanto à reavaliação do exame após a titulação.

Exames

  • Exame do sono solicitado e interpretado pelo médico (diagnóstico e reavaliação pós-titulação)
  • Avaliação odontológica de suporte dentário, periodonto e articulação temporomandibular
  • Registro documentado da oclusão inicial (modelos, fotografias ou registro digital)
  • Reavaliações odontológicas periódicas com comparação da oclusão
  • Registro de adesão e de efeitos adversos relatados pelo paciente

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — o aparelho intraoral entra por prescrição do médico do sono, e o acompanhamento odontológico é parte da indicação. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Recomendações

  • Encaminhamento médico para diagnóstico e exame do sono realizado em ___
  • Dispositivo sob medida e titulável, conforme prescrição médica ___
  • Oclusão inicial documentada em ___
  • Acompanhamento odontológico programado em ___ meses, com reavaliação de oclusão e efeitos adversos
  • Retorno ao médico do sono para reavaliação de eficácia ___

Exames

  • Exame do sono de reavaliação, solicitado pelo médico, após titulação ___
  • Reavaliação odontológica periódica em ___ meses

Referências

  1. [1]Clinical Practice Guideline for the Treatment of Obstructive Sleep Apnea and Snoring with Oral Appliance Therapy: An Update for 2015, Ramar K, Dort LC, Katz SG, Lettieri CJ, Harrod CG, Thomas SM, Chervin RD, American Academy of Sleep Medicine e American Academy of Dental Sleep Medicine, J Clin Sleep Med 2015;11(7):773-827 (doi:10.5664/jcsm.4858)
  2. [2]Treatment of obstructive sleep apnea syndrome (OSAS) with mandibular advancement devices — A statement of the Portuguese Society of Pulmonology, the Portuguese Society of Stomatology and Dental Medicine, the Portuguese Dental Association, and the Portuguese Society of Temporomandibular Disorders, Orofacial Pain and Sleep, Sousa S, Correia S, de Almeida AM, Videira G, Dias R, Ramos SF, Fonseca J, Pulmonology 2025;31(1):2416848 (doi:10.1016/j.pulmoe.2024.05.006)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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