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Preservação alveolar depois da extração — quanto osso ela realmente segura, e quando compensa

Vou extrair um dente e o paciente pretende implante depois. Vale enxertar o alvéolo agora? Quanto de osso isso preserva?

Red flags — sinais de gravidade

  • Infecção aguda no sítio muda o planejamento — tratar antes de enxertar
  • Prometer que o rebordo ficará inalterado contraria o próprio efeito medido, que é de atenuação
  • Parede vestibular fina reduz o benefício esperado, e isso precisa entrar na conversa sobre custo do procedimento
  • Indicar preservação alveolar em paciente que não pretende implante nem prótese fixa na região é gastar por hipótese
  • Paciente em uso de antirreabsortivo ou com histórico de radioterapia em cabeça e pescoço exige avaliação de risco própria antes de qualquer cirurgia alveolar
  • Escolher o material pelo que está na gaveta ignora que a própria revisão não estabeleceu superioridade, mas descreve combinações com melhor resultado
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Revisão sistemática com metanálise de 22 ensaios randomizados (25 artigos) comparou modalidades de preservação alveolar com a exodontia isolada, com cicatrização de 3 a 6 meses
  • Comparada à extração isolada, a preservação alveolar com enxerto do alvéolo previne reabsorção horizontal de 1,99 mm (IC95% 1,54–2,44; p<0,00001)
  • Previne também reabsorção vertical médio-vestibular de 1,72 mm (IC95% 0,96–2,48; p<0,00001) e médio-lingual de 1,16 mm (IC95% 0,81–1,52; p<0,00001)
  • A revisão NÃO conseguiu determinar qual abordagem de preservação ou de selamento do alvéolo é superior — a escolha entre materiais permanece sem hierarquia definida
  • O que teve os resultados mais favoráveis em preservação horizontal foi a aplicação de material particulado xenógeno ou alógeno coberto por membrana de colágeno absorvível ou por esponja de colágeno de absorção rápida
  • A ESPESSURA DA PAREDE VESTIBULAR muda muito o benefício: em sítios com parede maior que 1,0 mm, a diferença para o controle foi de 3,2 mm; em sítios com parede fina, foi de 1,29 mm — essa análise específica é de aloenxerto particulado com selamento do alvéolo, e não vale para toda modalidade de preservação
  • Desfechos referidos pelo paciente foram semelhantes entre grupos nos dois estudos que os relataram; para as demais modalidades, esses desfechos simplesmente não foram medidos
  • Metanálise separada (12 estudos, 8 ensaios randomizados e 4 coortes, 456 implantes após preservação alveolar e 459 implantes imediatos) encontrou taxa de sucesso maior no protocolo com preservação alveolar e implante tardio (98,68%) do que no implante imediato (95,21%) — RR 1,03 (IC95% 1,01–1,06); p=0,008; I²=0%. Repare que essa é OUTRA pergunta: compara preservação com implante tardio contra implante imediato, e não preservação contra extração isolada
  • Em MOLARES especificamente, revisão sistemática de 7 estudos (237 alvéolos, 236 participantes) encontrou reduções significativas nas mudanças horizontal (2,21 mm; IC95% 0,02–4,39), vertical médio-vestibular (1,34 mm; IC95% 0,85–1,83) e vertical médio-lingual (0,96 mm; IC95% 0,54–1,38)
  • O achado mais útil dessa revisão de molares para a conversa com o paciente: a preservação reduziu a necessidade de enxerto adicional na hora de instalar o implante (RR 0,41; IC95% 0,26–0,65; p<0,001)
  • E o contrapeso honesto da mesma revisão: quando a análise foi restrita a ensaios randomizados, a diferença em LARGURA de rebordo não foi significativa (2,21 mm vira 1,94 mm; IC95% -1,67 a 5,55; p=0,29), com heterogeneidade alta (I²=92%)
  • Traduzindo: a preservação alveolar funciona e o efeito é mensurável em milímetros, mas ela atenua a reabsorção, não a elimina
  • A conversa com o paciente melhora quando o número aparece: 'preserva cerca de 2 mm na horizontal', e não 'evita a perda óssea'

Conduta inicial

  1. 1Definir com o paciente o plano reabilitador ANTES da extração — é ele que justifica ou não a preservação.
  2. 2Avaliar a espessura da parede vestibular no planejamento, porque ela modula o benefício.
  3. 3Tratar infecção aguda antes de programar enxerto.
  4. 4Executar a exodontia com técnica minimamente traumática, preservando as paredes.
  5. 5Escolher material e selamento conforme protocolo e disponibilidade, sabendo que não há hierarquia estabelecida.
  6. 6Informar o paciente em milímetros, não em promessas.
  7. 7Programar reavaliação clínica e por imagem no prazo de cicatrização previsto.

Exames

  • Avaliação clínica e radiográfica pré-operatória do sítio
  • Avaliação da espessura da parede vestibular no planejamento, com imagem adequada
  • Anamnese de medicações antirreabsortivas e histórico de radioterapia
  • Reavaliação clínica pós-operatória
  • Reavaliação por imagem no prazo de cicatrização, antes da fase implantar

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — a indicação, o material e o protocolo dependem do sítio e do plano reabilitador. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Dieta

  • Dieta fria e de consistência branda nas primeiras ___ horas
  • Evitar mastigar sobre a região operada até ___

Medicamentos

  • Analgesia pós-operatória conforme avaliação individual, dose e intervalo a definir ___
  • Antibioticoterapia apenas com indicação específica registrada ___ (ver os verbetes de profilaxia antibiótica em exodontia e em cirurgia bucomaxilofacial)
  • Adjuvante químico de controle de biofilme por tempo definido, conforme indicação ___

Recomendações

  • Plano reabilitador definido antes da extração ___
  • Espessura da parede vestibular avaliada e registrada ___
  • Paciente informado do efeito esperado em milímetros ___
  • Retorno pós-operatório em ___ dias

Exames

  • Reavaliação clínica em ___ dias
  • Reavaliação por imagem em ___ meses, antes da fase implantar

Referências

  1. [1]Effect of alveolar ridge preservation interventions following tooth extraction: A systematic review and meta-analysis, Avila-Ortiz G, Chambrone L, Vignoletti F, J Clin Periodontol 2019;46(Suppl 21):195-223 (doi:10.1111/jcpe.13057) — há corrigendum publicado em J Clin Periodontol 2020;47(1):129 (doi:10.1111/jcpe.13212); como este verbete extrai valores numéricos desse artigo, conferir o corrigendum antes de repetir os números ao paciente
  2. [2]Alveolar Ridge Preservation at Molar Extraction Sites: A Systematic Review and Meta-Analysis, Wei YP, Han ZY, Hu WJ, Zhang HY, Ren YY, Xu T, Chung KH, J Evid Based Dent Pract 2025;25(1):102074 (doi:10.1016/j.jebdp.2024.102074)
  3. [3]Effects of post-extraction alveolar ridge preservation versus immediate implant placement: a systematic review and meta-analysis, Yu X, Teng F, Zhao A, Wu Y, Yu D, J Evid Based Dent Pract 2022;22(3):101734 (doi:10.1016/j.jebdp.2022.101734)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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