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Cimentação de restauração indireta unitária — autoadesivo ou convencional, e o que a comparação cobre

Cimento resinoso autoadesivo dá o mesmo resultado que a cimentação convencional em coroa ou onlay unitária? O que a evidência clínica compara?

Red flags — sinais de gravidade

  • Estender a conclusão para prótese parcial fixa, faceta ou pino intrarradicular — a revisão não cobre esses cenários
  • Cimentar sobre dente com diagnóstico pulpar ou periapical em aberto
  • Excesso de cimento em margem subgengival — remoção e conferência antes de liberar o paciente
  • Adaptação marginal insatisfatória na prova — cimento nenhum corrige peça mal adaptada
  • Contaminação por umidade ou sangue no momento da cimentação
  • Descolamento de repetição na mesma peça — o problema costuma ser retenção do preparo ou oclusão, não a marca do cimento
  • Sensibilidade prolongada depois da cimentação exige reavaliar diagnóstico pulpar e contatos oclusais
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • A cimentação é um dos passos que mais influenciam a taxa de falha de restauração indireta, e o cimento autoadesivo nasceu justamente da necessidade de simplificar o passo e reduzir erro de operação
  • Revisão sistemática com metanálise de ENSAIOS CLÍNICOS RANDOMIZADOS (9 estudos incluídos) comparou autoadesivo contra cimentos convencionais em restaurações indiretas UNITÁRIAS, com taxa de falha como desfecho
  • Resultado: 8 dos 9 estudos não detectaram diferença significativa entre os cimentos; apenas 1 relatou taxa de falha maior em coroas cerâmicas unitárias cimentadas com autoadesivo; e o agrupamento dos resultados não mostrou diferença significativa
  • Conclusão dos autores: com base na evidência clínica, o cimento resinoso autoadesivo pode ser recomendado para cimentação de restaurações indiretas unitárias, com risco de falha semelhante ao dos cimentos convencionais
  • O recorte importa e é o limite da recomendação: a revisão é sobre restauração indireta UNITÁRIA. Não é sobre prótese parcial fixa, não é sobre faceta e não é sobre pino/retentor intrarradicular
  • Os autores avaliaram a certeza por GRADE, mas o resumo não publica o nível atribuído — e o número de ensaios é pequeno. 'Sem diferença detectada em 9 ensaios' é diferente de 'equivalência demonstrada', e é assim que convém guardar essa conclusão
  • O ponto que a metanálise não resolve e que segue com quem cimenta: preparo, adaptação da peça, controle de umidade no momento da cimentação e remoção de excesso continuam sendo o que vai decidir o caso individual
  • Excesso de cimento não removido em margem subgengival é causa evitável de inflamação e de problema periodontal — vale para qualquer cimento
  • Em faceta, o substrato de colagem é o que mais pesa na sobrevida (ver o verbete de faceta cerâmica), e a recomendação de autoadesivo desta revisão não se transfere para lá
  • Seguir a instrução do fabricante do sistema específico — tratamento de superfície da cerâmica, silano, tempo de fotoativação — porque isso não é intercambiável entre produtos

Conduta inicial

  1. 1Conferir diagnóstico pulpar e periapical e a condição periodontal antes de cimentar definitivamente.
  2. 2Provar a peça e conferir adaptação marginal, ponto de contato e oclusão antes de qualquer cimento.
  3. 3Escolher entre autoadesivo e convencional com a informação de que, em restauração unitária, os ensaios não detectaram diferença em taxa de falha.
  4. 4Seguir o protocolo do sistema usado, inclusive tratamento de superfície da cerâmica e do substrato dentário.
  5. 5Garantir isolamento e controle de umidade no momento da cimentação.
  6. 6Remover todo o excesso de cimento e conferir margens, especialmente as subgengivais.
  7. 7Ajustar oclusão depois da cimentação e registrar material e protocolo em prontuário.

Exames

  • Testes de sensibilidade pulpar e radiografia periapical do dente preparado
  • Avaliação periodontal das margens envolvidas
  • Conferência de adaptação marginal na prova da peça
  • Radiografia de conferência quando a margem for proximal ou subgengival
  • Conferência de oclusão em máxima intercuspidação e em excursões

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Medicamentos

  • Analgesia simples apenas se houver desconforto, conforme avaliação individual ___

Recomendações

  • Adaptação marginal e ponto de contato conferidos na prova ___
  • Sistema de cimentação e protocolo de superfície registrados ___
  • Excesso de cimento removido e margens conferidas ___
  • Oclusão ajustada após a cimentação ___
  • Higiene da margem orientada ao paciente ___

Exames

  • Radiografia de conferência de margem quando indicada ___
  • Controle clínico e periodontal em ___

Referências

  1. [1]Self-adhesive resin cement versus conventional cements on the failure rate of indirect single-tooth restorations: A systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials, Alvarenga M, Machado L, Prado A, Veloso S, Monteiro G, J Prosthet Dent 2024;132(5):880.e1-880.e8 (doi:10.1016/j.prosdent.2024.04.027)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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