facetalaminado ceramicofaceta de porcelanadissilicato de litiofeldspaticaestetica dente anteriordesgaste de esmalte para facetadentisticaodontologiaestudar
Faceta cerâmica em anterior — a sobrevida é alta, e é o substrato colado que mais muda o desfecho
O paciente quer faceta em anterior. Quanto tempo dura, qual material tem menos complicação e o que muda o prognóstico?
Red flags — sinais de gravidade
Prometer 'faceta para a vida toda' contraria os próprios números: as taxas de complicação técnica no longo prazo são altas em feldspática e leucita
Preparar em dentina por conveniência estética piora a sobrevida documentada — a decisão de invadir dentina precisa ser deliberada e registrada
Erosão ácida ativa não tratada faz o dente continuar mudando embaixo da faceta
Bruxismo não graduado antes do planejamento é fator de fratura previsível
Doença periodontal ou gengivite ativa contraindica trabalhar margem sem tratar antes
Paciente com expectativa estética que não se sustenta clinicamente — resolver a expectativa antes do preparo, porque preparo não se desfaz
Faceta sobre dente com suspeita de necrose pulpar ou lesão periapical — investigar antes, não depois de cimentar
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Revisão sistemática com metanálise de 29 estudos clínicos com seguimento mínimo de 1 ano, em facetas de anteriores e pré-molares: sobrevida agrupada de 96,13% para cerâmica feldspática, 93,70% para cerâmica reforçada por leucita (LRGC) e 96,81% para dissilicato de lítio (LDS) aos 10,4 anos, SEM diferença entre os materiais
Sobrevida parecida não é complicação parecida — e essa é a informação mais útil da revisão: complicações técnicas/estéticas/biológicas aos 10,4 anos foram 41,48%/19,64%/6,51% na feldspática; 29,87%/17,89%/4,4% na LRGC; e 6,1%/1,9%/0,45% no dissilicato de lítio
Zircônia apareceu com 100% de sobrevida e nenhuma complicação, mas em 2,6 anos de seguimento e sem nenhum dado de longo prazo — não dá para colocar no mesmo parágrafo que os outros três
Conclusão dos autores: as três têm sobrevida alta no longo prazo, e o dissilicato de lítio supera ligeiramente as outras duas por ter menos complicação de longo prazo
Revisão sistemática separada, sobre substrato de colagem (6 estudos clínicos), é o que muda a conversa de planejamento: facetas coladas em ESMALTE tiveram sobrevida de 99% (faixa 98% a 100%) e sucesso de 99% (98% a 100%); sobre resina preexistente, sobrevida 94% e sucesso 70%; e com exposição dentinária severa, sobrevida 91% e sucesso 74%
Cuidado com a força dessa afirmação, porque é onde é fácil exagerar: na comparação AGRUPADA de esmalte contra dentina exposta, os intervalos de confiança CRUZAM ZERO (diferença de risco -0,04; IC95% -0,09 a 0,02 para complicações; e -0,13; IC95% -0,32 a 0,07 para falha). A conclusão dos autores favorece o esmalte, mas o dado agrupado não é estatisticamente conclusivo nessa comparação
O que a mesma revisão mostra como significativo é outro contraste: exposição dentinária MÍNIMA contra exposição SEVERA — menor necessidade de intervenção clínica (diferença de risco -0,16; IC95% -0,31 a -0,01)
Consequência prática, dita no tamanho certo: preservar esmalte e limitar a exposição dentinária é a variável de prognóstico que está no controle de quem prepara — sem transformar isso em garantia numérica
Isso reordena o consentimento: dente hígido ou com pequeno desgaste tem prognóstico melhor que dente já restaurado extensamente, e o paciente precisa ouvir isso antes, não depois
Complicação técnica frequente e previsível (fratura, lascamento, descolamento) precisa entrar no plano como manutenção esperada, não como acidente
Diagnóstico antes de estética: mancha branca, erosão ativa, bruxismo não graduado e doença periodontal não controlada mudam a indicação e o prognóstico
Alternativa menos invasiva primeiro — clareamento, infiltração resinosa ou resina direta resolvem parte dos casos que chegam pedindo faceta, e há verbetes específicos para cada uma
Ausência de dado de longo prazo em zircônia não é o mesmo que evidência de que ela dure menos — é ausência de dado, e assim deve ser dito ao paciente
Conduta inicial
1Fechar diagnóstico primeiro: causa da alteração estética, atividade de erosão e de cárie, condição periodontal e presença de bruxismo.
2Oferecer e discutir as alternativas menos invasivas antes do preparo — clareamento, infiltração resinosa, resina direta.
3Planejar o preparo com a maior preservação de esmalte que o caso permitir, porque é o substrato colado que mais pesa na sobrevida documentada.
4Explicar ao paciente, antes do preparo, a diferença entre sobrevida (a faceta continua na boca) e complicação (reparo, lascamento, recimentação).
5Escolher o material com o paciente informado de que a sobrevida é comparável entre feldspática, leucita e dissilicato, e a taxa de complicação de longo prazo não é.
6Registrar no prontuário substrato de colagem, material e protocolo adesivo usado.
7Combinar manutenção periódica e controle de parafunção como parte do tratamento, não como opcional.
Exames
Exame clínico de esmalte remanescente e de restaurações preexistentes nos dentes envolvidos
Avaliação periodontal antes do preparo
Testes de sensibilidade pulpar e radiografia periapical dos dentes envolvidos
Avaliação de bruxismo e de contatos em excursão
Documentação fotográfica e enceramento/planejamento prévio conforme o caso
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Dieta
Orientação sobre ácidos na dieta quando houver erosão ativa ___
Medicamentos
Analgesia simples conforme avaliação individual, se houver desconforto pós-preparo ___
Recomendações
Alternativas menos invasivas apresentadas e registradas ___