raiz deslocada para o seiocorpo estranho no seio maxilarimplante no seio maxilarmaterial obturador no seiosinusite iatrogenicalevantamento de seiosinusite que nao melhorabucomaxilofacialodontologiaestudar

Corpo estranho odontológico no seio maxilar — a sinusite que não responde a antibiótico e a tomografia que explica

Paciente com sinusite de repetição depois de procedimento odontológico. Quando pensar em corpo estranho no seio maxilar e o que fazer?

Red flags — sinais de gravidade

  • Sinusite unilateral ou de repetição que não responde ao manejo conservador em paciente com procedimento odontológico recente
  • Fragmento ou instrumento que desaparece do campo durante extração de dente superior posterior
  • Manobras repetidas às cegas ou irrigação em direção ao seio para tentar recuperar fragmento
  • Obstrução nasal, secreção purulenta unilateral, dor facial ou cacosmia após procedimento odontológico
  • Sinal de comunicação buco-sinusal associado — ver verbete específico
  • Adiar o encaminhamento na expectativa de que o corpo estranho seja reabsorvido ou expelido
  • Não informar o paciente sobre o que ocorreu
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Há verbete próprio sobre sinusite maxilar de origem odontogênica em geral; este recorte é o do corpo estranho IATROGÊNICO deslocado para o seio durante um procedimento
  • As causas comuns descritas de sinusite maxilar odontogênica incluem implantes dentários, DESLOCAMENTO DE ÁPICE RADICULAR de dente superior durante a extração, migração de material usado em tratamento endodôntico e material de enxerto em procedimento de levantamento de seio
  • O dado que reorganiza a suspeita: cerca de 60% das sinusites iatrogênicas decorrem de tratamentos odontológicos
  • Regra prática que sai daí: todo paciente com rinossinusite recalcitrante e história de tratamento odontológico deve ser SUSPEITADO de sinusite iatrogênica e avaliado com tomografia computadorizada
  • No caso relatado, um homem de 68 anos teve episódios repetidos de sinusite por cerca de 3 meses, sem resposta ao manejo conservador, após múltiplos procedimentos odontológicos 5 meses antes
  • A tomografia de seios paranasais mostrou sinusite maxilar bilateral com múltiplos corpos estranhos radiopacos em ambos os seios. A revisão da imagem revelou implantes metálicos in situ, indicando levantamento de seio com instalação de implante e extrusão subsequente de material de enxerto
  • Achado cirúrgico que ensina algo sobre a conduta: os debris estavam LIVRES em um dos lados e FIXOS ao outro, com material osseointegrado — o que muda a dificuldade da remoção e reforça por que a decisão é do serviço, e não do consultório
  • A conduta descrita, uma vez confirmado o diagnóstico, é a remoção ENDOSCÓPICA do corpo estranho
  • E o recado final da fonte, que é de prevenção: deve-se ter grande cuidado durante o tratamento odontológico para não introduzir acidentalmente corpo estranho no antro
  • O que fazer no momento em que acontece, no consultório: não insistir em manobras às cegas e não irrigar em direção ao seio — tentativa repetida de captura sem visualização empurra o fragmento para mais longe e amplia a comunicação
  • Estabilizar, documentar por imagem a posição, informar o paciente com honestidade sobre o que ocorreu, e encaminhar ao serviço de referência — cirurgia bucomaxilofacial ou otorrinolaringologia, conforme a rede
  • Registrar o evento no prontuário de forma objetiva é parte do cuidado e também da proteção de quem atende: o que aconteceu, o que foi feito, o que foi dito ao paciente e para onde foi encaminhado
  • Nível de evidência: a fonte é um relato de caso com discussão; o número dos 60% e a orientação de suspeitar e tomografar vêm dela. Serve para orientar a suspeita e a conduta imediata, e não como estatística de precisão

Conduta inicial

  1. 1Interromper a manobra assim que o fragmento se deslocar, sem tentativas repetidas às cegas e sem irrigar em direção ao seio.
  2. 2Documentar por imagem a posição do corpo estranho antes de qualquer outra decisão.
  3. 3Avaliar e registrar sinal de comunicação buco-sinusal.
  4. 4Informar o paciente de forma objetiva sobre o que ocorreu e sobre o encaminhamento necessário.
  5. 5Encaminhar ao serviço de referência — cirurgia bucomaxilofacial ou otorrinolaringologia —, conforme a rede disponível.
  6. 6Diante de sinusite recalcitrante com história de procedimento odontológico, levantar a hipótese e encaminhar para avaliação com tomografia.
  7. 7Registrar o evento, a conduta e o encaminhamento em prontuário.

Exames

  • Radiografia imediata para localizar o fragmento, quando o evento ocorre no consultório
  • Tomografia computadorizada de seios paranasais, conforme indicação do serviço
  • Avaliação clínica de comunicação buco-sinusal
  • Avaliação otorrinolaringológica quando houver quadro sinusal
  • Acompanhamento definido pelo serviço que conduzir a remoção

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — a remoção é conduzida por serviço especializado. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Medicamentos

  • Analgesia conforme avaliação individual ___
  • Antibiótico conforme indicação e orientação do serviço de referência ___
  • Cuidados de não assoar o nariz e de evitar manobras de pressão, conforme orientação ___

Recomendações

  • Manobras às cegas interrompidas e registradas ___
  • Posição do corpo estranho documentada por imagem ___
  • Comunicação buco-sinusal avaliada ___
  • Paciente informado objetivamente sobre o ocorrido ___
  • Encaminhamento realizado em ___
  • Evento registrado em prontuário ___

Exames

  • Tomografia conforme indicação do serviço ___
  • Retorno de acompanhamento em ___

Referências

  1. [1]Odontogenic Sinusitis: Endoscopic Management of this Iatrogenic Entity, Sikdar A, Verma K, Phatak S, Nivsarkar S, Agarwal R, Bhagat P, Patel Y, Indian J Otolaryngol Head Neck Surg 2025;77(1):170-176 (doi:10.1007/s12070-024-05133-5)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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