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Instrumentação subgengival — ultrassom ou manual, quadrante ou boca toda: o resultado é o mesmo

Faço raspagem com ultrassom ou com cureta? Divido por quadrante ou faço boca toda em uma ou duas sessões? Muda o resultado?

Red flags — sinais de gravidade

  • Vender o ultrassom (ou a cureta) como superior contraria a evidência disponível e cria expectativa que o resultado não confirma
  • Substituir a instrumentação por antimicrobiano sistêmico ou por bochecho é trocar o tratamento pelo adjuvante
  • Fazer boca toda em uma sessão em paciente com necessidade de cuidado especial ou com comorbidade descompensada é decisão de logística que precisa considerar o paciente, não só o resultado periodontal
  • Não reavaliar objetivamente após a terapia deixa o paciente sem o passo seguinte e sem saber se funcionou
  • Prometer fechamento de todas as bolsas ignora que a proporção estimada foi de 74%, não de 100%
  • Instrumentar sem controle de biofilme domiciliar estabelecido é gastar sessão para perder resultado
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Revisão sistemática de suporte à diretriz europeia avaliou três perguntas: eficácia da instrumentação subgengival, comparação entre instrumentos sônicos/ultrassônicos e manuais, e protocolos de execução
  • Sobre eficácia: a redução ponderada de profundidade de sondagem foi de 1,4 mm (IC95% 1,0–1,7) em 6 a 8 meses, com proporção estimada de fechamento de bolsa de 74% (IC95% 64–85)
  • Seis ensaios randomizados compararam instrumentos manuais com sônicos/ultrassônicos: NÃO houve diferença significativa entre os grupos, em nenhum ponto de tempo nem em nenhuma categoria de profundidade inicial
  • Treze ensaios randomizados compararam abordagem por quadrante com abordagem de boca toda: também NÃO houve diferença significativa, independentemente do tempo de acompanhamento ou da profundidade inicial
  • Cinco estudos relataram desfechos referidos pelo paciente, sem diferença entre os grupos
  • A conclusão dos autores é que a terapia periodontal não cirúrgica por instrumentação mecânica subgengival é eficaz para controle de infecção em pacientes com periodontite, independentemente do tipo de instrumento ou do modo de execução
  • O que isso libera na prática: a escolha entre ultrassom e cureta, e entre quadrante e boca toda, pode ser feita por logística, conforto do paciente, tempo de cadeira e habilidade do operador — sem prejuízo de resultado
  • O que isso NÃO diz: que a instrumentação é opcional, ou que a qualidade da execução não importa; o número de 1,4 mm e os 74% vêm de instrumentação bem feita
  • Apenas um ensaio comparou instrumentação subgengival com limpeza supragengival isolada, e por isso os autores usaram medidas iniciais e finais de 9 estudos — a base dessa estimativa específica é mais frágil
  • A reavaliação após a terapia é o que define o passo seguinte — não se decide cirurgia sem ela
  • Um detalhe que muda a leitura do número: o resumo dessa revisão não declara o critério usado para 'fechamento de bolsa'. Adotar um critério frouxo na reavaliação superestima o próprio resultado — definir e registrar o critério antes de medir

Conduta inicial

  1. 1Estabelecer diagnóstico e estadiamento periodontais antes de instrumentar.
  2. 2Garantir instrução de higiene e controle de biofilme domiciliar como parte do tratamento, não como recomendação solta.
  3. 3Escolher instrumento e protocolo por logística, conforto e habilidade — a evidência não aponta superioridade de nenhum.
  4. 4Registrar o periograma inicial completo, que é a referência de comparação.
  5. 5Executar a instrumentação com atenção à qualidade, que é o que sustenta os resultados publicados.
  6. 6Reavaliar em prazo definido, com o mesmo periograma, e só então decidir os passos seguintes.
  7. 7Definir o intervalo de manutenção conforme o risco individual.

Exames

  • Periograma completo com profundidade de sondagem, sangramento à sondagem e nível de inserção
  • Radiografias adequadas ao estadiamento
  • Índice de biofilme e avaliação de habilidade de higiene
  • Reavaliação periodontal com o mesmo periograma após a terapia
  • Definição do intervalo de manutenção com base no risco

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — o protocolo de instrumentação é escolha clínica e logística, e a reavaliação define os passos seguintes. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Medicamentos

  • Analgesia conforme avaliação individual, dose e intervalo a definir ___
  • Adjuvante químico apenas com indicação e por tempo definido ___

Recomendações

  • Periograma inicial completo registrado ___
  • Instrução de higiene e controle de biofilme verificados ___
  • Protocolo escolhido (instrumento e sequência) registrado com o motivo ___
  • Reavaliação periodontal marcada para ___ semanas

Exames

  • Reavaliação com periograma completo em ___ semanas
  • Radiografias de controle conforme indicação ___

Referências

  1. [1]Subgingival instrumentation for treatment of periodontitis. A systematic review, Suvan J, Leira Y, Moreno Sancho FM, Graziani F, Derks J, Tomasi C, J Clin Periodontol 2020;47(Suppl 22):155-175 (doi:10.1111/jcpe.13245)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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