inlayonlayrestauracao indiretadissilicato de litioceramica em posteriorresina composta indiretarestauracao de ourosobrevida de restauracaodentisticaodontologiaestudar
Restauração indireta intracoronária em posterior — a vantagem do ouro foi demonstrada só contra a resina indireta, e nunca contra a direta
Vou indicar uma restauração indireta em molar. Dissilicato, resina indireta, leucita ou ouro — o que a evidência compara de fato?
Red flags — sinais de gravidade
Indicar restauração indireta em remanescente que não a suporta, na expectativa de que o material compense estrutura ausente
Apresentar sobrevida de 5 a 7 anos como se fosse de 15 ou 20
Usar esta metanálise para afirmar superioridade da indireta sobre a direta — não foi isso que ela comparou
Afirmar que ouro e leucita foram comparados — essa análise não foi possível
Decidir material sem discutir estética, custo e expectativa com o paciente, e sem registrar a conversa
Dente com dor à mordida, trinca suspeita ou diagnóstico pulpar em aberto — fechar o diagnóstico antes de preparar para indireta
Preparo indireto feito sem plano de cimentação definido
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Revisão sistemática com metanálise (PROSPERO CRD42021233185, conduzida pelo manual Cochrane e PRISMA) avaliou sucesso e sobrevida clínica de restaurações indiretas INTRACORONÁRIAS de ouro, dissilicato de lítio, leucita e resina composta indireta
Foram triados 7.826 artigos por título e resumo; 12 estudos foram elegíveis, somando 946 restaurações, com seguimento mínimo de 1 ano e máximo de 7 anos
Achado com significância estatística: os autores relatam que a resina composta indireta intracoronária teve 18% MAIS falha que a restauração intracoronária de ouro em 5 a 7 anos de serviço clínico — diferença de risco de −0,18 (IC95% −0,27 a −0,09; p = 0,0002; I² = 0%), número e sinal reproduzidos como publicados
Repare no alcance dessa frase antes de generalizar: a superioridade do ouro foi demonstrada CONTRA A RESINA COMPOSTA INDIRETA. Ouro contra dissilicato de lítio não aparece como comparação nesta metanálise, e ouro contra leucita não pôde ser analisado
I² de 0% aqui significa que os estudos que entraram nessa comparação concordaram entre si — é o achado mais firme do conjunto
Dissilicato de lítio e resina composta indireta mostraram sobrevida COMPARÁVEL no seguimento de curto prazo, com dados de qualidade média
Também não houve diferença estatisticamente significativa de sobrevida entre leucita e resina composta indireta
A comparação entre ouro e leucita NÃO pôde ser feita, por diferenças metodológicas entre os estudos — ausência de análise, não ausência de diferença
Os limites que os próprios autores declaram: período curto de observação, número limitado de artigos elegíveis e amostra pequena nos estudos incluídos
O que esta metanálise NÃO responde: ela compara materiais indiretos ENTRE SI. Não é uma comparação de restauração indireta contra restauração direta de resina composta no mesmo dente
Ou seja, a pergunta 'vale a pena partir para a indireta em vez de fazer direta?' não é respondida aqui — quem decide isso continua sendo o remanescente dentário, e restaurar dente tratado endodonticamente tem verbete próprio
Sobrevida de 5 a 7 anos é um horizonte curto para restauração indireta; extrapolar para 15 ou 20 anos é leitura do clínico, não dado do estudo
O ouro sai bem no dado e mal na conversa com o paciente — a aceitação estética é fator real de decisão e não entra em desfecho de sobrevida
Cimentação da indireta unitária, protocolo adesivo e o dente tratado endodonticamente têm raciocínios próprios no Akut e continuam valendo por cima desta escolha de material
Conduta inicial
1Fechar diagnóstico pulpar, periapical e de integridade estrutural antes de decidir entre direta e indireta.
2Discutir material com o paciente apresentando o que a evidência compara e o que ela não compara, incluindo o horizonte de 5 a 7 anos.
3Registrar no prontuário o material escolhido, a razão da escolha e a expectativa alinhada.
4Planejar cimentação e protocolo adesivo antes do preparo, não depois.
5Reavaliar contato proximal e oclusão na instalação, com o mesmo cuidado de uma restauração direta.
6Programar controle clínico e radiográfico, já que o dado publicado se encerra em poucos anos de seguimento.
Exames
Diagnóstico pulpar e periapical do dente antes do preparo
Avaliação do remanescente coronário e das paredes remanescentes
Radiografia periapical e interproximal conforme indicação
Avaliação de trinca e de dor à mordida, quando houver suspeita
Registro fotográfico e de oclusão antes do preparo
Controle clínico e radiográfico programado após a instalação
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — indicação, material e protocolo de cimentação são decisão do profissional para aquele caso. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Dieta
Orientação alimentar no período de provisório ___
Medicamentos
Analgesia pós-operatória conforme avaliação individual, se necessária ___
Dessensibilizante, se houver sensibilidade pós-preparo ___
Recomendações
Material escolhido e razão da escolha registrados ___
Expectativa de sobrevida alinhada com o paciente e registrada ___
Protocolo de cimentação definido antes do preparo ___
Oclusão e contato proximal conferidos na instalação ___
Exames
Controle clínico em ___
Controle radiográfico em ___
Referências
[1]Clinical longevity of intracoronal restorations made of gold, lithium disilicate, leucite, and indirect resin composite: a systematic review and meta-analysis, Bresser RA, Hofsteenge JW, Wieringa TH, Braun PG, Cune MS, Özcan M, Gresnigt MMM, Clinical Oral Investigations 2023;27(9):4877-4896 (doi:10.1007/s00784-023-05050-x)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.